Usinas terão até R$ 3 bilhões para capital de giro

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Fotografia da Usina São Manuel em São Manoel/SP.

BNDES entra com R$ 1,5 bilhão e o restante caberá a bancos comerciais

As usinas terão programa de crédito para capital de giro que pode chegar a R$ 3 bilhões. Oficializado na quinta-feira (04/06), o programa é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em ação conjunta com bancos comerciais.

A instituição pública entra com R$ 1,5 bilhão. No entanto, “a ação conjunta com bancos comerciais pode elevar o apoio ao setor a mais de R$ 3 bilhões”, destaca nota do BNDES divulgada na sexta-feira (05/06). O crédito funciona como SOS ao setor sucroenergético.

Todavia, as companhias contempladas não poderão reduzir seu quadro permanente de pessoal durante dois meses. Além disso, segundo o BNDES, as que mantiverem ou aumentarem os postos de trabalho nos próximos 12 meses terão um custo mais barato.

Por sua vez, o prazo de pagamento é até dois anos, com carência que pode chegar a 12 meses. O estoque de combustível poderá ser apresentado como garantia dos empréstimos. E os pedidos de acesso poderão ser protocolados até 30 de setembro.

Capital de giro: quem tem direito

O Programa BNDES de Apoio ao Setor Sucroalcooleiro, conforme a instituição, disponibilizará crédito entre R$ 10 milhões a R$ 200 milhões, limitados a 50% do valor do financiamento.

Podem pedir o crédito empresas, cooperativas e empresários individuais com receita operacional bruta igual ou superior a R$ 300 milhões. Enfim, o financiamento poderá ser obtido diretamente com o BNDES, de forma indireta – via agentes financeiros -, ou mista.

Lideranças do setor sucroenergético reivindicavam medidas do governo federal desde abril. Foi nesse mês que as unidades produtoras da região Centro-Sul entraram em safra e as vendas de etanol despencaram com o isolamento da covid-19 e a queda nos preços da gasolina.

No caso do etanol, o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Evandro Gussi, também pedia financiamento para estocagem de etanol. Em webinar realizado em 06/04 pela XP, Gussi sugeriu a liberação, pelo governo, de financiamento de estoques de etanol, denominado warrantagem.

Na oportunidade, o presidente da UNICA relatou que a proposta é a de retirar para estoques lacrados, com controladoras de primeira linha aceitas pelos bancos. Esse financiamento teria de ser empregado com juros semelhantes aos empregados ao setor aéreo, com taxa no CDI.

Com isso, disse, será possível retirar 6 bilhões de litros do mercado, equivalentes a três meses de produção. A capacidade de estocagem do setor é de 11 bilhões, disse Gussi.

Clique aqui para ler conteúdo da plataforma Energia Que Fala Com Você com a reivindicação da liderança.

Finalmente, a plataforma Energia Que Fala Com Você contatou a assessoria de imprensa da UNICA, no fim da manhã desta sexta-feira (05/06), e pediu posicionamento da entidade sobre o programa de capital de giro recém-anunciado pelo BNDES.

Segundo a assessoria, a entidade aguardava lançamento oficial do programa, com detalhes, para fazer uma avaliação. Assim que a UNICA enviar seu posicionamento, este conteúdo será atualizado.

“Não atende a grande maioria do setor”

Renato Cunha, presidente executivo na Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (Novabio), critica o programa do BNDES de financiamento de capital de giro atrelado a estoque de etanol.

A pedidos da plataforma Energia Que Fala Com Você, Cunha, que também preside o Sindaçúcar-PE, destaca o seguinte depoimento:

“Essa linha do BNDES é bastante seletiva e não atinge a grande maioria do setor. [Isso porque ela] concentrará os financiamentos para os maiores produtores, que faturam acima de R$ 300 milhões por ano. Isso não é uma média.

A média no setor é de faturamento por usina inferior a R$ 300 milhões. Portanto, grande número de usinas estará alijado desse processo. Isso sem se falar que o [programa] não oferece grandes atrações do ponto de vista dos encargos remuneratórios que o produtor irá pagar.

[O programa], portanto, é uma medida paliativa, e que deveria ter sido mais democrática. Até porque ela passou em estudos por 60 dias. E depois desse tempo vem com essa restrição, que impede a grande maioria de democraticamente acessar a esses financiamentos”, finaliza.