Leilões de compra de eletricidade geram oportunidades para fornecedores de bens e serviços

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Delcy Mac Cruz

Os leilões públicos de compra de energia elétrica abrem oportunidades de negócios para fornecedores de bens e serviços.

Os vencedores nesses leilões são novos empreendimentos geradores de eletricidade a partir de várias fontes, a maioria renováveis, e que precisam entrar em funcionamento em no máximo seis anos.

É o caso, por exemplo, do denominado Leilão A-6. Realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em outubro de 2019, ele integra 91 empreendimentos.

São 27 geradores hídricos, 44 usinas eólicas, 11 usinas solares fotovoltaicas e 9 usinas térmicas, sendo 6 movidas a biomassa e 3 a gás natural.

Juntos, eles somam 1.155 megawatts médios (MWM) de energia.

Para se ter ideia, esse montante de energia equivale a 16% de toda eletricidade incrementada ao sistema ao longo de 2019.  

E geram oportunidades para o mercado de fornecedores de bens e serviços.

Estimativa da Aneel destaca que os empreendimentos contratados no leilão A-6 exigirão investimentos da ordem de R$ 11,2 bilhões.

Prontos em no máximo 5 anos

E há pouco tempo: os 1.155 MWM precisam estar instalados a partir de 1º de janeiro de 2025.

Ou seja: os empreendimentos, sejam eles usinas hidrelétricas ou a biomassa, precisam estar em pleno funcionamento daqui a menos de 5 anos.

No caso de outro leilão da Aneel, o A-4, programado para 28 de maio próximo, o tempo de implantação da usina é menor: 4 anos.

É que o Leilão A-4 2020 prevê a entrega de eletricidade pelos vencedores dentro de quatro anos, ou seja, a partir de 2024.

Assim como o A-6, trata-se de leilão de energia nova, quando a geração precisa ser realizada a partir de empreendimento a ser implantado.

Participantes

Estão inscritos no A-4 empreendimentos das fontes biomassa, hidrelétrica (usinas, centrais geradoras e pequenas centrais), fotovoltaica e eólica.

Segundo balanço da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do MME, responsável pela gestão do A-4, estão inscritos 1.528 empreendimentos, com capacidade de 51.438 megawatts (MW).

Esse volume de energia tem peso: os 51.438 MW representam 30% de toda a capacidade instalada no País.

Em recente divulgação, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) destaca que a capacidade instalada no País é de 170.071 MW.

É preciso lembrar que o A-4 é um leilão, o que não garante 100% da venda da eletricidade ofertada.

Mas, mesmo assim, já é suficiente para gerar oportunidades para o setor de fornecedores de bens e serviços.

Energia Que Fala Com Você apurou que a implantação de um megawatt (MW) em térmica a biomassa de cana pode custar R$ 1 milhão em uma unidade de 23 MW de potência.

Esse investimento soma do trabalho de engenharia à implantação física da unidade ao lado da usina sucroenergética.

Uma térmica de 23 MW pode gerar 167 mil MWh.

Clique aqui para ler mais sobre o leilão de maio próximo.

Termelétrica movida a biomassa de cana: novos empreendimentos semelhantes terão de ser implantados nos próximos anos. Foto: CEISE Br

“Fornecedores aguardam com grande expectativa”, diz presidente do CEISE Br

Fornecedores de máquinas, equipamentos e serviços aguardam com grande expectativa o aquecimento deste nicho de empreendimentos de geração de eletricidade.

A análise é de Luis Carlos Júnior Jorge, presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (CEISE Br).

“[Essas empresas] oferecem tecnologia de ponta e alta performance”, afirma ele.

Segundo o executivo, no momento “a maioria das empresas está focada na entressafra das usinas produtoras de açúcar, etanol e bioenergia.”

Significa que há demandas especialmente de reformas e manutenção, estimuladas, inclusive, pelo funcionamento do RenovaBio.

“E, também, pelo comportamento do consumo do mercado internacional quanto ao biocombustível derivado da cana em plena expansão”, comenta.

Foco na diversificação

“No entanto, muitas dessas indústrias – fornecedoras de máquinas, equipamentos e serviços – têm ampliado e/ou investido na diversificação das plantas, visando atender, também, a setores correlatos”, diz.

“Dessa forma, estão preparadas aguardando com grande expectativa o aquecimento deste nicho.”

Luis Carlos Júnior Jorge, presidente do CEISE Br: “muitas empresas fornecedoras do setor sucroenergético investiram na diversificação para atender setores