Estudo detalha porque os motores flex seguirão à frente dos híbridos e elétricos

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Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Delcy Mac Cruz

O avanço dos motores elétricos não representa risco aos automóveis abastecidos com gasolina e etanol, no chamado ciclo Otto. Pelo menos até 2030 a frota brasileira seguirá, em sua grande maioria, atendida pelos combustíveis convencionais.

“O perfil de vendas de automóveis será majoritariamente a combustão interna e flex fuel”, destaca a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia (MME), no estudoDemanda de Energia dos Veículos Leves: 2020-2030”, divulgado em dezembro último.  

Os flex fuel, segundo o trabalho, ampliarão sua participação. Respondiam por 76% da frota em 2018 e chegarão a 92% em 2030.

Já os veículos híbridos (não plug in, sem alimentação na rede elétrica) seguem ampliando sua participação no mercado. O estudo da EPE estima que eles alcançarão 4,2% dos licenciamentos daqui dez anos.

“Já a inserção dos híbridos plug in (alimentados em rede elétrica) e elétricos não terá significância estatística até 2030”, atesta a empresa do MME.

Obstáculos no caminho

Uma série de obstáculos impede a eletrificação da frota.

Países industrializados, segundo referências empregadas no trabalho da EPE, estariam aprisionados a sistemas de energia e transporte fundamentados em combustíveis fósseis, devido a processos de dependência de caminho fomentados por retornos tecnológicos e institucionais crescentes em escala.

“Desta forma, poderia existir barreiras significativas para uma transformação estrutural deste segmento”, relata.  

No caso brasileiro, a eletromobilidade (veículos elétricos puros, híbridos, veículos movidos a célula de hidrogênio e os alimentados por cabos externos) enfrenta outros desafios.

Entre eles estão o custo dos veículos (muito elevado para a realidade nacional), a infraestrutura de recarga (que requer investimentos elevados, arcabouço regulatório, precificação e especificação das instalações) e as baterias (que ainda demandam melhor desempenho e possuem elevados custos de matéria-prima).

Consenso

Em seu estudo, a EPE destaca, entretanto, investimentos crescentes de empresas do setor automotivo em veículos híbridos e elétricos.

“Muito embora exista um consenso de que o futuro da indústria automotiva será consideravelmente diferente do quadro atual, não está claro quando tal futuro chegará e, ainda, como esses novos paradigmas serão difundidos”, destaca o trabalho.

“As perguntas-chaves para a indústria automotiva e para o planejamento energético são: a transição será disruptiva e rápida ou será incremental e longa?”

Energia Que Fala Com Você destaca a seguir destaques do trabalho da EPE.

Frota de veículos leves
(2020-2030) Frota de veículos leves

Fonte: EPE

Os automóveis serão os veículos leves predominantes no licenciamento, embora haja uma crescente participação dos comerciais leves, incluindo SUVs.

 Participaçao na frota do ciclo Otto

Demanda global do ciclo Otto

Segundo a EPE, o Brasil registrará aumento da posse do veículo individual.

Essa tendência considera o aumento da renda per capita da população e da taxa de urbanização das cidades, associada ao baixo nível de motorização e a um transporte coletivo ainda deficiente.

Sendo assim, a frota de veículos leves, somada à de ônibus e caminhões, deverá corresponder, até 2030, a cerca de 60 milhões de veículos.

Como resultado, o nível de motorização evolui de 5,0 habitante/autoveículo em 2018 para 3,7 habitante/autoveículo em 2030 (ou 0,20 e 0,27 autoveículos/habitantes respectivamente), semelhante ao observado em países como Argentina, Chile e México em 2015.

Evolução da taxa de motorização