A indústria de petróleo no Brasil entra em fase de consolidação que começou em 2019 e entra para valer em 2020.

Marcado por décadas pelo monopólio, o setor de petróleo e de gás (P&G) registrou êxito em eventos como a 16ª Rodada de Licitações de Blocos Exploratórios.

Realizada em outubro, ela teve 12 blocos arrematados em montante arrecadado de R$ 8,9 bilhões e ágio médio de 390%. Os investimentos previstos superam R$ 1,5 bilhão.

A consolidação do setor deve ganhar impulso peso-pesado nos primeiros dias de novembro.

O período será marcado por dois dos mais aguardados eventos do setor.

No dia 6, está agendada a Rodada de Licitações do Excedente da Cessão Onerosa, também chamada de megaleilão do pré-sal.

Esse megaleilão pode arrecadar mais de R$ 106 bilhões em bônus de assinatura e vai oferecer áreas sem risco exploratório, isto é, locais onde a presença de petróleo e gás é garantida.

Um dia depois, no dia 7, será vez da 6ª Rodada de Licitações de Partilha da Produção do pré-sal.

Nessa oportunidade, serão ofertados cinco blocos nas Bacias de Campos e Santos: Aram, Bumerangue, Cruzeiro do Sul, Sudoeste de Sagitário e Norte de Brava.

O bônus de assinatura pode superar R$ 7 bilhões.

Desafios

Décio Oddone, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), destaca que a indústria entra em consolidação com a série de leilões deste ano e a saída gradativa da Petrobras da área de refino.

Em entrevista divulgada pela Agência Brasil, Oddone reconhece que a questão do Upstream [exploração e produção] está encaminhada, mas que a regulamentação do setor de gás natural e do Downstream

são um desafio para a ANP.

Os desafios fazem parte do jogo. No momento, as expectativas se voltam para os leilões dos próximos dias.

A Petrobras deverá participar da oferta pública das áreas da cessão onerosa. E tudo indica que ofertará tanto em Búzios como em Itapu. Apenas Búzios representa mais de 60% de toda a cessão.

“Com isso, a gente já sabe que cerca de R$ 70 bilhões de bônus de assinatura vão ser arrecadados, nas áreas que a Petrobras já exerceu o direito de preferência”, afirma Oddone.

Em acordo firmado em 2010 com o Governo, a Petrobras tem direito de extrair até cinco bilhões de barris de petróleo equivalente dessas áreas, que fazem parte do Polígono do Pré-Sal.

Entretanto, como foram descobertos volumes superiores a esse limite, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou a ANP a licitar esse excedente em regime de partilha.

Vem aí o “espelho pré-sal”

Os leilões não param em 2019.

O ministro de Minas e Energia (MME), Bento Albuquerque, anunciou em 29/10 que, com base nas negociações do governo brasileiro com as Nações Unidas (ONU), o CNPE autorizou a ANP a incluir blocos exploratórios a partir de 2020.

São blocos para além dos limites das 200 milhas náuticas, em região já trada por “espelho pré-sal.”

Essa denominação reflete estudos geológicos realizados pela ANP que apontam para um grande potencial de reservas de petróleo na região.

O Ministério anuncia que até 2022 realizará uma série de licitações petrolíferas. 

“Com essas rodadas, buscamos alcançar a meta de posicionar o Brasil entre os cinco maiores produtores de petróleo do mundo”, disse Bento Albuquerque em relato para a imprensa.

Essas rodadas, emendou, constituem janela única de oportunidades para o desenvolvimento do potencial petrolífero brasileiro. Isso considerando que os recursos possuem valor ao longo do tempo.

“Os esforços tecnológicos para a exploração em águas profundas já realizada, e as que estão por vir, ajudarão o Brasil a valorizar as nossas reservas”, diz ele no relato.

Até 2030, a expectativa é atingir 5,4 milhões de barris de óleo por dia e duplicar a produção de gás natural, para além de 260 milhões de metros cúbicos por dia.