A tendência de modernização de usinas no Brasil

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Jorge Okawa, Diretor de Investimentos em Engenharia da CTG Brasil | Foto: Henrique Manreza

*Por Jorge Okawa

O Brasil é um país com grande potencial de desenvolvimento para o setor elétrico, sobretudo no segmento de geração de energia. O mercado brasileiro, além de recursos massivos disponíveis para a criação e a operação de projetos renováveis de larga escala, precisará expandir o sistema energético para que possa acompanhar a capacidade de crescimento industrial e metropolitano. Os agentes geradores certamente terão por aqui anos e anos de oportunidades.

Para que esse potencial seja concretizado, entretanto, um movimento deverá se tornar tendência no setor: a modernização de usinas. Quase metade das hidrelétricas brasileiras estão atingindo o estágio de iniciar processos para modernizar seus ativos. Cerca de 45% dos empreendimentos operam há mais de 30 anos, o que representa aproximadamente 43,4 GW, ou 27,5% da capacidade instalada total do País.

A usina hidrelétrica Ilha Solteira, localizada no Rio Paraná, entre os municípios de Ilha Solteira (SP) e Selvíria (MS), iniciou suas atividades em 1973 com a entrada em operação da primeira unidade geradora.  A usina tem capacidade instalada de 3.444,00 MW gerados a partir de 20 unidades geradoras. Sessenta quilômetros a jusante da UHE Ilha Solteira fica a usina hidrelétrica Jupiá com capacidade instalada de 1.551,20 MW e 14 unidades geradoras. A usina está localizada entre os municípios de Castilho (SP) e Selvíria (MS) e iniciou suas atividades em 1969 com a entrada em operação da primeira unidade geradora.

Considerando esse cenário, a CTG Brasil tornou-se a pioneira do movimento e iniciou um programa com investimento total estimado em R$ 3 bilhões em melhorias para garantir a segurança das operações das plantas no futuro, por meio de soluções técnicas robustas, melhorando a confiabilidade e garantindo a disponibilidade dos ativos da geração para o Sistema Interligado Nacional (SIN).

O programa teve início com um levantamento detalhado das condições existentes e das informações dos equipamentos e sistemas. Identificou-se que muitos ativos já estavam obsoletos, sem reposição no mercado e com alto risco de falhas. Então, foi possível definir a extensão, a prioridade das atividades e a sequência de modernização. Em março de 2017 foi iniciado o projeto de modernização, com um forte programa de integração tecnológica envolvendo especialistas brasileiros e chineses. Outra característica destas usinas refere-se à condição analógica de seus sistemas, que estão sendo completamente digitalizados, incluindo a criação de um novo Centro de Operações da Geração (COG), que vai integrar todas as operações da CTG Brasil.

O projeto reforça o compromisso de longo prazo da CTG Brasil com o País. A empresa investe no mercado nacional porque acredita na indústria brasileira e conduz suas operações com visão de futuro, preocupada não apenas com o desenvolvimento das suas usinas, mas também do setor como um todo. Este projeto de modernização é um novo marco no setor elétrico nacional e é o maior projeto de modernização em andamento na atualidade, trazendo maior confiabilidade, segurança e novas tecnologias às duas usinas, enfatizando o compromisso da CTG Brasil com a segurança, o meio ambiente e a sociedade. Por isso, o grupo acredita que traz também, com o programa de modernização de Jupiá e Ilha Solteira, um aprendizado para os outros agentes. Uma referência que muito nos orgulha e que esperamos que seja útil para o crescimento de todos.

*Jorge Okawa é Diretor de Investimento em Engenharia da CTG Brasil