RenovaBio e demanda crescente turbinam investimentos em biodiesel

0
697

Delcy Mac Cruz

Os investimentos em produção de biodiesel estão em alta. E há pelo menos dois motivos para justificar o otimismo.

O primeiro deles é a maior adição desse biocombustível ao óleo diesel. Aqui, o efeito será imediato porque já a partir deste março de 2020 a mistura de biodiesel ao diesel passa a ser de, no mínimo, 12%.

Desde agosto de 2019, essa mistura é de 11%. Clique aqui para ler mais sobre esse assunto.

Já o segundo motivo diz respeito à Política Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio.

Em vigor desde 24 de dezembro de 2019, esse programa de Estado incentiva a redução do consumo de combustíveis fósseis – que são grandes emissores de gases geradores de efeito estufa – e, ao mesmo tempo, promove o consumo de biocombustíveis – que reduzem essas emissões.

Como forma de compensar esse ganho ambiental, as unidades produtoras de biodiesel são contempladas com a venda dos chamados créditos descarbonização, os CBIOs.

Cada CBIO equivale a uma tonelada de gás carbônico que a unidade produtora deixa de emitir.

A venda dos créditos é esperada ainda a partir desse ano, quando o valor também será definido.

Sendo assim, há pouco tempo para as unidades adequarem suas produções e se certificarem no RenovaBio, processo que pode demorar entre três a seis meses.

Expansão dos negócios

Diante a situação, companhias produtoras de biodiesel se apressam em realizar investimentos.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 51 unidades produtoras estão em operação no Brasil.

A capacidade diária total de produção autorizada é de 24,6 milhões de litros por dia.

Pelo menos 40% dessas unidades têm planos de ampliar a produção, apurou Energia Que Fala Com Você com analistas do setor.

É o caso da JBS Biodiesel, do Grupo JBS, que pretende investir nesse ano R$ 193 milhões na expansão de seus negócios.

Do total, R$ 180 milhões serão para uma nova usina de biodiesel a ser construída em Mafra (SC) – que está em fase de licenciamento ambiental de instalação.

Outros R$ 13 milhões serão destinados para expandir e melhorar as duas unidades já em operação, em Lins (SP) e Campo Verde (MT).

Em 2019, a empresa comercializou 274 milhões de litros, volume recorde para a companhia e aumento de 18,6% em relação ao ano anterior.

A empresa produz biodiesel a partir de sebo bovino.

Em comunicado, o diretor da empresa, Alexandre Pereira, destaca que a modernização das duas plantas deve levar a aumento de cerca de 25% na capacidade produtiva atual.

As obras nas duas unidades atuais devem ficar prontas até o segundo trimestre deste ano, em Campo Verde, e até o quarto trimestre de 2020, em Lins.

Já a nova unidade, quando concluída, poderá produzir 360 milhões de litros do biocombustível por ano, deixando a JBS como quinta maior companhia do segmento no Brasil e mais do que dobrando a capacidade de produção atual.

RenovaBio: primeira certificação é de unidade da JBS

O RenovaBio já faz parte da JBS.

As duas unidades produtoras de biodiesel da empresa já estão devidamente certificadas no programa e estão liberadas para emitir os CBIOs.

A primeira certificação foi obtida pela unidade da Companhia em Lins (SP), em outubro do ano passado. Foi também a primeira unidade produtora de biocombustíveis do país a ser certificada. 

Já a unidade de Campo Verde (MT) foi certificada em fevereiro.

Com as duas unidades habilitadas, a Companhia estima colocar mais de 800 mil CBIOs anualmente no mercado.

Produção deve crescer 16% em 2020

Ao lado do RenovaBio, a demanda crescente de biodiesel explica o vigor dos investimentos em produção.

Estimativas indicam que com a entrada do B12 (adição de 12% de biodiesel ao óleo diesel a partir deste março), a produção e consumo para 2020 vai a 7 bilhões de litros.

Trata-se de um volume 16% superior à produção de 2019, que foi de 5,9 bilhões de litros, conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).