Menos carbono, mais tecnologia

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Distribuidoras inovam e colocam o Brasil no rumo da descarbonização, digitalização e descentralização do setor elétrico

A descarbonização, digitalização e descentralização do setor elétrico vão ajudar o Planeta no cumprimento das metas contra a mudança climática definidas no Acordo de Paris, reduzir a poluição do ar e assegurar o acesso universal à energia. A implantação dessas mudanças vai depender, no entanto, de muitos investimentos mundo afora para garantir um ciclo virtuoso de evolução tecnológica e redução de custos. O Brasil participa ativamente dessa corrida, com inúmeros projetos inovadores em diferentes frentes do setor elétrico que também proporcionam melhoria na qualidade dos serviços e possibilidade de redução de custos para os consumidores.

Fernando Saliba
Fernando Saliba, da EDP Grid: OPV pode ampliar portfólio de serviços da empresa na área de energia solar.

A geração de energia solar é uma das principais alternativas no que diz respeito à geração distribuída, além de contribuir para a redução das emissões de gás carbônico e dos custos finais dos consumidores. E as novidades na área mostram que é possível ir muito além dos já tradicionais painéis fixos instalados em telhados: Filmes Fotovoltaicos Orgânicos (OPV) e a tecnologia de tracking podem permitir mais eficiência nos processos, como mostram os esforços da EDP. 

Na área de OPV, a empresa acaba de fechar parceria com a Sunew, fabricante do produto, para instalar cerca de 2 mil m2 do adesivo solar em clientes das suas distribuidoras de energia. “Por ser versátil e se adaptar à aplicação em fachadas e claraboias de vidro, esta solução permite um uso mais fácil e generalizado, podendo vir a ampliar, num futuro próximo, o portfólio de serviços que a EDP oferece aos seus clientes”, disse Fernando Saliba, diretor da EDP Grid, empresa de soluções de energia solar da EDP no Brasil. Outras vantagens são que seu processo produtivo possui a mais baixa demanda energética dentre todas as alternativas de geração solar e a menor pegada de carbono (10 a 20 vezes menor que as tecnologias solares tradicionais).

A tecnologia de tracking aumenta a eficiência dos sistemas fotovoltaicos, pois garante mais horas de exposição das placas à luz do sol. O sistema faz parte do projeto de energia solar da Brametal, em Linhares (ES), que vai gerar cerca de 2.409 MWh por ano e será a maior usina solar do Espírito Santo em potência instalada. Além de evitar a emissão de 186,93 toneladas de CO2, o que equivale ao plantio de 1.378 árvores, o empreendimento permitirá à fabricante de estruturas metálicas reduzir os custos com energia elétrica em sua unidade fabril em cerca de R$ 360 mil ao ano. “A solução proporcionará à Brametal maior previsibilidade nos gastos com energia e a possibilidade de uma economia significativa”, resumiu Saliba, da EDP.

Digitalização do sistema

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), as fontes renováveis de energia devem responder por quase dois terços da expansão do parque gerador global até 2040, passando dos atuais 25% para 40% da matriz elétrica. Ligada à redução de custos e ao apoio governamental, essa expansão traz benefícios ambientais significativos, mas ao mesmo tempo desafios que precisam ser endereçados rapidamente. É que, com grande participação de fontes renováveis variáveis, como solar e eólica, os sistemas elétricos vão precisar de mais flexibilidade.

Para tanto, são necessários investimentos na rede de transmissão e distribuição, bem como melhora nas tecnologias de resposta pelo lado da demanda, tais como armazenamento de energia (baterias), e medidores eletrônicos. É aí que entra o processo de digitalização, área em que empresas com atuação no país também estão agindo. Esse é o caso do projeto da CPFL Energia de instalar medidores inteligentes em Jaguariúna (SP), na região metropolitana de Campinas. O município será o primeiro atendido por concessionária do grupo a ter 100% dos seus clientes residenciais, rurais e comerciais de pequeno porte com os novos equipamentos, mediante um investimento de mais de R$ 25 milhões. “Essa tecnologia trará praticidade ao cliente, que acompanhará o volume de energia com mais agilidade em até um dia depois de consumido”, disse o diretor de Engenharia da CPFL Energia, Caius Vinicius Malagoli.

Caius Vinicius Malagoli
Caius Vinicius Malagoli, da CPFL Energia: mais praticidade para os clientes.

A tecnologia também ajuda a reduzir as interrupções no fornecimento de energia, melhorando a qualidade. A Light diminuiu em 15% o tempo de falta de luz com a implantação de solução de self-healing da Schneider Electric. Essa solução permite restringir os impactos negativos das interrupções de fornecimento nas redes de média tensão. Além de religadores, o projeto inclui uma solução que atribui inteligência aos equipamentos, fazendo com que eles se comuniquem com a central e coletem dados sobre o comportamento dos disjuntores de saída dos alimentadores das subestações. Assim, é possível minimizar os tempos de atuação para reparo de rede e reduzir o intervalo de falta de luz para os clientes. Dessa forma, o projeto contribui não só para melhorar a qualidade de fornecimento de energia, como para diminuir o impacto financeiro da compensação por violação de indicadores individuais de qualidade do serviço da distribuidora.