P&G, biocombustíveis e energia elétrica devem receber investimentos de R$ 2,3 trilhões até 2029

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Delcy Mac Cruz

Os mercados de P&G, biocombustíveis e de energias renováveis têm motivos para celebrar. Nos próximos 10 anos, os investimentos nesses segmentos deverão somar R$ 2,3 trilhões.

O cenário positivo integra o Plano Decenal de Energia 2019-2029, lançado na terça-feira (11/02) pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

Produzido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do MME, o Plano Decenal é documento minucioso, elaborado sob as diretrizes de Secretarias do Ministério.

Seu objetivo principal é indicar as perspectivas da expansão no horizonte de dez anos, dentro de uma visão integrada para os diversos energéticos.

Tal visão, conforme a EPE, permite extrair importantes elementos para o planejamento do setor de energia, com benefícios em termos de aumento de confiabilidade, redução de custos de produção e diminuição de impactos ambientais.

O Plano Decenal recém-lançado oferece informações prioritárias para todos os agentes dos segmentos de P&G, biocombustíveis e energia elétrica em suas diversas fontes.

Energia Que Fala Com Você disponibiliza a seguir síntese dos principais pontos do documento.

Investimentos para atender no médio e longo prazo

A recuperação da economia brasileira tende a ser gradual e, no curto prazo, esse crescimento será beneficiado pelo excesso de capacidade ociosa.

Entretanto, no médio e longo prazo a expectativa de uma retomada mais forte dos investimentos, especialmente em infraestrutura, terá impactos importantes sobre a competitividade da economia brasileira e, consequentemente, sobre o crescimento.

A expectativa é de um crescimento médio do PIB de 2,9% ao ano até 2029 e de 2,2% ao ano do PIB per capita.

Para alcançar uma trajetória de crescimento econômico mais forte e sustentável é necessário que haja uma expansão da capacidade de oferta da economia com redução dos gargalos existentes, o que geraria efeitos que podem ser bastante sensíveis no caso do setor energético.

Investimentos

Segundo o Plano Decenal, os investimentos em oferta de energia elétrica, petróleo e gás natural e em biocombustíveis líquidos deverão chegar a R$ 2,3 trilhões entre 2020 e 2029.

O montante leva em conta o dólar comercial cotado a R$ 3,87.

Em valores, os principais aportes estão no segmento de Petróleo e Gás Natural (R$ 1,8 trilhão), seguido de Energia Elétrica (R$ 456 bilhões) e de Biocombustíveis (R$ 64 bilhões)

Estimativas de investimentos

Fonte: EPE

Consumo de eletricidade

Até 2029, a expectativa é de que o consumo total de eletricidade cresça cerca de 15% a mais que a economia no período, influenciado tanto pela autoprodução clássica quanto pelo consumo na rede.

Na média, o consumo crescerá à taxa de 2,5% anuais entre 2019 e 2029.

No caso do setor industrial, o consumo de energia deverá crescer à taxa de 2,6% anuais, atingindo o montante de 108 milhões de toneladas equivalente de petróleo (tep) em 2029.

Consumo de energia pela indústria por fonte

(em milhões de toneladas equivalentes de petróleo)

Fonte: EPE

Avanço dos biocombustíveis

Entre os biocombustíveis, o Plano Decenal revela: os que mais crescem de importância no consumo final de energia no decênio são o biodiesel (6,9% ao ano) e a lixívia (3,0% ao ano).

A lixívia resulta do processo produtivo da celulose e que é largamente utilizada para autoprodução de eletricidade.

Já no período 2019-2029, o etanol tem um expressivo aumento do consumo final, sendo que boa parte deste incremento advém do etanol hidratado (2,8% anuais), a ser utilizado basicamente em veículos do ciclo Otto.

Por outro lado, o etanol anidro tem uma redução média anual da demanda de 1,4%, atrelada ao cenário de consumo de gasolina C.

Consumo de biocombustíveis até 2029

Fonte: EPE

Derivados de petróleo

Apesar da redução de participação, os derivados de petróleo ainda se manterão com alta importância no período decenal, com 36% do consumo final e crescimento à taxa de 2,8% ao ano.

O óleo diesel B é a principal fonte utilizada para o transporte de cargas pesadas no País e, apesar de seu consumo potencial ser reduzido com um aumento da participação do biodiesel no óleo diesel B comercializado, ainda ganha importância entre os derivados de petróleo, com um crescimento médio anual de 2,6%.

Derivados de petróleo: consumo por fonte

Fonte: EPE

Produção de petróleo

Espera-se que a produção de petróleo atinja 5,5 milhões de barris por dia (bbl/dia) em 2029, aproximadamente o dobro do valor registrado em 2018.

Gás natural

A projeção de demanda de gás natural, exclusive para geração de eletricidade, aponta para um volume de 67 milhões de m³/dia, em 2029, isto representa um acréscimo de 16% em relação ao ano de 2019.

Gás natural: consumo total por setor

Fonte: EPE