Em obras, Projeto Rota 3 foca o escoamento do gás da Bacia de Santos

Delcy Mac Cruz

As estimativas de ganhos de produção de gás natural esbanjam vitalidade.

De atuais 59 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), a oferta líquida de gás no País saltará para 147 milhões de m³/d nas bacias de Campos, Santos e Sergipe-Alagoas, as duas primeiras na região do pré-sal.

Os dados são da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia (MME), e destacam o otimismo em termos de ganhos produtivos.

Entretanto, de nada adianta triplicar a produção de gás natural se não houver escoamento.

É aí que entra o Projeto Integrado Rota 3, da Petrobras, que representa um salto nos investimentos em infraestrutura.

Ele irá disponibilizar a terceira rota de escoamento para o gás natural do pré-sal.

É composto por duas estruturas.

A primeira é a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN), com capacidade para processar até 21 milhões de metros cúbicos (m³) por dia.

O custo de implantação dessa Unidade é estimado em R$ 2,3 bilhões, segundo a EPE.

A construção da Unidade cabe a Petrobras e a Kerui-Método.

A segunda das estruturas do Rota 3 contempla a construção de um gasoduto de aproximados 355 km de extensão total.

Deles, 307 km são de trecho marítimo – já construído – e 48 km de trecho terrestre, que está em construção.

A construção da fase terrestre é de responsabilidade do Grupo GTR3.

O gasoduto escoará o gás natural do Polo Pré-Sal da Bacia de Santos até a UPGN, em Itaboraí (RJ).

Prontos em 2021

Tanto a UPGN quanto o gasoduto estão previstos para ficarem prontos em 2021, embora haja previsões de que estejam concluídos ainda em 2020.

O objetivo é que funcionem integrados. 

O gás será focado para gerar energia e, também, como matéria-prima a ser utilizada em veículos e em indústrias.

O combustível contribuirá também para reduzir a necessidade de importação de gás natural.

Assim como irá viabilizar o aumento da produção de óleo do pré-sal, uma vez que a implementação do Projeto Integrado Rota 3, permitirá o aumento do processamento de gás associado ao petróleo produzido na região.

Rota 3 aquece o mercado de trabalho

O Projeto Integrado Rota 3 turbina também o mercado de trabalho. Em recente comunicado, a Petrobras destaca que em agosto 5 mil profissionais trabalhavam nas obras em Itaboraí, e quase todos são provenientes dos municípios do entorno.

Para o segundo semestre de 2020, quando o projeto alcançará o pico de contratação, a previsão é de que 7,5 mil profissionais sejam recrutados pelas empresas responsáveis pela construção e montagem do projeto.

Mesmo com a crise, investimentos foram mantidos

A crise vivenciada pela Petrobras em 2016 poupou o Rota 3.

Em reunião realizada em 22 de julho daquele ano, o Conselho de Administração (CA) da empresa reavaliou o projeto do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí.

Na ocasião, o CA cancelou os projetos da Refinaria Trem 2 e da Unidade de Lubrificantes.

Mas permitiu a continuidade das atividades de implantação das unidades do Complexo associadas à Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN).

A UPGN integra o Projeto Integrado Rota 3.

Juntos, esses projetos completam a infraestrutura de escoamento e processamento de gás natural do polo pré-Sal da Bacia de Santos.

Projeto garante escoamento

O Projeto Integrado Rota 3 é celebrado por técnicos e executivos da área de Petróleo e Gás.

“Precisamos do Rota 3, entre outros projetos, para fazer o gás chegar na rede”, destaca Marcelo Gauto, especialista em Petróleo, Gás e Energia. “Sem novos investimentos em infraestrutura de escoamento, esse gás ficará nas profundezas do pré-sal.”

Felix, conselheiro da PPSA
Crédito: Divulgação

“Todas as rotas planejadas são importantes e bem-vindas para o desenvolvimento do Brasil”, afirma Márcio Felix Bezerra, conselheiro da Pré-Sal Petróleo (PPSA), empresa do Ministério de Minas e Energia (MME). “Gás é fundamental.”