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A participação de acadêmicos, pesquisadores e parlamentares em favor de energias renováveis fortalece a criação e gestão de políticas e legislações nesse sentido.

E essas, por sua vez, tendem a impactar positivamente na cadeia produtiva de energias e mesmo na economia como um todo.

Tome-se o exemplo do projeto de lei em tramitação na Câmara Distrital de Brasília.

Uma das metas desse projeto é reduzir a dependência da eletricidade das hidrelétricas por outras fontes renováveis.

Em 2016, ano de crise econômica agravada no País, o consumo de energia elétrica em Brasília chegou a 6,5 mil gigawatts-hora (GWh), segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia (MME).

O volume de energia consumida em Brasília equivale a 1,4% de toda a eletricidade demandada no País em 2016, que totalizou 460,8 mil GWh.

Toda essa carga de energia é atendida, em sua maioria, pela fonte hidrelétrica.

Impacto positivo

Mas e se, por exemplo, o mercado de energia brasiliense fosse em 10% abastecido por fontes renováveis?

O resultado dessa participação de fontes renováveis iria impactar positivamente na economia.

Esse impacto positivo tem vários motivos.

O primeiro é que, assim como outros mercados consumidores, Brasília é abastecida pelo chamado Sistema Interligado Nacional, o SIN, no qual a principal fonte é a hidrelétrica.

Por conta própria, Brasília possuía em 2016 capacidade instalada de pouco mais de 47 megawatts (MW), conforme a EPE.

Essa capacidade local é praticamente marginal perto dos 150.338 MW de capacidade instalada no País naquele ano.

Ou seja, a baixa produção própria de energia deixa a capital federal refém do fornecimento via SIN.

Custos e aportes

Na média, em 2016 o megawatt-hora (MWh, indicador para a eletricidade vendida) teve tarifa de R$ 419,38 na região Centro-Oeste, onde fica Brasília.

Já o custo médio de um MWh por fonte renovável (eólica ou por biomassa) sai por R$ 250, conforme leilão deste ano programado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Em conta estimada feita pelo Gente que Fala com Você, os 6,5 mil GWh (ou 6,5 milhões de MWh) do consumo de 2016 na capital federal tiveram tarifa total de R$ 2,7 bilhões.

É preciso lembrar que a maioria desse montante corresponde à energia gerada por hidrelétrica.

Se 10% do total do consumo (650 mil MWh) fosse de energia renovável, a R$ 250 o MWh, seria possível a conta de luz do distrito federal ter uma redução de R$ 162,5 milhões.

Esses mesmos 10% de eletricidade renovável teriam de ser transformados em investimentos em geração.

Seriam, assim, R$ 162,5 milhões de aportes em geradoras de energia renovável para atender 10% do consumo de 2016 do Distrito Federal.