Etanol deve ganhar modelo comercial mundial, com novos investimentos em produção

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Delcy Mac Cruz

O comércio de etanol combustível entre Brasil e outros países gera integração positiva para o biocombustível.

As importações brasileiras do combustível dos EUA, por exemplo, ajudam a atender ao consumo interno.

Ao mesmo tempo, as exportações do produto aos Estados Unidos colaboram no atendimento a programas locais baseados em menos emissões de gases de efeito estufa.   

Por sua vez, as negociações entre os dois países sinalizam a formação de um modelo comercial mundial de etanol.

E a geração desse modelo, segundo analistas ouvidos pelo Energia Que Fala Com Você, resultará em investimentos e crescimento da produção do biocombustível.

Os investimentos, entretanto, estão fora das projeções de recente estudo divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, que estima em R$ 62 bilhões os aportes em etanol até 2030.

Clique aqui para ler mais a respeito desse estudo.

De seu lado, a tendência de novos investimentos em produção deve ocorrer no curto prazo, uma vez que o consumo de etanol cresce e crescerá ainda mais em países gigantes como Índia e China.

A produção tende a ganhar escala seja feita com cana-de-açúcar e milho, caso do Brasil, ou especificamente com o milho, que é a principal matéria-prima de produção do combustível renovável nos Estados Unidos.

Resultados positivos

A integração comercial com o etanol já rende resultados positivos.

Em janeiro último, por exemplo, o Brasil importou 177,72 milhões de litros, segundo informações da Secretaria de Comércio Exterior compiladas pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

A maioria do etanol adquirido vem dos EUA, maior produtor mundial, com capacidade para mais de 55 bilhões de litros por ano.

Essa importação ajudou o Brasil a atender ao mercado interno, que, em janeiro, consumiu 1,75 bilhão de litros de etanol hidratado (para veículos flex) e 735,5 milhões de litros de anidro (misturado na proporção de 27% à gasolina).

Segundo a UNICA, o volume demandado foi atendido pelos estoques das usinas, pela importação do etanol dos EUA e pela oferta das unidades produtoras brasileiras de milho.

Essas produziram 183 milhões de litros no primeiro mês de 2020, dos quais 136,3 milhões são de hidratado e 47 milhões de litros de anidro.

Exportações

Já as exportações de etanol brasileiro em janeiro somaram 67 milhões de litros, sendo 39 milhões de litros de anidro e 29 milhões de litros de hidratado.

Boa parte desse volume foi direcionada para distribuidores americanos, que preferem empregar o etanol brasileiro na gasolina, uma vez que ele reduz mais emissões de gás carbônico.

Vem aí um novo mercado mundial

Em 2019, o etanol registrou papel estratégico de criar competitividade e menores preços no ciclo otto brasileiro.

Com o avanço do consumo, o biocombustível fez o Brasil reduzir as importações de gasolina, uma vez que não produz 100% de suas necessidades.

Por isso, o Brasil importou 34,2 bilhões de litros de gasolina, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Para se ter ideia do impacto desse volume, ele quase equivale a toda a comercialização de etanol anidro e hidratado no País em 2019, que totalizou 32,5 bilhões de litros, conforme a ANP. A diferença é de apenas 5%.

Além do mais, o etanol colocou o País na dianteira mundial de emprego de combustíveis com menos emissões de gases formadores de efeito estufa.

Agora é a vez do modelo comercial mundial.

Mas a sinalização desse modelo vai além do Brasil e dos EUA.

O grande personagem desse universo é a China.

Apesar da situação de crescimento econômico oscilante com viés de baixa, no médio e longo prazo o consumo local de etanol dará saltos.

Isso porque a intenção do governo chinês é a de adicionar 10% à gasolina nos veículos novos.

Essa medida, aliás, chegou a ser anunciada no segundo semestre de 2019 e foi hibernada em dezembro.

Por fim, nada impede que a China volte a empregar os 10%. E, nessa hora, se o modelo comercial mundial de etanol estiver implementado, Brasil e demais países produtores só terão motivos para festejar.