Óleo com baixo de teor de enxofre turbina exportações da Petrobras

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As exportações brasileiras de petróleo têm crescido mesmo diante a oferta mundial abundante e da redução de consumo. Em fevereiro, as vendas externas somaram 41,2 milhões de barris, 12% acima do mesmo período de 2019.

Já em março os embarques para fora totalizaram 46 milhões de barris. Sendo 19% acima do desempenho de igual mês do ano passado, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O mês de abril também foi positivo.

A Petrobras, além disso, mencionou que as exportações alcançaram 30,4 milhões de barris, alta de 145% sobre o desempenho de mesmo mês de 2019.

Mas por que o Brasil amplia as exportações de óleo quando o estoque chegava a expressivos 2 bilhões de barris no último dia 20 deste maio, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA).

Uma das explicações, nesse sentido, é de que o Brasil possui bacias da camada pré-sal nas quais o óleo possui baixo teor de enxofre.

Por sua vez, baixo teor de enxofre significa petróleo de qualidade e menos poluente. E ele passou a ser praticamente disputado.

Resolução qualifica petróleo de baixo teor de enxofre

“Desde janeiro deste ano, uma resolução da Organização Marítima Internacional, conhecida como IMO 2020, determinou que as embarcações devem utilizar combustíveis com no máximo 0,5% de enxofre (o limite anterior era de 3,5%)”, explica Marcelo Gauto, especialista em petróleo, gás e energia.

“Isso fez com que petróleos com baixo teor de enxofre fossem valorados no mercado mundial”, destaca.

“O Brasil tem se beneficiado desta resolução. Pois nossa maior corrente de produção, a de Lula, na Bacia de Santos, é de petróleo de grau API 31 (óleo médio). Esta com 0,32% de enxofre”, finaliza.

Em suma, essa especificação é excelente para a produção de combustível marítimo na nova especificação IMO 2020.

“Os óleos de Búzios, da Cessão Onerosa, cuja produção é crescente, são igualmente valorizados, por conterem 0,31% de enxofre na composição”, acrescenta.

Oportunidade de mercado

“Além da exportação de petróleo, a venda de óleo combustível com baixo teor de enxofre (BTE) tem sido recorde pela Petrobras. A ação demonstra que a empresa tem aproveitado a oportunidade de mercado que se abriu em função da nova resolução para combustíveis marítimos”, relata Gauto.

A valorização do petróleo do pré-sal também é apontada pela Petrobras. Neste caso, como um dos fatores que contribuíram para o lucro recorde de R$ 40,1 bilhões em 2019.

Sendo assim, o crescimento da produção de óleo combustível BTE fortaleceu o caixa da empresa. Cuja produção no pré-sal, segundo dados da Petrobras, alcançou 59% da produção total de 2019.

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Baixo teor de enxofre: valorização

Anelise Lara, diretora de Refino e Gás Natural da Petrobras: “estamos atentos aos movimentos internacionais”
Crédito: Agencia Petrobras

“Estamos atentos aos movimentos internacionais e acessando todos os mercados. Nosso petróleo, de baixo teor de enxofre, mantém sua valorização no mercado internacional. Isto ocorre em função das especificações do IMO 2020”. É o que informa Anelise Lara, diretora executiva de Refino e Gás Natural da Petrobras, durante entrevista sobre as exportações de abril.

No primeiro quadrimestre de 2020 a China foi o principal destino das vendas, absorvendo 60% do petróleo exportado.

Além do gigante asiático, a Petrobras usualmente comercializa petróleo para os mercados americano, europeu, indiano e outros destinos na Ásia.

“Estamos direcionando nossos esforços para exportação de petróleo e derivados através de uma série de ações logísticas, que possibilitam a expansão da nossa capacidade. Esperamos continuar com uma boa performance das nossas exportações, em função da retomada da demanda da China em conjunto com ações para desenvolver novos mercados para nossos produtos”, acrescentou Anelise na entrevista.