Modernização na pauta da indústria

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Gilberto Inácio Dick, da Soma Sul: expectativa de melhora do cenário político e estabilidade da cotação da moeda. | Da esquerda para direita Gustavo Martins – CEO da Soma Sul, e Gilberto Dick – Gerente Comercial

Perspectivas da Abinee indicam crescimento de 10% no faturamento do setor de automação industrial.

A expansão do conceito de Indústria 4.0 combinada à perspectiva de recuperação da economia deve garantir um crescimento de 10% no faturamento da indústria de automação no país neste ano. As projeções da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) indicam que as vendas do segmento devem atingir um total de R$ 5,2 bilhões, focadas em investimentos na modernização do parque industrial nacional.

O otimismo também se manifesta nas projeções das empresas: sondagem realizada com os associados da Abinee apontou que mais de 83% das companhias dos vários segmentos participantes da entidade estavam prevendo incremento nas vendas ou encomendas neste ano. Essas perspectivas refletem diretamente nos negócios do segmento de automação. “Temos verificado uma demanda crescente da indústria para ficar mais enxuta e eficiente”, resume o diretor-executivo de Automação Industrial da Omron, Carlos Neves.

Ao mesmo tempo, a perspectiva de implantação de reformas no país favorece o segmento. “Aos poucos a economia vai se reativando e o ambiente parece demonstrar uma maior confiança dos empresários”, disse o presidente do Conselho da Abinee, Irineu Govêa.

O bom momento já aparece nos resultados da Soma Sul, de codificação industrial e equipamentos de inspeção de alimentos. A empresa com sede em Chapecó (SC) registrou aumento de 20% no faturamento em 2018 e espera repetir os bons números neste ano. “Isso se deve a vários fatores, mas o principal deles é a expectativa de melhora do cenário político brasileiro e a estabilidade da cotação da moeda estrangeira, incentivando os investimentos na indústria”, explica o gerente comercial, Gilberto Inácio Dick. O otimismo do segmento mira o futuro: “O segmento de automação tende a crescer ainda mais nos próximos anos, devido à necessidade cada vez maior de informações em tempo real. Desta maneira, os equipamentos estarão integrados com softwares nas empresas”, completa o executivo, referindo-se ao avanço do conceito Indústria 4.0 no Brasil.

Acima da média

No caso da Omron, multinacional japonesa com faturamento global da ordem de US$ 8 bilhões, o otimismo também se traduz em vendas. “No ano fiscal de 2017 registramos um crescimento do faturamento de quase 20% e no ano que se encerra agora devemos avançar 50% na operação brasileira”, comemora Neves. Além de automação industrial, a empresa trabalha no país com tecnologia de componentes eletrônicos, componentes automotivos e de cuidados com a saúde.

O executivo associa os bons resultados à combinação de aspectos como investimentos em disponibilidade de estoque e atendimento, política comercial agressiva e ao lançamento de novos produtos, particularmente na área de robótica colaborativa.

Camila Guerra, da Finder Brasil: crescimento de 11% via exportações e mercado interno.

A Finder Brasil, por sua vez, projeta um aumento de 11% em 2019. “A indústria de máquinas e equipamentos vem apresentando previsão maior para o mercado interno, além da manutenção dos bons negócios provenientes de exportação e projetos de infraestrutura, em especial no segmento de energia”, afirma Camila Guerra, gerente geral da empresa, que atende a clientes de diversos segmentos como o de energia e industrial. Dentre as várias linhas de produtos, destaque para equipamentos de automação predial, como sensores de presença e medidores de energia, entre outros.

No caso da Altus Sistemas de Automação, a evolução das vendas é associada à ampliação da atuação no mercado via novos canais e, a partir das reformas do governo, do destravamento de investimentos no setor público e privado que permitirão que as oportunidades de negócio sejam ampliadas, conforme o CEO da empresa, Fabiano Favaro, que prevê um avanço de ao redor de 5% neste ano. Dentre os produtos que devem se destacar, a empresa, que faturou R$ 55 milhões no ano passado, aposta nas linhas tradicionais de CLP (Controlador Lógico Programável) com funcionalidades ampliadas e as vendas de produtos vinculados à internet das coisas (IoT) e cybersecurity.

De olho na recuperação

Gilberto Castro, da Protaquions: recuperação em curso.

A perspectiva da Protaquions, que fornece soluções para segmentos industriais diversos como metalurgia, óleo e gás, químico, alimentício, e de embalagens, é registrar crescimento de 12% a 13% no faturamento neste ano. Mas o desafio de superar a recessão de 2015 e 2016 ainda segue no radar. De acordo com o diretor comercial, Gilberto Castro, hoje o faturamento ainda se encontra abaixo do registrado em 2014. “É que a indústria ficou bastante parada principalmente nos anos de 2016 e 2017. As empresas não investiram em maquinário nesse período”, afirma, acrescentando que, por enquanto, dentre os segmentos que devem puxar a recuperação, destacam-se o de alimentos e automotivo.