Gigantes têm sinal verde para investir em térmicas a gás natural

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Delcy Mac Cruz

Plataforma do Terminal GNL da GNA . Foto: Divulgação

BP, Siemens e Prumo Logística, que integram a joint venture Gás Natural Açu (GNA), e a Eneva estão entre as grandes companhias com sinal verde para investimentos no Brasil focados em gás natural. 

Apenas em janeiro último, dois fatos marcaram os aportes dessas gigantes em empreendimentos que têm o derivado de petróleo como matéria-prima.

O primeiro desses fatos foi no dia 24 de janeiro, quando a Eneva recebeu a aprovação de financiamento de R$ 1 bilhão do Banco da Amazônia.

O montante financeiro tem dois destinos imediatos: o projeto integrado de produção de gás natural e geração de energia do campo de Azulão, na Bacia Amazonas, e a instalação da Usina Termelétrica (UTE) Jaguatirica II, em Roraima.

Já no dia 27 de janeiro, a Gás Natural Açu (GNA), joint venture formada pela BP, Siemens e Prumo Logística – controlada pelo fundo EIG Global Energy Partners e pelo investidor Mubadala Investment Company – recebeu a Licença de Instalação da usina termelétrica GNA II.

A usina integra o Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, o maior parque termelétrico a gás natural da América Latina em fase de implantação pela GNA.

Exemplos

Os empreendimentos da GNA e da Eneva são apenas dois dos que deverão impulsionar projetos ligados a gás natural no Brasil neste ano.

2020 começou com cenário de baixa dos preços internacionais do gás natural. E essa desvalorização pode auxiliar na abertura do mercado desse insumo no Brasil.

A expectativa é de que possam surgir novos supridores como alternativa ao domínio da Petrobras na oferta de gás natural liquefeito (GNL).

O emprego do gás para produzir energia elétrica também tem mercado crescente.

É o caso dos empreendimentos da Gás Natural Açu (GNA) e da Eneva.

Potencial gigantesco

O potencial de oferta de eletricidade do Porto do Açu é gigantesco.

Formado pelas termelétricas GNA I e II, o parque terá capacidade instalada de 3 gigawatts (GW).

É um montante de peso. Representa 24% de todo parque gerador a gás natural no Brasil em 2018, conforme estudo da FGV Energia, para quem essa operação respondia por 12,5 GW.

Segundo a GNA, as obras da UTE GNA II serão iniciadas ainda neste semestre.

A usina funcionará em ciclo combinado, sendo composta por três turbinas a gás e uma a vapor, equipamentos de alta eficiência energética, que irão gerar energia com menor consumo de gás natural.

Além disso, durante a operação a UTE GNA II utilizará água do mar, evitando o consumo de água doce, reforçando o compromisso da GNA com a preservação ambiental.

Já a UTE Jaguatirica II, em Roraima, é empreendimento da Eneva negociado no leilão de energia para o sistema isolado de Boa Vista.

O gás liquefeito para abastecer a térmica virá do campo de Azulão.

A previsão de investimento é de R$ 1,8 bilhão.