Foto: Banco de imagens

O mercado de P&G começou a primeira semana de junho em ritmo acelerado. As expectativas, que são positivas, giram em torno da possibilidade de a Petrobras e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) assinarem, ainda nesse mês, acordo para a venda de refinarias da estatal.

A notícia foi publicada pelo colunista Lauro Jardim, do “O Globo”, e fez a semana começar positiva para o mercado.

Apenas na segunda-feira (03/06), as ações da Petrobras na B3 registravam alta de 2,93%. Esse avanço foi confirmado na primeira metade do pregão, com tendência de crescer mais até no fim do dia.

Oportunidade

A notícia da venda de refinarias foi divulgada em maio último por este “Energia Que Fala Com Você”. Na oportunidade, a diretoria da empresa confirmava a disposição de entregar para a iniciativa privada oito de suas refinarias.

O acordo em vias de ser oficializado com o Cade amplia o leque. Conforme divulgado, a estatal agora poderá vender suas refinarias e não apenas as oito anteriormente disponibilizadas.

A mudança, agora, é que a Petrobras ficará com 50% do controle das unidades.

A feira Brazil Offshore, que será realizada entre os dias 25 a 28 desse mês em Macaé (RJ), será palco de discussões sobre o assunto. Com ou sem a oficialização do acordo até o dia 25, a venda das refinarias entra na pauta de avaliações de toda a cadeia do setor de P&G.

“Diversificação é saudável para o mercado”

Milena Mansur, da Abicom: “venda de refinarias é positiva”

“Toda diversificação na oferta de combustíveis é saudável para o mercado porque, do ponto de vista do consumidor final, um mercado com dois agentes já é mais competitivo do que o mercado com um agente”, afirma Milena Mansur, consultora de inteligência de mercado da Associação Brasileira dos Importadores de Combustível (Abicom).

Em entrevista para o “Energia que Fala com Você”, Milena destaca outros pontos-de-vista sobre o assunto. Confira a seguir.

Concentração de refinarias: “Do modo que está concentrada hoje a atividade de fornecimento primário na Petrobras, é muito difícil o País poder atrair investimentos.”

Preço baixo não atrai: “Experiências anteriores, em que os preços domésticos ficaram muito abaixo dos do mercado internacional, nos mostraram como essa artificialidade pode gerar outros problemas.”

Venda é positiva: “Considerando a desconcentração do mercado e a possibilidade de autonomia para que o País seja inserido no mercado global de commodities, a venda é em princípio positiva.”

Competição: “Quanto mais competição, maior a pressão nos preços, melhor para quem irá adquirir os produtos.”

Déficit estrutural: “O agravante, no caso brasileiro, é que existe um déficit estrutural e mesmo que se venda as refinarias continuaremos, pelo menos no horizonte dos próximos 10 anos, sem capacidade de refino para atender a demanda, com a dependência de importações.”

Fluxos: “Desse modo, é saudável cultivar a competição proporcionada pelos canais de importação por fluxos diferenciais, a exemplo de produto importado internalizado por São Luís (Maranhão), que descia de ferrovia e chegava mais competitivo ao Centro-Oeste.”