Coprodutos do etanol de milho têm mercado aquecido

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Coprodutos do etanol de milho são grãos proteicos, gerados no processo de destilação, e que avançam como insumo na alimentação animal

A queda no consumo de etanol segue em queda. Apenas na primeira quinzena de maio, a venda do hidratado (usado em veículos flex) caiu expressivos 24% nos postos, relata a UNICA, entidade representativa do setor.

De seu lado, as 11 unidades produtoras de etanol de milho também amargam a situação. E são afetadas nos estados do Centro-Oeste, onde fica a maioria dessas unidades.

A comercialização de hidratado na região despencou 14,60% em março, último mês com dados disponibilizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) até a manhã desta sexta-feira (29/05).

Coprodutos do etanol: demanda aquecida

Mas, apesar disso, essas unidades de coprodutos do etanol de milho têm mercado promissor.  

E o motivo é um só: o crescente interesse pelo DDG e pelo WDG, resíduos da produção do etanol de milho seco e úmido, respectivamente.

Esses coprodutos têm ganhado espaço no mercado em complemento ou substituição do farelo de soja e de outras fontes de proteínas, por serem alternativas para diminuição de custos de produção animal.

A União Nacional do Etanol de Milho (Unem) relata, em sua website, que o DDG garante teores de proteína bruta que variam entre 26 a 30%.

É um volume bem acima de outras fontes proteicas para gado de corte. Além disso, os coprodutos são adaptáveis na dieta de bovinos, suínos e aves e são de fácil digestão.  

“DDG é mais carne”, destaca a Unem.

De outro lado, o mercado desses coprodutos avança pelo custo/benefício.

Segundo a Scot Consultoria, enquanto a tonelada do DDG valia (sem considerar o frete) R$ 748 médios em maio no Mato Grosso, a tonelada do farelo de soja valia em média R$ 1,559 mil no mesmo período e no mesmo estado.

Ou seja: por quase metade do preço é possível investir em alimento com altas doses de proteína bruta.

Além disso, a pandemia do covid-19 provocou aumento no consumo animal de proteína animal. E isso acelerou as exportações de carnes brasileiras.

Para exemplificar, apenas em abril as vendas externas de carnes de bovino congelada, fresca ou resfriada cresceram em valores em 19% ante igual mês de 2019 e totalizaram US$ 509 milhões. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia.

Oferta no segundo semestre

Por sua vez, em recente boletim, a Scot Consultoria, destaca que unidades de etanol de milho usinas ativas oferecem disponibilidade de DDG e WDG para o segundo semestre deste ano. 

Em sua website, a Unem compartilha informações de usinas que comercializam esses coprodutos.

O segmento torce para que o mercado de etanol retome ganhos de consumo. Até porque as usinas que empregam o milho projetam uma produção de 2,7 bilhões de litros neste ano.

Em termos de oferta de DDG, esse montante de biocombustível permite a geração de perto de 1,5 milhão de tonelada de DDG. E pelo valor médio de maio, esse montante, se comercializado, significa R$ 1,1 bilhão para os caixas das usinas.

Finalmente, trata-se de um valor expressivo para o setor de etanol de milho, que tem novas 7 unidades em fase de implantação. Clique aqui para saber mais sobre essas novas unidades.