Usinas conseguem fazer mais etanol devido a investimentos na indústria

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usina de etanol e açúcar
Usina de Açúcar e Etanol | Foto: UNICA – Divulgação

As unidades produtivas do setor sucroenergético chegaram a produzir 62% de etanol na safra 2018/19, a ser encerrada neste mês na região Centro-Sul do País. A migração, ou mudança do mix, como se diz no meio, foi possível não devido às condições agrícolas, mas a investimentos na área industrial das unidades. 

Migrar o mix para acima de 50% era muito difícil até anos atrás, por conta da incapacidade industrial de muitas das unidades, construídas com foco na produção de açúcar. Geralmente, esse alimento é que chegava a 60% da produção, contra até 40% para o biocombustível. 

A migração para o etanol “reflete os investimentos realizados na indústria”, afirma Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro. 

Segundo ele, os aportes na indústria explicam a capacidade de maior produção de etanol uma vez que a produtividade agrícola, medida por total de ATR (sigla para Açucares Totais Renováveis), segue estagnada. “Estamos em uma média anual de 87 milhões de toneladas de ATR desde 2010”, destaca. Essa estagnação, completa, é resultado do fechamento de unidades, o que reduziu o total de cana-de-açúcar processada. 

A quebra no processamento pode ser medida pela safra 18/19, na qual as unidades encerram com moagem abaixo de 570 milhões de toneladas. Caso todas as unidades do Centro-Sul estivessem em operação, a capacidade instalada é de 660 milhões de toneladas.

Mais etanol 

A safra 2019/20, prestes a começar no Centro-Sul, novamente deverá ser mais alcooleira, por conta das indefinições do mercado mundial de açúcar. Traders como a francesa Sucden estimam um déficit mundial pouco acima de 4 milhões de toneladas ao longo da safra global a ser iniciada em outubro e que vai até setembro de 2020. Se esse déficit for confirmado, certamente o alimento voltará a ser remunerador para as unidades brasileiras.

Mas como não há indicadores confiáveis de alento para o açúcar, o foco produtivo novamente será o etanol. Até porque há demanda interna para o biocombustível. Levantamento da consultoria Datagro destaca um consumo no País de 19,3 bilhões de litros de hidratado (etanol dos veículos flex) ao longo de 2018, alta de 42% ante o ano anterior. 

Outro motivo que reforça o mix mais alcooleiro é a valorização do hidratado. Segundo a consultoria, na primeira quinzena deste mês de março o hidratado valia 15,26 cents de dólar por libra-peso, em preço FOB Santos. O valor estava 25 pontos acima do açúcar VHP exportação.