Empresas se preparam para investir em plantas de biodiesel

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Delcy Mac Cruz

A indústria de biodiesel se prepara para investir em ganhos de produção.

Até março de 2023, a mistura do biocombustível ao óleo diesel alcançará 15%, contra 11% atuais.

O aumento ocorrerá por conta de cronograma do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), colegiado de técnicos do governo e da sociedade civil.

No último dia 05 de agosto, o Ministério de Minas e Energia (MME) autorizou a entrada do B11, que representa 11% de biodiesel ao diesel.

Apenas esse reajuste, de 1% sobre os 10% vigentes, deverá resultar em uma produção de 6 bilhões de litros em 2019, uma vez que o B11 deve vigorar a partir deste mês de setembro.

Em 2018, as unidades produtoras ofertaram 5,4 bilhões de litros.

A entrada do B11, por sua vez, será suprida pelas unidades, que operam com ociosidades industrial.

Em levantamento de 2017, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do MME, informa que as unidades têm capacidade instalada para produzir 7,4 bilhões de litros por ano.

Aportes

Mas a próxima alta de mistura do biocombustível, de B15 em março de 2023, exigirá investimentos.

Estimativa da União Brasileira do Biodiesel e do Bioquerosene (Ubrabio) aponta para a necessidade de 12 novas unidades produtoras para dar conta do B15.

Com a entrada de 15% de adição do biocombustível, a entidade prevê a necessidade de 170 milhões de litros adicionais por ano a partir de 2023.

Essa oferta extra exigirá, por sua vez, 12 novas plantas produtoras.

Para tanto, a Ubrabio avalia investimentos da ordem de R$ 1,2 bilhão.

RenovaBio

Esses aportes estão focados no B15, mas também na demanda crescente de biodiesel por conta da Política Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio.

Previsto para entrar em vigor no fim de dezembro próximo, o programa incentiva os biocombustíveis nos transportes, já que reduzem a de emissão de gases de efeito na comparação com combustíveis fósseis.

Segundo previsão da EPE, a oferta de biodiesel deverá dobrar em 2030 e chegar a 15 bilhões de litros anuais. Esse volume será necessário para atender à já projetada adição de 20% de biodiesel ao diesel.

Foto: Agência Brasil

JBS anuncia terceira planta produtora

O Grupo JBS, que já produz biodiesel em duas unidades, anunciou investimentos em nova fábrica.

Segundo a empresa, por meio da coligada Seara Alimentos serão investidos R$ 180 milhões na construção e operação de uma planta de biodiesel no município de Mafra, em Santa Catarina.

O anúncio da nova planta, a ser operada pela JBS Biodiesel, foi feito no fim de julho e, com ela, a empresa mais que dobrará a sua capacidade produtiva, devendo ultrapassar 600 milhões de litros por ano.

A fábrica em Mafra deverá iniciar as operações no primeiro semestre de 2021, com a geração de 100 postos de trabalho diretos e 300 indiretos.

Atualmente, a JBS opera plantas em Lins (SP) e em Campo Verde (MT).

Menos 70 milhões de toneladas de CO2

Além de ser importante para a segurança energética, ao reduzir as importações de diesel, o combustível renovável desempenha um papel fundamental na manutenção de vida no planeta, ao retirar toneladas de carbono da atmosfera.

Desde o início do programa de biodiesel no Brasil em 2005 (que era voluntário) até maio deste ano, com o B10 obrigatório, o biodiesel já ajudou o Brasil a diminuir em mais de 70 milhões de toneladas as emissões de CO2. Este potencial de contribuir com a redução de gases causadores do efeito estufa foi reconhecido pelo governo brasileiro no documento que traça as estratégias para cumprir as metas do Acordo de Paris, que por sua vez deu origem ao RenovaBio.