Foto: Washington Alves / Agência Petrobras

O segmento de refino de petróleo ganha impulso de investimentos com o anúncio de venda de refinarias da Petrobras.

Anunciada no fim da tarde da última sexta-feira de abril último, a notícia turbinou o mercado de P&G.

Esse mercado já vivenciava otimismo com o leilão de reservas da cessão onerosa, em outubro próximo, e com o fim gradativo da reserva de mercado de gás pela Petrobras.

O anúncio da venda de refinarias pela companhia de controle estatal só ampliou o apetite de operadoras que atuam e que pretendem entrar no mercado de P&G do Brasil.

Serão oito as refinarias a serem colocadas à venda. Em entrevista, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, estima em US$ 15 bilhões o montante a ser arrecada com a comercialização das plantas.

Para analistas, esse volume financeiro pode chegar a US$ 20 bilhões e entrar no caixa da Petrobras em até 18 meses.

A venda das unidades integra o programa de desinvestimentos da Petrobras. As ações do atual comando da empresa visam ao mesmo tempo reduzir investimentos, uma vez que o caixa está abalado, e reforçar esse mesmo caixa.

Para o mercado privado, no entanto, as medidas da Petrobras são um convite ao investimento.

Especialistas do setor de P&G celebram a decisão da gestão da Petrobras de vender 100% do controle das oito refinarias.

No caminho certo

“A Petrobras está no caminho correto”, afirmou Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), em entrevista para o jornal Valor Econômico.

Mas ele manda um recado na entrevista: é importante que não haja instabilidade regulatória e insegurança jurídica para os interessados pelas refinarias.

Fim do monopólio

A venda das oito unidades ocorre “já não sem tempo trará a velha regra do livre mercado”, afirma Cláudio Makarovsky, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (ABESPetro), para o Energia que Fala com Você.

Segundo ele, a proposta de venda das plantas atesta “de fato o fim do monopólio da Petrobras, já que de Direito [o monopólio] não existe desde 1997.”

Aposta em ativos mais lucrativos

Para Marcelo Gauto, químico industrial especialista em P&G, a proposta de venda das refinarias significa que a “Petrobras focará seus investimentos na produção de óleo e gás, reduzindo sua participação em refino a 50%.”

“É uma aposta em ativos mais lucrativos, segundo a empresa”, destaca.

Confira detalhes das 8 refinarias a serem vendidas pela Petrobras

A Petrobras obteve aval do Conselho de Administração e anunciou a venda de 8 refinarias.

Anunciada em 26/04, a decisão integra as novas diretrizes para a gestão do portfólio de ativos da empresa. 

“Energia que Fala com Você” destaca a seguir detalhes das 8 refinarias a serem vendidas pela Petrobras.

Quem são elas:

1 – Refinaria Abreu e Lima (RNEST)

Localização: Complexo Industrial Portuário de Suape (PE)

A RNEST iniciou suas operações em 2014 com o primeiro conjunto de unidades (Trem I), 34 anos depois da construção da última refinaria da Petrobras.

Dentre todas as refinarias brasileiras, A RNEST apresenta a maior taxa de conversão de petróleo cru em diesel (70%), combustível essencial para a circulação de produtos e riquezas do país.

Capacidade de processamento: 230 mil barris de petróleo por dia.

– Produção: focada em diesel (70%). A refinaria foi projetada para produzir diesel com baixo teor de enxofre de acordo com os rígidos padrões internacionais, o Diesel S-10 (concentração de 10 partes por milhão de enxofre). Dentre as principais vantagens ambientais do Diesel S-10 está a redução em até 80% das emissões de material particulado e em até 98% das emissões de óxidos de nitrogênio.

– Produtos: Diesel S-10, nafta, óleo combustível, coque, GLP (Gás liquefeito de petróleo).

2 – Unidade de Industrialização do Xisto (SIX)

Localização: São Mateus do Sul (PR)

Área: 21,8 km²

Principais produtos: óleos combustíveis de xisto, GLP, gás combustível, nafta petroquímica, enxofre, água de xisto e insumos para pavimentação.

Carga autorizada: 6,1 mil ton/dia

Resumo Histórico: A Six iniciou suas operações em junho de 1954, no Vale do Paraíba, em São Paulo. Três anos depois, foram realizados os primeiros testes com o xisto da Formação de Irati, extraído da jazida de São Mateus do Sul, no Paraná, uma das maiores reservas mundiais do mineral.

Em 1972, foi construída a primeira usina de processamento no Estado, a 140 quilômetros de Curitiba. Em 1991, a entrada em operação do módulo industrial representou a consolidação da tecnologia Petrobras de extração do xisto. Dois anos depois foi implantado o Parque Tecnológico.

3 – Refinaria Landulpho Alves (RLAM)

Localização: São Francisco do Conde (BA)

Área: 6,4 km²

Principais produtos: diesel, gasolina, QAV, asfalto, nafta petroquímica, gases petroquímicos (propano, propeno e butano), parafinas, lubrificantes, GLP, óleos combustíveis (industriais, térmicas e bunker) e enxofre.

Carga autorizada: 381,2 mil barris de petróleo por dia

Resumo histórico: A Refinaria de Mataripe começou a ser construída em 1949 e está diretamente ligada à descoberta dos primeiros reservatórios de petróleo no país, precisamente no Recôncavo Baiano.

Sua construção formou uma classe operária egressa do trabalho com a pesca e a agricultura, e inaugurou um novo ciclo econômico, com a atividade industrial do refino virando a página da até então reinante agroindústria da cana-de-açúcar.

Com a criação da Petrobras, em 1953, a refinaria foi incorporada ao patrimônio da companhia, passando a chamar-se Landulpho Alves-Mataripe, em homenagem ao engenheiro e político baiano que muito lutou pela causa do petróleo no país.

Como interventor do Estado Novo na Bahia, Landulpho Alves pleiteava desde 1938 a construção de uma refinaria em território baiano, o que só foi autorizado pelo governo federal em 1946.

4 – Refinaria Gabriel Passos (REGAP)

Localização: Betim (MG)

Área: 12,8 km²

Principais Produtos: gasolina, diesel, combustível marítimo (bunker), QAV, GLP, asfaltos, coque verde de petróleo, óleo combustível e enxofre.

Carga autorizada: 166,1 mil bpd

Resumo histórico: A refinaria tem o nome do engenheiro Gabriel Resende Passos que, ao ocupar o cargo de Ministro das Minas e Energia, lutou pela instalação da unidade em Minas Gerais. As obras começaram em 1962 – pouco antes da morte dele. Em 30 de março de 1968, a refinaria foi inaugurada, no que na época era considerada zona rural. Hoje, tudo faz parte da área metropolitana de Belo Horizonte.

Ao redor da refinaria nasceram bairros como Petrolina, Petrovale, Cascata e Ouro Negro. Em 1982, grandes obras de ampliação aumentaram em mais de 100% a capacidade de processamento da unidade. Em 1994, a Regap foi a segunda refinaria da Petrobras a ter instalada uma unidade de coque.

5 – Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR)

Localização:  Araucária (PR)

Área: 10 km²

Principais produtos: diesel, gasolina, GLP, coque verde de petróleo, asfalto, óleos combustíveis, QAV, propeno, bunker e diesel marítimo.

Carga autorizada: 213,9 mil bpd

Resumo histórico: A refinaria começou a ser construída em 1973 e entrou em operação no dia 27 de maio de 1977. Já no final da década de 70, a unidade processava 24 mil metros cúbicos de petróleo por dia. Na década de 80, a refinaria amplia suas áreas verdes e instala estações de medição da qualidade do ar, marcando a consciência ambiental que até hoje norteia suas ações. Responsável por cerca de 12% da produção nacional de derivados de petróleo, a Repar destina 85% de seus produtos aos estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, além da região sul de São Paulo. Os demais 15% completam o abastecimento de outras regiões ou são exportados.

6 – Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP)

Localização: Canoas (RS)

Área: 5,8 km²

Carga autorizada: 220,1 mil bpd

Principais produtos: diesel, gasolina, GLP, óleo combustível, QAV, asfalto, coque verde de petróleo, enxofre e propeno.

Resumo histórico: Caçula das empresas do sistema Petrobras, a Alberto Pasqualini – Refap S/A foi constituída em janeiro de 2001 como parte da troca de ativos entre a Petrobras e a Repsol-YPF. Ela opera a refinaria que iniciou sua produção em 16 de setembro de 1968 e cujo nome homenageia o senador gaúcho Alberto Pasqualini (1901-1960), relator do projeto de criação da Petrobras, em 1953. A refinaria está instalada nas terras da antiga Fazenda Brigadeira e preserva a casa-sede, uma construção do início do século XX.

7 – Refinaria Isaac Sabbá (REMAN)

Localização: Manaus (AM)

Área: 1,1 km²

Carga autorizada: 45,9 mil bpd

Principais produtos: GLP, nafta petroquímica, gasolina, QAV, diesel, óleos combustíveis, óleo para geração de energia e asfalto.

Resumo histórico: Com o nome de Companhia de Petróleo da Amazônia, a refinaria foi instalada às margens do Rio Negro, em Manaus, pelo empresário Isaac Benaion Sabbá e iniciou suas operações em 6 de setembro de 1956 – quando toda a região ainda sentia os efeitos da decadência da borracha.

A inauguração oficial ocorreu em 3 de janeiro de 1957, com a presença do presidente Juscelino Kubitschek.

Em 1971, a Petrobras assumiu o controle acionário da companhia, que passou a se chamar Refinaria de Manaus (Reman). Em homenagem ao pioneirismo de seu fundador, em 1997 a Petrobras rebatizou-a como Refinaria Isaac Sabbá – UN-Reman.

8 – Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (LUBNOR)

Localização: Fortaleza (CE)

Área: 0,3 km2

Carga autorizada: 10,4 mil bpd

Principais produtos: asfaltos e óleos lubrificantes básicos naftênicos de uso industrial.

Resumo histórico: A Petrobras, diante do contexto favorável de expansão socioeconômica do Estado, decidiu, na década de 60, investir na implantação de uma fábrica de asfalto no Ceará.

Em 24 de junho de 1966, foi inaugurada a Fábrica de Asfalto de Fortaleza. Ao longo dos anos, o parque industrial da Lubnor passou por várias ampliações e instalação de novas unidades, alcançando uma expressiva diversificação de produtos de maior valor agregado.