Etanol de milho supera o de cana em crescimento percentual

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Grãos de milho em diferentes recipientes

A produção de etanol de milho deve registrar salto na comparação com o biocombustível feito de cana-de-açúcar.

As unidades produtoras de etanol a partir do cereal preveem chegar a 1,2 bilhão de litros. O montante significa uma alta de 66% ante a produção anterior, que ficou em 791,4 milhões de litros.

Os números são de levantamentos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), compilados pelo ‘Energia Que Fala Com Você”.

Os dados representam a produção do ano-safra tradicional do setor sucroenergético, que vai de abril de um ano ao mesmo mês do ano seguinte.

O avanço surpreendente da fabricação de biocombustível de milho é em termos percentuais, uma vez que em volumes a produção a partir da cana-de-açúcar segue à frente.

As últimas previsões de consultorias especializadas dão conta de que as unidades da região Centro-Sul do país chegarão a pouco mais de 29 bilhões de litros na safra em andamento.

O Centro-Sul concentra a maioria da produção sucroenergética.

Novas unidades

O avanço do etanol de milho veio para ficar. Ancoradas na oferta abastada em grandes estados produtores do cereal, as empresas produtoras seguem com empreendimentos novos principalmente em Mato Grosso e em Goiás.

Entre este mês de julho e agosto próximo, a paraguaia Inpasa inaugura unidade produtora em Sinop, município do Mato Grosso. A fabricação, segundo a empresa, será de 460 milhões de litros por ano em uma moagem de 1 milhão de toneladas de milho.

Com 280 empregos diretos e cerca de 1,5 mil indiretos, a nova unidade tem garantia de matéria-prima, uma vez que o Mato Grosso sozinho gera 30% de todo o milho ofertado no País.

Apenas na segunda safra, a safrinha, cultivada entre janeiro a março, o estado deverá ofertar 30 milhões de toneladas, segundo estimativa do fim de junho da Conab, do Ministério da Agricultura. O volume representa 43% das 70,1 milhões de toneladas a serem ofertadas por todo o país.

Em meio a esse cenário de investimentos, a Inpasa, juntamente com a brasileira O+ Participações, deverão iniciar nesse semestre a implantação da unidade produtora Ethanol Bioenergia, no município de Nova Mutum, também no Mato Grosso.

Com previsão de entrar em funcionamento no fim de 2020, a planta deverá fabricar 800 milhões de litros de biocombustível por ano.

O Mato Grosso deverá sediar outras plantas de biocombustível do cereal, cujos projetos somam investimentos de R$ 5 bilhões.

Goiás também entra na rota do etanol de milho.

A Cerradinho Bio, grande produtora de biocombustível de cana-de-açúcar, deverá inaugurar no próximo ano sua planta anexa de milho no município de Chapadão do Céu.

Os valiosos DDGs

O etanol de milho compete com o de cana-de-açúcar também em produção contínua, porque as unidades tradicionais precisam parar no período chamado entressafra, entre janeiro a março, para readequações industriais. Já as de milho conseguem produzir nos 12 meses do ano.

Mas o etanol não é a única destinação das unidades produtoras. O processamento do cereal deixa um subproduto valioso denominado Dried Distillers Grains (DDGs), ou Grãos Secos de Destilaria ou Grãos de Destilaria.

Eles são empregados na alimentação animal em substituição parcial do milho. E, apesar de relativamente novo no mercado brasileiro, o DDG já está presente nos confinamentos norte-americanos há mais de 25 anos.

Os preços dos DDGs são um atrativo a parte para as unidades produtoras. Em 2018, a tonelada média foi comercializada por R$ 500.

O valor indica um caixa a mais para a empresa produtora, uma vez que o 1,2 bilhão de litros previstos para este ano podem gerar 600 mil toneladas de DDGs. Em termos financeiros, são R$ 300 milhões extras possíveis nos caixas das unidades, levando em conta o valor médio da tonelada em 2018.

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