Artigo: A era digital já é realidade no setor elétrico

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Foto: Banco de imagens

A revolução digital que o mundo está vivenciando nos últimos anos se espalha por diversos segmentos da economia, provocando uma profunda transformação nos negócios, na disponibilidade de serviços e nas formas de consumo. Pensar em um mundo com milhões de objetos de uso diário conectados entre si é cada vez mais palpável com as novas tecnologias de Digitalização. Esse conceito representa uma nova realidade que também já está presente no setor energético.

O processo de digitalização do setor elétrico é responsável por contribuir com a solução de diversos desafios na geração, transmissão e distribuição de energia. Além de possibilitar um ganho de eficiência, a conectividade torna possível a coleta de informações fundamentais que poderão ser utilizadas na implementação de novos padrões operacionais.

No bojo dessa transformação, destacam-se três aspectos. O primeiro é a descentralização dos sistemas de geração de energia, aproximando-os dos locais de consumo, além dos avanços nas tecnologias de armazenamento. Em segundo lugar, observa-se a proliferação de tecnologias digitais, que permite que a energia seja produzida, transmitida e consumida de forma mais inteligente e eficiente.  Por fim, evidencia-se o crescimento de fontes de energia renováveis para descarbonização do sistema energético, como parte dos esforços globais de mitigação das mudanças climáticas.

Cada vez mais, os fabricantes do setor elétrico passaram a incorporar e a oferecer um portfólio de soluções digitais, como proteção, automação e digitalização de subestações; medição inteligente; geração distribuída e microgrids; big data analytics; cibersegurança e softwares para simulação e  gerenciamento do sistema de energia. Tudo isso possibilita inteligência na operação, análises em tempo real, integração de diversas tecnologias nas redes elétricas que resultam em maior eficiência, ganho operacional e mais liberdade aos consumidores.

A utilização dessas soluções é ampla, podendo ser observada de maneira variada, como forma de resolver demandas específicas e locais, atendendo às estratégias energéticas de cada país. Na Europa, o objetivo principal foi tornar a energia mais verde, enquanto no Brasil o foco tem sido a eficiência energética. O País já possui uma matriz elétrica diversificada e limpa, e a vantagem de um sistema nacional de transmissão interligado. Entretanto, a geração de energia está distante dos centros de consumo e ainda não exerce de forma plena o potencial de outras fontes, como eólica e fotovoltaica. Nesse sentido, as novas aplicações tecnológicas contribuem para superar desafios hidrológicos e geográficos presentes no País.

O setor elétrico também está tornando mais eficiente a disponibilidade e a confiabilidade do serviço prestado, posicionando o consumidor como um protagonista cada vez mais consciente do seu papel. Hoje ele pode gerar a própria energia e até vendê-la da forma que julgar mais conveniente.

Entretanto, as mudanças disruptivas, além de proporcionar maior eficiência operacional, provocam também o aumento da competição no setor. Portanto, a empresa de energia que não colocar a inovação e o cliente no centro de sua estratégia de negócios certamente desaparecerá.

O futuro chegou e, ao que tudo indica, com ganhos significativos para clientes, cidadãos e para o desenvolvimento sustentável.

Humberto Barbato, presidente da Abinee