Indicador de venda de energia tende a valorizar até 70% em 2020

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Delcy Mac Cruz

O valor do indicador para a venda de energia elétrica tende a crescer em até 70% ao longo de 2020.

Denominado Preço da Liquidação de Diferenças (PLD), esse indicador pode alcançar R$ 436 pelo megawatt-hora (MWh), ante médios R$ 290 em dezembro de 2019.

O PLD é empregado para valorar contratos particulares de venda de energia elétrica. É utilizado, também, como indicador para liquidar diferenças entre o que foi gerado, gerado e produzido nesses contratos, cujo ambiente é chamado de mercado livre.

A previsão de alta do PLD é da CPFL Soluções, empresa do Grupo CPFL, apresentada em evento sobre mercado de energia realizado em novembro de 2019, na capital paulista, por entidades como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

A alta de até 70% do PLD em 2020, conforme as projeções da empresa, depende muito das condições hidrológicas nos reservatórios das hidrelétricas.

É que 80% da energia elétrica entregue ao Sistema Interligado Nacional (SIN) provêm das hidrelétricas e se houver registro satisfatório de chuvas nos reservatórios o preço do PLD cai.

Se ocorre o inverso, com menos chuvas, o valor do indicador dispara.

No caso da previsão de até R$ 436 o estudo leva em conta que as precipitações pluviométricas fiquem em até 70% da chamada Média de Longo Termo (MLT) no terceiro trimestre de 2020 em regiões como Sudeste e Centro-Oeste do país.

Mercado atento

A menor incidência de chuvas nos reservatórios ajuda a subir o valor do PLD e, ao mesmo tempo, gera recuo na oferta de eletricidade no Sistema Interligado Nacional (SIN).

No jargão técnico, essa disponibilização atende pelo nome de carga, que representa a soma do consumo com as perdas na rede elétrica.

Para este mês de dezembro de 2019, por exemplo, o Operador Nacional do Sistema (ONS) – que faz a gestão do SIN – projeta que a carga deverá fechar o mês em alta de 2,1% sobre mesmo período de 2018.

Essa previsão reduz a projeção anterior de alta de 2,4%.

Para 2020

O ONS, juntamente com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia (MME), apresentaram em dezembro suas projeções de carga para o período de 2020 a 2024.

Apenas em 2020, o estudo estima que a carga deverá aumentar 4,2% no SIN. A estimativa leva em conta que o PIB do Brasil crescerá 2,3% no próximo ano.

A previsão de aumento da carga, entretanto, precisará ser atendida pela oferta de eletricidade.

O próprio ONS relata que em 2019 a carga deverá totalizar 67,975 mil MW médios, quebra de 363 MW médios em relação à revisão da instituição feira em julho último.

Para 2020, o ONS prevê carga total de 70,864 mil MW médios, segundo estimativa divulgada no começo de dezembro.

Como garantir essa oferta?

Dependerá da produção de eletricidade ofertada no SIN. Há também a disponibilidade de energia no mercado livre.

Nesse ambiente, consumidores e fornecedores negociam entre si as condições de contratação de energia.

Fora os valores acertado, aqui também entra o PLD, que serve para quitar as diferenças entre o contratado e o produzido ou consumido.

Segundo a Abracell, que representa os comercializadores do setor, 80% da energia consumida pelas indústrias do País é adquirida no mercado livre de energia.

Em quanto deve valorizar o PLD em 2020

Fonte: CPFL Soluções

Térmicas à biomassa esperam por leilões de compra específicos

Fonte: Sistema FAEP

As possibilidades de o valor médio do PLD subir até 70% ao longo de 2020 ganham atenção de produtores de energia elétrica como as termelétricas movidas a biomassa de cana-de-açúcar.

Elas têm condições de atender demandas em um prazo médio de um ano e meio até que fiquem devidamente equipadas.

Mas o setor sucroenergético não tem registrado incentivos para investir em bioeletricidade, como é chamada a energia de biomassa no jargão técnico.

O desestímulo vem principalmente dos compradores oficiais, que são os leilões realizados pelo Governo Federal.

Esses eventos abrem oportunidades para a eletricidade de biomassa, mas ela concorre com outras fontes, cujos custos de geração ficam mais em conta.

O resultado é que a bioeletricidade fica para trás. Em 2019, por exemplo, as térmicas movidas a biomassa de cana comercializaram 77 megawatts médios (MWM) em leilões públicos.

O montante está bem abaixo da média anual de comercialização pelo setor, que é de 110 MWM, segundo Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da UNICA.

Em contrapartida, lideranças do setor têm feito gestões por leilões específicos para biomassa, mas 2020 começa sem que os pedidos sejam atendidos.

O primeiro leilão de compra de energia ‘nova’ (que exige investimentos) está marcado para maio próximo com as regras vigentes até então.