O vai e vem do preço do etanol para as usinas

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O preço do litro do etanol hidratado (veículos flex) para as usinas do estado de São Paulo fechou o mês de março em R$ 1,7891. O valor, que exclui impostos, é apenas R$ 0,0007 acima do R$ 1,7899 recebido por litro pelas unidades seis meses antes, no fim de outubro de 2018. 

Mas ao longo desse semestre as unidades produtoras paulistas registraram mais baixas do que altas nos valores recebidos pelo combustível que é campeão de vendas. 

No acumulado entre começo de abril de 2018 e o fim de março último, os postos venderam 20,6 bilhões de litros de hidratado em todo o País, 5,4 bilhões de litros acima do comercializado no mesmo período anterior, segundo a UNICA, entidade representativa do setor. 

Essa explosão de vendas não remunerou o caixa das unidades. Em seu último boletim, divulgado em 02/04, o Centro de Pesquisas em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, destaca que durante 2018 as usinas paulistas venderam 54% mais de etanol, ante o ano anterior, mas o valor real recebido foi 4% menor. 

Mas qual o motivo dessa queda da remuneração?

Analistas do setor ouvidos pelo Energia que Fala com Você são unânimes em afirmar que as usinas amargaram preços ruins de venda porque a safra 2018/19, recém-encerrado, priorizou a produção de etanol. 

Ao longo da safra, segundo a UNICA, as unidades paulistas totalizaram uma fabricação de 10,6 bilhões de litros de hidratado, montante 52% acima dos 7 bilhões produzidos na temporada anterior. 

A maioria desse etanol foi absorvida pelo mercado consumidor interno, mas parte ficou estocado. Armazenar o biocombustível é uma estratégia das usinas para vendê-lo quando as unidades param a produção, período chamado entressafra e que na média vai de dezembro a março. 

Pois foi justamente nesse período que os preços de venda mais caíram para as usinas do estado de São Paulo. A queda de valores, sem considerar impostos, começou em novembro, quando, na média, o litro recuou para R$ 1,66, ou seja, R$ 0,14 centavos abaixo dos R$ 1,80 recebidos em outubro.

Ladeira abaixo

A partir de dezembro, os preços pagos às usinas seguiram ladeira abaixo e chegaram em janeiro a R$ 1,61. 

“É preciso lembrar que janeiro tradicionalmente costuma ser o melhor mês da entressafra em preços, porque combina consumo aquecido de verão com baixa oferta”, explica um analista. De fato o consumo seguiu em alta, mas a oferta abastada segurou os preços em baixa. 

O mês de fevereiro também continuou baixista com as usinas paulistas recebendo em média R$ 1,66. O valor só voltou à recuperação em março, com a média de R$ 1,7981. Essa retomada é explicada pelo consumo mantido crescente com escassez da oferta nos estoques. 

O mês de abril, no entanto, sinaliza nova baixa de preços para as usinas, por conta do aumento da oferta diante o início da moagem.   

O boletim do Cepea explica bem essa situação: as usinas fecharam o período entre 25 e 29 de março recebendo R$ 1,6332 pelo litros (sem ICMS e sem PIS/Cofins). O valor é 7,66% inferior ao pago uma semana antes.

A explicação dos colaboradores da instituição: a demanda das distribuidoras que compram das usinas ficou retraída e as usinas seguiram desovando o produto remanescente da safra anterior. Em alguns casos, unidades ofertam também o etanol já produzido na safra nova.