Em meio a mudança regulatória, energia solar mantém ritmo forte de crescimento em 2019

0
921
Imagem: @andreas160578 | Pixabay

Perspectiva da associação setorial é atingir 3,3 GW instalados, mediante R$ 5,2 bilhões de novos investimentos.

Gráfico: Potência Instalada Acumulada da Fonte Solar Fotovoltaica no Brasil
Fonte: ANEEL / ABSOLAR, 2019. Última atualização 03/01/2019.

Depois de praticamente dobrar a potência instalada em 2018, a energia solar deve registrar novo salto de crescimento neste ano. As projeções da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) indicam que o total de projetos fotovoltaicos deve aumentar 44%, ultrapassando a marca de 3,3 GW até o final de 2019 e atraindo mais de R$ 5,2 bilhões em novos investimentos.

O bom momento da fonte pode ser associado à combinação de tarifas de energia elevadas – que estimulam a busca de alternativas ao fornecimento das distribuidoras – e redução expressiva dos custos da fonte – os preços caíram, em média, 12% apenas nos últimos seis meses, conforme o estudo “Mercado Fotovoltaico de Geração Distribuída – 1º semestre 2019”, da consultoria Greener.

Salgueiro, da Schneider Electric: expectativa é que se encontre ponto de equilíbrio na regulação.

As projeções da Schneider Eletric, que fornece equipamentos e softwares que conectam a geração fotovoltaica aos consumidores e à rede de distribuição, acompanham o otimismo geral do mercado. “A perspectiva de crescimento da empresa estará definitivamente alinhada com as projeções do segmento solar como um todo”, afirma João Carlos Salgueiro, gerente sênior de Relações Institucionais de Sustentabilidade e Inovação da empresa para a América do Sul, sem detalhar números. “Porém, será fundamental a correta revisão do arcabouço regulatório, buscando o equilíbrio entre todos os atores no médio e no longo prazo”, alerta, referindo-se aos efeitos de médio prazo das mudanças das regras da geração distribuída, que podem afetar a atratividade dos projetos (veja texto a seguir).

Para o diretor de Novas Energias da WEG, João Paulo Gualberto da Silva, a mudança da regulação é justamente um dos fatores por trás do aquecimento do mercado neste ano, promovendo uma antecipação de encomendas. A empresa projeta um crescimento superior a 30% das vendas para empreendimentos solares de pequeno e médio porte no período, com a instalação de mais de 340 MW. Tratam-se de sistemas para atendimento de apenas uma residência ou empresa, ou para a chamada geração compartilhada, em que vários clientes recebem, via rede de distribuição, a energia produzida numa usina solar de até 5 MW.

Rodrigo Travi, da Ledax: perspectiva é faturar R$ 8 mi no ano.

O foco da Ledax Energy Solutions, por sua vez, é específico em indústrias e varejistas interessados em aproveitar a energia solar para reduzir a própria conta de luz. A empresa prevê faturar R$ 8 milhões neste ano e R$ 12 milhões em 2020 com as vendas de sistemas fotovoltaicos, focando nos estados do Nordeste, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, segundo o CEO, Rodrigo Travi.

Revisão das regras da geração distribuída

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve concluir, até o final deste ano, a revisão da Resolução Normativa 482/12, que criou o Sistema de Compensação de Energia. Esse sistema, fundamental para a evolução da energia solar em curso no país, permite ao consumidor instalar pequenos geradores em seu imóvel e trocar energia com a distribuidora local.

O sistema realiza o encontro de contas mensal entre a energia produzida na unidade consumidora que é injetada na rede e a energia por ela consumida. Se a energia consumida superar a produzida, o consumidor paga pela diferença. Caso a quantidade de energia injetada no mês supere a consumida, o consumidor fica com o crédito junto à concessionária de distribuição, que pode ser usado em até 60 meses.

A revisão das regras está prevista na própria resolução, como parte da evolução do mercado. Hoje, por um lado as distribuidoras alegam que o sistema é prejudicial ao mercado como um todo, uma vez que os usuários de GD não estariam pagando adequadamente pelo uso das redes de distribuição e o custo disso estaria impactando as tarifas de todo o conjunto de consumidores. Por outro lado, o segmento de energia solar afirma que paga por esses custos e alega que eventuais mudanças nas regras neste momento poderiam comprometer a expansão dos sistemas.

“Nossa expectativa é que seja encontrado um ponto de equilíbrio para manter a expansão da geração solar e permitir que as concessionárias de energia se preparem rapidamente para desenvolver novos negócios em torno da transição energética”, avalia João Carlos Salgueiro, da Schneider Electric.

Silva, da WEG, também entende que as mudanças não devem inviabilizar a energia solar. “Acreditamos que haverá uma modernização da legislação, que vai desincentivar um pouco a utilização de energia solar, entretanto não vai eliminar a atratividade das instalações”, exemplificando que o payback dos projetos pode passar de cinco para sete anos. No novo cenário, o mercado também deve reagir, com a redução de margens da cadeia da energia solar e aumento do desempenho. Além disso, o preço dos equipamentos continua caindo. “A energia solar pode ter uma desaceleração no crescimento, mas vai continuar sendo uma fonte competitiva”, aposta.