Carga de energia elétrica deve ganhar recuperação já em 2021

Estimativa é de retomada de 4,1% no próximo ano, segundo a Aneel

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A carga de energia elétrica, que serve como importante indicador da atividade econômica, deve ganhar recuperação a partir de 2021. A estimativa de retomada é de 4,1%, saindo de 65.866 megawatts-médios (MWmed) em 2020 para 68.631 MWmed em 2021.

Em resumo, a carga reflete a soma do consumo de energia com as perdas na rede, e os 4,1% resultam em uma projeção positiva, levando em conta que o Brasil atravessa a pandemia de Covid-19. Por conta do isolamento e da queda da atividade da economia, o consumo de energia caiu 11% entre 21 de março e 08 de maio no país, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

No caso da carga, ela deve recuar 1% neste ano ante 2019, conforme projeção do Operador Nacional do Sistema (ONS). De seu lado, a previsão de recuperação de 4,1% da carga em 2021 resulta de decisão da diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na terça-feira (26/05).

Na oportunidade, a diretoria da Agência promoveu revisão extraordinária para a previsão de carga para este ano e para até 2024. Tomando por base previsão conservadora, na média a retomada da carga até lá será de anuais 3,8%. Conforme a Aneel, a carga deverá avançar 3,9% entre 2021 e 2022, indo de 68.631 megawatts-médios (MWmed) para 71.302 MWmed.

Já entre 2022 e 2023, a previsão é de alta da carga da ordem de 3,7% (de 71.302 MWmed para 73.920 MWmed). Finalmente, a Aneel estima crescimento de 3,6% entre 2023 (73.920 MWmed) e 2024 (76.612 MWmed). Entretanto, as projeções podem ganhar novos percentuais em setembro, quando a diretoria da Aneel promoverá nova revisão.

Como fica a oferta diante a retomada da carga?

Entretanto, a retomada da carga de energia elétrica não significa necessidade de geração maior. Isso porque, conforme o último balanço da CCEE a geração no Sistema Interligado Nacional (SIN) chegou a 65,1 mil MWmed em março, enquanto a demanda ficou em 65 mil MWmed no mesmo período, somando aí os consumidores dos mercados regulado e livre.

A ‘sobra’ de 1 mil MWmed indica oferta maior do que a demanda.
E a oferta segue aquecida porque, para citar um exemplo, existe muita eletricidade contratada por leilões junto a geradores de fontes variadas. Além disso, há a produção das hidrelétricas, principais fontes geradoras do SIN. No caso dessas, as usinas das regiões Norte e Nordeste têm condições de seguir o pico de produção atual, uma vez que estão bem servidas de água nos reservatórios.

No entanto, é aí que pode haver boa notícia de investimentos no setor elétrico. Para que essa energia do Norte e Nordeste seja utilizada nos submercados Sul e Sudeste, que lideram o consumo de eletricidade no país, será preciso ampliar a oferta de linhas de transmissão.

“Em que ritmo ocorrerá a expansão da transmissão?”, questionou Alessandra Zancope, diretora de middle office na Brazil Comercializadora, durante live nesta quarta-feira (27/05) promovida pela UNICA e pela Cogen. Uma resposta à pergunta da executiva pode ser o megaleilão de transmissão postergado por conta da pandemia. O Energia Que Fala Com Você divulgou recentemente conteúdo sobre a possibilidade desse megaleilão ser realizado ainda neste ano.