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Atraídas por excelentes reservatórios de baixo custo para exploração, companhias disputam o setor de O&G brasileiro

A anglo-holandesa Shell, a norte-americana Exxon Mobil, a britânica BP, a chinesa CNOOC e a colombiana Ecopetrol integram grupo de operadoras internacionais que chegou para ficar no Brasil. Em setembro de 2018 elas foram vitoriosas na 5ª rodada de licitação de áreas de petróleo e gás no pré-sal.

Apenas nessa rodada, as empresas ajudaram o governo brasileiro a arrecadar R$ 6,8 bilhões em bônus de assinatura.

O avanço das operadoras internacionais na licitação já era esperado, uma vez que a Petrobras registrou participação menor por ter grandes áreas a serem desenvolvidas na camada.

“Isso [a vitória das estrangeiras] mostra que país não está mais na dependência de apenas uma empresa [a Petrobras]”, disse, na oportunidade, Décio Oddone, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A frase de Oddone atesta uma realidade que não tem volta.

A exclusividade de produção pela Petrobras ficou no passado. A operação do pré-sal sob regime de partilha (no qual o Estado é dono do óleo produzido), por exemplo, hoje tem seis operadoras: Petrobras, BP, Shell, Exxon, a francesa Total e a norueguesa Equinor. 

Motivos do otimismo

Outras operadoras internacionais também aumentaram sua exposição na área de O&G do Brasil.

Mas por que tanto otimismo diante um cenário internacional de inseguranças no mercado de petróleo?

Há vários motivos, mas um deles é certeiro: o Brasil está aberto a orçamentos para exploração e acesso a novas áreas, ao contrário da restrição globalmente imposta.

Outro bom motivo é a oferta de excelentes reservatórios de baixo custo para exploração.

Atualmente a produção nos projetos do pré-sal é de 1 milhão de barris diários. Estimativas, no entanto, indicam que recursos ainda não encontrados na camada equivalem a 18 bilhões de barris.

E é de olho nesse ‘mar’ de óleo que as operadoras internacionais fincam cada vez mais os pés no Brasil.

“Consumimos hoje próximo de 36 bilhões de barris de petróleo por ano e, até 2040, deveremos consumir perto de 800 bilhões de barris”, destaca Marcelo Gauto, especialista em petróleo, gás e energia.

Os 800 bilhões de barris serão necessários, segundo ele, mesmo considerando a transição energética e o aumento no uso de fontes alternativas. O montante projetado equivale a todas as reservas do Oriente Médio e o Brasil tem sólidas condições de participar ativamente desse mercado mundial.