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A produção de etanol a partir do milho no Brasil tem menos de uma década de vida. Surgiu no estado do Mato Grosso, principal polo produtor do cereal, com previsão de alcançar 29,7 milhões de toneladas na atual safra 2018/19.

Para se ter ideia do peso desse montante, ele representa 32% de toda a produção nacional do grão, conforme previsão da Conab, empresa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Quando iniciaram a produção de biocombustível de milho, os gestores de unidades do Mato Grosso investiram na fabricação de biocombustível de milho com duas estratégias.

A primeira delas foi a de manter a produção de etanol durante todo o ano, inclusive nos quatro meses de parada da chamada entressafra.

Compreendido entre dezembro de um ano a abril do outro, esse período é reservado para ajustes em boa parte do parque industrial, que chega a ser desmontada.

Os empresários do setor sucroenergético do Mato Grosso notaram ser possível fazer esses ajustes e manter ativa a estrutura produtiva, conhecida por destilaria. E passaram a produzir etanol de milho.

A outra estratégia foi dar fim a estoques de milho produzidos no próprio Mato Grosso e que ocupam os armazéns à espera de serem comercializados.

Localizados bem próximos da unidade industrial, esses estoques caíram como luva para o setor fazer biocombustível.

Comparativos

Passados quase uma década, a produção de etanol de milho brasileira engatinha se for comparada com os volumes de mesmo biocombustível gerados por unidades dos Estados Unidos.

Principal produtor mundial de etanol de milho, os EUA mantêm uma fabricação anual média de 52 bilhões de litros.

Ao longo de todo 2018, a oferta de biocombustível feito pelo cereal no Brasil alcançou 791 milhões de litros, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

O montante representa 1,5% da produção média anual dos fabricantes americanos.

Mas apesar de pequena, se comparada aos EUA, a produção de etanol de milho brasileira avança.

“O volume de 2018 é 50% maior na comparação com o etanol produzido na safra anterior”, diz Antônio de Padua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Pré-adolescente

É preciso lembrar que o etanol de milho brasileiro é uma bioenergia pré-adolescente, enquanto o segmento nos EUA prepara-se para entrar na terceira década de vida.

Conforme relatos de instituições do setor, as primeiras produções consistentes de destilarias americanas foram em 2000.

Mas em que pese a pouca idade, o biocombustível de milho brasileiro já criou uma nova indústria dentro do setor sucroenergético.

Essa indústria integra fornecedores de bens e serviços que vão de projetos de engenharia, instalação de destilarias anexas à estrutura existente, mais as adequações necessárias.

Isso tudo sem levar em conta os investimentos na implantação de estrutura para processamento dos grãos destilados, ou DDGs na sigla em inglês.

Esses DDGs são uma riquíssima fonte protéica animal para bovinos, também disputada a peso de ouro pela China.

Um bom exemplo dessa indústria gerada pelo milho é que ela aquece negócios em Sertãozinho e em Piracicaba, no interior paulista, onde estão instaladas mais de 500 empresas fornecedoras de bens e serviços para o setor sucroenergético.

O crescente filão do etanol de milho ganha mais espaço também na Fenasucro, principal feira do setor e que será realizada entre os dias 20 e 23 de agosto próximo em Sertãozinho.

“Teremos expositores dos EUA com as últimas tecnologias focadas em etanol de milho”, diz Paulo Montabone, diretor geral da feira.