Biodiesel brasileiro segue disputado no exterior

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O biodiesel brasileiro avança no mercado externo mesmo com a pandemia, que reduziu a circulação de veículos e, assim, cortou o consumo de combustíveis.

A demanda pelo biocombustível ocorre, por exemplo, nos países europeus, onde desde 2016 vigora o padrão de emissões de poluentes denominado Euro 6. Esse padrão limita com rigor as emissões estabelecidas para veículos leves do ciclo diesel.

É preciso lembrar que os modelos de veículos a diesel são comuns na Europa. E é aí que entra o biodiesel. Ele é um atrativo nesse mercado como mistura ao combustível fóssil. Por sua vez, ganha destaque pelas suas características como redutor da emissão de poluentes.

Em síntese, um motor a diesel com 20% de biodiesel reduz em 15% a emissão de dióxido de carbono em comparação com o uso de diesel puro, destaca a Ubrabio, entidade representativa dos produtores de biodiesel no Brasil.

No caso da Europa, o emprego de biodiesel mantém a eficácia dos motores a diesel, conhecidos por serem altamente eficientes, chegando a rodar 30 km por litro, aponta a Ubrabio.

Para efeitos comparativos, essa rodagem supera em até 50% a dos motores movidos a diesel fabricados na América do Sul.

Exportação para a Holanda

Entretanto, os países europeus têm exigências para abrir as portas para o biodiesel brasileiro. Entre elas está a certificação International Sustainability and Carbon Certification (ISCC). Quem a detém, pode entrar no cobiçado mercado da Europa.

Em pesquisa na website da ISCC, Energia Que Fala Com Você apurou que 12 empresas produtoras brasileiras detêm as certificações. Clique aqui para saber quem são as 12 certificadas

Entretanto, apenas uma produtora de biodiesel detém o certificado ISCC. Trata-se da unidade da JBS Biodiesel localizada no município de Lins, no interior paulista.

Controlada pela indústria de alimentos JBS, a unidade de Lins produz o biocombustível a partir de sebo bovino e, conforme a instituição, a certificação tem validade até 14 de maio deste ano.

Por conta desse título, a empresa realizou sua primeira exportação em 2014, com volume de 6,4 milhões de litros.

Agora, a menos de um mês do vencimento dessa validade, que pode ser prorrogado, a JBS Biodiesel registra bom negócio: realizou embarque de 3,6 milhões de litros do biocombustível para o Porto de Roterdã, na Holanda.

Além do volume, vale lembrar, aqui, que o real enfraquecido remunera ainda mais a negociação do ponto de vista financeiro. A operação de embarque é da ECB Brasil, antiga Varo Comércio, controlada pelo Grupo ECB Holding S/A, e que atua na exportação de diversos produtos.

“Estamos atentos a todas as etapas da logística, mantendo todo o cuidado necessário, para que os produtos cheguem a seu destino dentro da especificação e prazo negociados”, destaca em nota o gerente comercial da ECB Group Brasil, Manfred Wefers

“O biodiesel exportado deve ser misturado ao diesel e atender ao mercado consumidor europeu”, complementa ele, cuja empresa tem escritório de negócios em Genebra, na Suíça, responsável pela relação no mercado Europeu e Asiático.

Peso diante a produção

Os 3,6 milhões de litros embarcados pela JBS têm peso: representam 19% dos 19 milhões de litros desse biocombustível fabricados em fevereiro último pelas unidades do estado de São Paulo.

O dado é da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O volume embarcado em abril pela JBS equivale a 28% dos 13 milhões de litros produzidos pela unidade de Lins em fevereiro, conforme levantamento em dados da ANP.