Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA) Crédito: Agência Petrobras

Delcy Mac Cruz

Os investimentos em exploração terrestre (onshore) de petróleo e gás tendem a disparar no curto prazo.

As expectativas são bem otimistas. Dos atuais R$ 1,6 bilhão investidos por ano, o setor deve receber aportes anuais R$ 4 bilhões já a partir de 2020.

Esse salto deve ocorrer por conta do leilão de oferta permanente, programado para 10 de setembro próximo.

Na oportunidade, serão oferecidas 263 áreas em terra para exploração e produção em sete estados do Nordeste – Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, além do norte do Espírito Santo.

Responsável pelo leilão, o Ministério de Minas e Energia (MME) destaca interesse do mercado pelas áreas a serem ofertadas.

Entretanto, a exploração onshore nessas localidades atrairá grandes empresas, mas também as pequenas e médias.

De olho nessas pequenas e médias, o MME lançou em 22 de agosto deste 2019 o Programa de Revitalização da Atividade de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural em Áreas Terrestres, o Reate 2020.

Estímulo

Entre outras ações, o programa prevê estímulo à criação de empresas nacionais para dar conta desse grande mercado que surge com o leilão de setembro.

O Reate 2020 também foca a geração de empresas de base tecnológica (startups) e a atração de investimentos estrangeiros.

Os estímulos tendem a ser imediatos.

A produção onshore de gás natural, por exemplo, demandará muitos aportes. “Sairemos de um nível de produção de gás natural em terra de 25 milhões de metros cúbicos por dia para mais de 50 milhões”, projetou o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, segundo a Agência Brasil.

“Dessa forma, até 2030, o onshore receberá R$ 40 bilhões em novos investimentos”, acrescentou.

Estimativas do MME indicam que a produção terrestre de gás natural irá crescer mais rápida em comparação a de petróleo.

Mesmo assim, a produção de óleo no mínimo dobrará até 2030, saindo do patamar de 270 mil barris diários de óleo equivalente para 500 mil barris diários.

Próximos passos

O Reate 2020 complementa os avanços alcançados pela versão anterior do programa e, segundo destaca o MME, abre importantes perspectivas com potencial de produção de óleo e gás em pelo menos 14 estados, de Norte ao Sul do país.

Os próximos passos de implantação do Reate 2020 integram, por exemplo, a construção e consolidação de um Plano de Ação Integrado do programa.

Esse plano, conforme o Ministério, deverá ser encaminhado em dezembro próximo ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), colegiado técnico responsável pela aprovação de diretrizes de energia.

O MME também ficou de publicar nas próximas semanas a atualização da Portaria do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura, o REIDI.

Esse Regime estabelece procedimentos para aprovação de projetos nas áreas de petróleo, gás natural e combustíveis, a exemplo de dutovias e infraestruturas de processamento de gás natural.

As opiniões dos profissionais

Energia Que Fala Com Você” entrevistou profissionais do mercado de P&G sobre a nova versão do Reate.

Confira as opiniões de dois deles:

“Redescobrimento do potencial onshore brasileiro”

“O Programa de Revitalização de Áreas Terrestres marca, como nas palavras do geólogo Fernando Taboada, o redescobrimento do potencial onshore brasileiro.

Tal programa, que começou a ser planejado em 2016-17, tem seu ápice marcado para ocorrer em 2020, o ano da virada.

No entanto, o Programa já vem tendo reflexos evidentes que, em conjunto com a decisão corporativa da Petrobras de vender boa parte dos campos onshore, tem ajudado a atrair novos operadores médios e pequenos para estas áreas, em sua maioria localizados em regiões carentes do Brasil como Norte e Nordeste.

Cheio de ações endereçadas a órgãos governamentais e também às entidades que representam a indústria, o Reate 2020 buscará sanar dores do setor ainda não tratadas, e reforçar as políticas criadas nos últimos 2 anos, como a de benefícios para campos maduros, financiamento baseado em reservas (RBL), política de cessão de campos, oferta permanente e etc.

O Reate 2020 é um marco pois mostra que o país não está preocupado somente com o desenvolvimento de plays mundiais, mas que também quer destravar atividades que interessam pequenas e médias empresas no onshore e águas rasas”

Natan Battisti, Engenheiro de Operações Jr. na Premier Oil.

“Essencial para o país”

“O Reate é essencial para o país, pois oportuniza a atração de novos investimentos, geração de emprego e renda em vários municípios, especialmente na região Nordeste.

Quem sabe, como bônus, a gente não consiga, inclusive, fomentar a instalação de pequenas unidades de refino nas proximidades desses campos onshore.”

Marcelo Gauto, químico industrial, técnico em operações na Petrobras e especialista em Petróleo, Gás e Energia.