Em ritmo acelerado, safra de cana deve terminar antes no Centro-Sul

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Foto: Odebrecht Divulgação

Delcy Mac Cruz

A safra de cana-de-açúcar 2019/20 segue em ritmo acelerado na região Centro-Sul, responsável por 85% da produção de etanol e de açúcar do país.

Prejudicada pelas chuvas de começo de abril, que serviram para atrasar o processamento em até 40 dias, a temporada celebra atualmente a rapidez na colheita.

Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), desde o começo do ciclo e até a primeira quinzena de agosto as unidades do Centro-Sul tinham consumido 350,308 milhões de toneladas de cana.

Para se ter ideia, esse montante equivale a 60% da expectativa de moagem de 580 milhões de toneladas para toda a temporada, conforme a média das projeções.

Em temos numéricos, significa que as unidades do Centro-Sul terão 230 milhões de toneladas de cana para moer entre este setembro e abril de 2020, quando oficialmente o ciclo será concluído.

Em média, as usinas têm processado 80 milhões de toneladas por mês. E a oferta restante de 230 milhões dará, assim, para no máximo três meses.

“Diante a oferta de cana, já é possível avaliar que a safra no Centro-Sul deverá terminar em novembro”, estima profissional da área agrícola de grande unidade do interior paulista.

Qualidade da cana

Enquanto as usinas aceleram a moagem, o setor computa resultados que surpreendem positivamente ante as previsões iniciais da safra.

Entre essas estimativas está a qualidade da planta, conhecida pelo indicador Açúcar Total Recuperável (ATR). É ele quem define a produtividade: quanto maior, mais produção de etanol ou de açúcar.

Entidades e consultorias previam ATR semelhante à média registrada no ciclo anterior, que ficou em 136,23 quilos por tonelada de cana.

No acumulado até a primeira quinzena de agosto, a média de ATR ficou bem mais baixa: 130,89 quilos.

Historicamente, no entanto, os ganhos desse indicador avançam a partir do segundo semestre, quando a maioria da cana disponível obtém maturidade para a moagem.

Seguindo esse raciocínio, isoladamente na primeira quinzena de agosto a média de ATR alcançou 146,23 quilos, segundo UNICA.

Foco no açúcar

Diante um ATR em alta, as usinas tendem a acelerar ainda mais a moagem para garantir produção maior.

Como previsto, a safra 19/20 está alcooleira. Ou seja, da cana que entra na indústria 64% vão para fazer etanol, enquanto o restante (36%) segue para fabricação de açúcar.

A guinada para o etanol deverá manter-se, até porque, ao contrário do açúcar, a comercialização do biocombustível gera liquidez financeira para as unidades.

Mas o adoçante remunera bem mais que o etanol.

Sendo assim, analistas ouvidos pelo “Energia Que Fala Com Você” indicam que muitas unidades tendem a ampliar a produção de açúcar conforme o desempenho da safra mundial.

Essa tendência depende muito do ritmo produtivo das usinas da Índia, segundo principal produtor depois do Brasil.

Lá, a safra 19/20 começa oficialmente em setembro e, se a produção ficar abaixo das estimativas, os preços internacionais podem subir. E se tornarem interessantes para as usinas brasileiras.

Sendo assim, mesmo que seja na reta final a produção de açúcar poderá avançar nas unidades do Centro-Sul. Entretanto, caso essa guinada ocorra não significa riscos para a oferta de etanol.

A garantia de biocombustível para o mercado, explicam analistas, é confirmada pela própria produção.

Na média, as unidades do Centro-Sul têm feito por mês 2 bilhões de litros de hidratado (para veículos flex). Já o consumo mensal médio tem ficado em 850 milhões, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).