Foto: Entrada da FIEE Smart Future e FIEE Smart Energy no São Paulo Expo | Divulgação

Por Renan Joel*

O que nos une, afinal? Em um mundo cada vez mais conectado, a primeira resposta pode ser direcionada à Internet. De fato, nunca estivemos tão on-line quanto hoje em dia. Outros, no entanto, deverão se lembrar da inovação tecnológica de um modo mais geral, com Nuvens e Dados criando formas práticas para reduzirmos as distâncias e tornar tudo mais rápido e disponível. Essas são, realmente, questões fundamentais hoje em dia. Ainda assim, uma coisa é certa: para todos esses avanços do mundo moderno, a área de energia sempre será fundamental.

Pesquisas apontam que o consumo de eletricidade deverá dobrar até 2050 em todo o planeta. Esse crescimento será impulsionado pela expansão de conceitos como Indústria 4.0, carros autônomos, Internet das Coisas e Big Data, que farão com que nossas casas, trânsito, centros de dados e fábricas precisem de cada vez mais energia.

A verdade é que neste último século a energia se tornou central para a evolução do mundo. Por outro lado, também é fato que a capacidade energética da Terra não cresce na mesma medida que o avanço tecnológico e econômico que colocamos em prática. Por isso mesmo, a transformação que estamos vendo de maneira contínua exigirá de todos nós uma nova postura, com soluções e ideias inovadoras para resolver um desafio que se aproxima na mesma velocidade que a Internet nos conecta.

Nesse cenário, certamente o Brasil está em uma situação privilegiada: temos grande potencial para diversificar nossa matriz energética, com diferentes opções para caminharmos rumo a um cenário mais eficiente e sustentável, gerando soluções mais limpas e economicamente viáveis. Ainda assim, é bom nos lembrarmos de que, apesar desse lado positivo, precisamos acelerar essas discussões por aqui: pesquisas indicam que a curva de expansão nacional em relação ao consumo energético será ainda maior do que em outros lugares do planeta, levando nosso País a aumentar em quase 90% o volume de energia utilizada já nos próximos 10 anos. Ou seja, não podemos deixar para falar sobre energia no futuro.

Para tanto, algo fundamental é disseminar a urgência deste tema entre todos os campos da sociedade. Cobrar políticas públicas mais adequadas, ajudar os consumidores a entenderem seus papeis nesse mercado e auxiliar as indústrias e organizações a também modernizarem suas estratégias e estruturas internas são algumas das questões que temos de resolver de forma contínua.

Isso exige uma maior integração, aproximando as pessoas desse tema vital para o avanço de qualquer área de nossa sociedade. É preciso debater os tópicos e apresentar novidades, estimulando a evolução real do setor de energia – e o modo como a utilizamos. A hora exige que lancemos luz a este assunto, fazendo com que a energia assuma seu protagonismo e importância nas decisões corporativas, governamentais e sociais.

Este é um dos objetivos e questões que levaram à evolução da FIEE, que se transformou em dois eventos distintos: a FIEE Smart Future, dedicada às Indústrias de Elétrica, Eletrônica, Automação, Conectividade e Energia, e a FIEE Smart Energy, voltada para toda a cadeia de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia. Juntas, elas oferecem conteúdo especializado e complementar, com dicas e novidades fundamentais para o desenvolvimento efetivo do Brasil como um todo.

Mesmo a FIEE sendo uma marca de mais de 60 anos, acreditamos que a evolução é necessária para integrar as pessoas e gerar mais praticidade às discussões. Ao ampliarmos e segmentarmos a feira, unimos ideias e soluções, transformando os encontros em oportunidades práticas para a geração de negócios. Afinal, o desafio que está posto à mesa não é simplesmente propor novidades, mas também contribuir para que inovações e serviços mais rentáveis possam ganhar espaço. Hoje, quase 40% da energia entregue às fábricas é desperdiçada e podemos mudar esse contexto ao apresentar aos líderes e especialistas as opções mais modernas e eficientes existentes no mundo.

Assim como as empresas entendem que a tecnologia está em constante transformação, é necessário divulgar as mudanças e novidades do setor energético. Já temos condições suficientes para aproveitar melhor as fontes eólicas e solares, sobretudo em um país como o Brasil, com amplo potencial de geração. Sem falar nas ofertas de Comércio Livre de Energia e de inteligência para a gestão de consumo. Se ainda utilizamos pouco essas novidades, portanto, é necessário expandir o diálogo e a aplicação desses modelos na prática.

A transformação da FIEE simboliza esse mercado em evolução contínua. Mais do que um evento, somos uma feira de negócios e de inovação, que tem como grande diferencial reunir as cadeias produtiva e energética em um só local. O futuro está cada vez mais próximo e é preciso força para transformar o mundo em um lugar melhor, muito mais sustentável, eficiente e produtivo.

*Renan Joel é Diretor do Portfólio de Energia e Indústria da Reed Exhibitions Alcantara Machado, organizadora e promotora da FIEE Smart Energy