Vendas de óleo diesel retomam alta e puxam mercado de biodiesel
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Demanda volta a crescer acima de períodos pré-crise da covid-19

As vendas de óleo diesel no Brasil retomam crescimento após registro de queda entre março e abril. Estes, os dois primeiros meses de isolamento por conta da pandemia da covid-19.

A demanda do combustível fóssil voltou a crescer em maio. O momento quando o volume médio diário foi 3% superior à média diária do período pré-crise, compreendido entre 01 de janeiro a 21 de março.

Essa média de alta foi apresentada em 16 de junho por Rafael Gisolia, presidente da BR Distribuidora, em conteúdo do Estadão Conteúdo

A retomada reflete diretamente no mercado de biodiesel, combustível renovável que é adicionado ao diesel.

O balanço oficial de vendas de maio deverá ser divulgado no próximo dia 30 (junho). A divulgação será pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Mas Energia Que Fala Com Você constatou que, assim como a BR Distribuidora, as vendas de óleo diesel estão em alta também junto a outras distribuidoras.

Se as vendas do fóssil em junho repetirem o desempenho de igual mês de 2019, ficarão em 4,6 milhões de metros cúbicos. Os dados são da ANP.

Esse montante, se for confirmado, irá superar em 500 mil metros cúbicos as vendas do diesel no mês abril, também segundo a Agência.

Ainda segundo a ANP, se as vendas confirmarem a retomada registrada a partir de maio, será preciso ampliar a oferta de óleo diesel por meio de estoques e mesmo de importação.

Isso porque em abril último, dados da Agência revelam que a produção nacional do combustível fóssil ficou em 2,6 milhões de metros cúbicos.

Mercado de biodiesel em alta

De antemão, o cenário de retomada de vendas favorece também o biodiesel. É que desde março deste ano, cada litro de diesel contém 12% do combustível renovável. No jargão do meio, é o B12.

Do mesmo modo,m números absolutos, os 12% de biodiesel das vendas de diesel de abril representam 468 mil metros cúbicos.

Contudo, se as vendas forem para 4,6 milhões de metros cúbicos de diesel em junho, significarão 552 mil metros cúbicos de biodiesel.

O biodiesel é um aliado. Ele melhora o meio ambiente, uma vez que reduz as emissões de CO2, e ajuda a reduzir as necessidades de diesel. Que no caso, chega a ser importado para dar conta de atender a demanda.

Por sua vez, para suprir as necessidades de biodiesel a ANP realiza leilões esporádicos de compra e cuja entrega pelos produtores é para atender os meses seguintes.

O último desses leilões, realizado em 09 de junho para biodiesel a ser entregue em julho e agosto, registrou o maior volume comercializado em evento bimestral do tipo, com 1,19 milhão de metros cúbicos.

Em termos de valores, também foi um leilão de números gigantescos, com custo total da operação de R$ 4,2 bilhões. Na média, cada litro do biocombustível foi comercializado por R$ 3,50.

Todavia, esse leilão, o 73º ou L73, gerou polêmicas.

Distribuidoras alegam que o valor pago causará impacto de R$ 0,15 no litro do óleo diesel na bomba, conforme conteúdo do Correio Braziliense.

As distribuidoras, por sua vez, também alertam para possível falta de biodiesel nesta segunda quinzena de junho.

Ao jornal, a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) reconheceu que será necessário novo leilão para suprir nove dias de junho.

De seu lado, a Aprobio sustenta que a alta ficará entre R$ 0,02 e R$ 0,03 por litro de diesel no período abrangido pelo leilão (julho e agosto próximos).

Até a conclusão deste conteúdo, a ANP não havia marcado novo leilão para compra de biodiesel.

Mas para “dar continuidade ao abastecimento nacional” do biocombustível, a Agência decidiu, em 16/06, reduzir temporariamente a mistura de biodiesel. Ou seja, ao invés de 12% a adição passou a ser de 10%.

Clique aqui para ler a nota da ANP a respeito dessa medida.

Nova planta de biodiesel

Portanto, em que pesem as idas e vindas de misturas, o fato é que o mercado de biodiesel retoma crescimento.

Prova disso é que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) mantém roteiro de novas misturas do biocombustível. Um exemplo é que em 2021 entra o B13 (13%) e até 2023 deve entrar o B15 (15%). O CNPE decidiu manter o roteiro porque a crise recente não afetou o setor de biodiesel.

O portal Energia Que Fala Com Você já destacou que o setor cresceria em investimentos. E também divulgou que o biodiesel brasileiro avança no exterior.

Em sintonia com essa realidade, a JBS anunciou em 08 de junho ter iniciado a construção de nova fábrica de biodiesel no município de Mafra, em Santa Catarina.

Clique aqui para mais informações. 

A nova planta será operada pela JBS Biodiesel com investimentos de R$ 180 milhões por meio da coligada Seara Alimentos.

Projetada para produzir 1 milhão de litros de biodiesel por dia, a futura planta deverá ter as obras concluídas em junho de 2021.

Por fim, para a construção, a empresa destaca que serão gerados 400 empregos. Já na operação, serão 100 postos de trabalho diretos e 300 indiretos.