Delcy Mac Cruz

Sergipe concentra investimentos em P&G e tende a atrair mais e mais aportes no curto prazo.

Entre outros, já investem no estado a Petrobras e a Centrais Elétricas de Sergipe (CELSE), controlada pela Eletricidade do Brasil (EBRASIL) e pela joint-venture Golar Power, da norueguesa Golar LNG e do fundo de investimentos americano Stonepeak Infrastructure Partners.

Por sua vez, a companhia brasileira Noxis Energy planeja construir a primeira refinaria privada do país em Sergipe.

O estado concentra investimentos porque é estratégico, entre outros motivos, por sediar bacia sedimentar marítima juntamente com os vizinhos Alagoas e Bahia.

Termelétrica a gás natural em Aracaju, da CELSE: um dos empreendimentos em P&G realizados no estado (Crédito: Divulgação/CELSE)

Com potencial interesse de exploração e produção de petróleo e gás natural, essa bacia é tema de Estudo Ambiental de Área Sedimentar (EAAS) lançado no fim de janeiro.

O objetivo desse EAAS é aprimorar o processo de definição de áreas de exploração e produção de petróleo e gás natural.

O Estudo cabe à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e inclui 90 dias de audiência pública, em vigor desde 01/02, para garantir o diálogo com a sociedade, garantido pleno acesso e ampla divulgação do estudo.

Clique aqui para saber mais informações sobre o Estudo relacionado à bacia sedimentar.

Geração de eletricidade por gás

Entretanto, enquanto a ANP faz a gestão do Estudo sobre a bacia sedimentar, empresas correm em seus empreendimentos.

É o caso, por exemplo, da CELSE, responsável pela implantação da maior usina termelétrica a gás natural da América Latina: a UTE Porto Sergipe I.

Localizada em Barra dos Coqueiros, na Região Metropolitana de Aracaju, a termelétrica deve iniciar as operações ainda neste primeiro trimestre de 2020.

Fruto de investimento da ordem de R$ 6 bilhões, ela vai gerar e comercializar energia elétrica a partir de unidades geradoras de energia a gás e a vapor.

Conforme a empresa, a geração poderá suprir 15% da demanda de energia do Nordeste, graças a suas unidades geradoras capazes de produzir 1.551 megawatts (MW).

A energia da CELSE tem comprador garantido, uma vez que ela foi vitoriosa no Leilão de Energia Nova A-5, em abrir de 2015, no qual estabeleceu 26 contratos com diversas distribuidoras de energia do país.

Esses contratos requerem suprimento a partir desse ano e vigoram pelos próximos 25 anos.

Maior descoberta desde o pré-sal

De seu lado, a Petrobras também faz aportes em Sergipe.

No começo do ano, a empresa fez no estado do Nordeste sua maior descoberta desde o pré-sal, em 2006.

Em seis campos, projeta extração de 20 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, equivalente a um terço da produção total brasileira.

Conforme consultorias, essa descoberta pode gerar R$ 7 bilhões de receita anual à estatal e sócias.

Se confirmada, essa gigantesca produção pressionará para baixo os preços do gás natural e permitirá seu uso em escala na indústria.

Sergipe, assim, será protagonista do tão esperado “choque de energia barata”, como disse em 2019 o ministro da Economia Paulo Guedes.

Testes avaliam reservatório

Estrutura da Petrobras faz testes em áreas ultraprofundas em bacia em Sergipe (Foto: Divulgação/Petrobras)

Para tanto, a Petrobras começou em 22/02 o Teste de Longa Duração (TLD) de Farfan, localizado a aproximadamente 70 km da costa sergipana.

O TLD tem o objetivo de avaliar o comportamento do reservatório em produção e as características do seu petróleo.

Por sua vez, as informações técnicas coletadas durante a fase de testes darão suporte para definir os próximos passos do projeto Sergipe Águas Profundas – Módulo 1 (SEAP 1), do qual Farfan faz parte.

O TLD de Farfan, segundo a empresa, é o primeiro a ser realizado em águas ultraprofundas no Nordeste, cujo poço está localizado em lâmina d’água de aproximadamente 2,5 mil metros, sendo o mais profundo já colocado em produção pela Petrobras no Brasil.

A empresa destaca que, durante o Plano de Avaliação da Descoberta (PAD), foram realizadas atividades de perfuração e sísmica que confirmaram a presença de óleo de excelente qualidade na região da Bacia de Sergipe-Alagoas.

Clique aqui para ler mais sobre o TLD de Firfan.

Primeira refinaria privada do País

Os aportes em Sergipe preveem que o estado seja o primeiro do Brasil a ter uma refinaria privada.

Por trás do projeto está a brasileira Noxis Energy.

Com investimentos estimados em US$ 700 milhões, o empreendimento é projetado para a região portuária da Barra dos Coqueiros, região metropolitana de Aracaju.

A expectativa é de sair do papel ainda em 2020, movimentando 2,8 milhões de toneladas de petróleo e combustível por ano.

A unidade terá capacidade prevista para processar 35 mil barris/dia de petróleo, em uma área de 500 mil metros quadrados – sendo 350 mil metros quadrados de área útil contratada junto à Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (Codise).

A localização é considerada estratégica tanto para receber o petróleo, quanto para fornecer o combustível. 

Gabriel Debellian, presidente executivo da Noxis, destacou ao Valor Econômico que o plano estratégico da empresa é produzir e fornecer principalmente óleo combustível utilizado por navios, conhecido como bunker, com baixo teor de enxofre.

A exigência para o uso do bunker menos poluente pelas embarcações, estipulada pela Organização Marítima Internacional, entrou em vigor este ano. Além do bunker, a refinaria também produzirá diesel marítimo e nafta.