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Presidente da empresa dá a receita para produzir bem no onshore brasileiro

Há duas décadas, um grupo de poços de petróleo na bacia do Recôncavo baiano era considerado impraticável.  

A princípio, o regime de preços internacionais do barril era tão ou pior que o dos últimos meses deste ano. Além disso, as reservas eram consideradas baixas demais.

Em resumo: a operação desses poços de petróleo era tida como inviável para a Petrobras.

Por sua vez, a região do Recôncavo, localizada em torno da Baía de Todos-os-Santos, na Bahia, figurou nos primórdios da abertura do mercado de petróleo no Brasil.

E por meio de contratos com cláusula de risco, a então nascente PetroReconcavo passou a operar 12 campos da Petrobras na região.

Esqueça o período de resultados negativos. Passados 20 anos, os poços de petróleo triplicaram de produção. Dos 9 milhões de barris do volume de reservas inicialmente certificados, foi registrado salto para 28 milhões de barris.

E ainda existem mais de 13 milhões de barris de óleo equivalente em reservas provadas.

Não para por aí.

“Os campos, que na época representavam talvez 7% da produção da bacia do Recôncavo, em dezembro de 2019 subiram para mais de 14% dessa produção”, destaca Marcelo Magalhães, CEO da PetroReconcavo.

Mas como essa produtora independente de commodity consegue excelentes resultados em poços onshore brasileiro?

As avaliações são do próprio executivo, em sua participação no webinar Energia em Foco, realizado em 11/05 pela FGV Energia.

O tema do evento foi a atual crise do petróleo, abordando o mercado das empresas independentes no Brasil e a as expectativas em relação ao futuro da indústria.

Receita para rentabilizar poços de petróleo

Constituída em 1997, a PetroReconcavo é uma empresa independente de O&G, especializada no desenvolvimento e revitalização de campos maduros e marginais em bacias onshore.

Entre os acionistas estão a Perbras e PetroSantander Inc. Magalhães está há 12 anos à frente da empresa. “Sou neófito, vim da área de consultoria”, explica ele no webinar.

Modéstia à parte, a trajetória de bons resultados da PetroReconcavo tem muito de seu trabalho. Leia a seguir destaques de Magalhães no webinar devidamente compilados pelo Energia Que Fala Com Você:

Clique aqui para acessar o webinar.

Busca de eficiência para poços de petróleo

“Como produtores independentes de commodity, temos que buscar eficiência muito grande.

A PetroReconcavo opera desde fevereiro de 2000 no Recôncavo baiano, em princípio com contratos com cláusula de risco onde operamos campos da Petrobras.

Posteriormente, adquirimos pequenas concessões no próprio Recôncavo baiano, totalizando 17 concessões. É uma história de muito sucesso, única no país. A gente virou operador com alguma escala em terra antes de qualquer outra empresa conseguisse fazer isso.”

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Parceiros na empresa

“Temos um parceiro internacional, que é a PetroSantander, que opera basicamente campos maduros em terra na Romênia, na Colômbia e nos EUA.

Aqui no Brasil eles se uniram a sócios locais, principalmente a Perbras, com a larga experiência de operar equipamentos no recôncavo baiano, e deu origem a PetroReconcavo.”

Poços de petróleo até então inviáveis

“Já há 20 anos, nos primórdios da abertura do mercado de petróleo no Brasil, os 12 campos da Petrobras operavam em regime de preços piores do que temos agora [no começo de maio de 2020]. Esses campos eram inviáveis para operar pela Petrobras.

Eu não estava aqui na época, mas imagino que dentro do portfólio existente no Recôncavo baiano foram escolhidos, dentro desses 12 campos, alguns que tinham problemas ainda mais sérios de economicidade, ou de capacidade de desenvolvimento.

E a verdade é que nesses 20 anos nós pegamos esses campos, com reservas próximas a 9 milhões de barris devidamente certificados, e ao longo desse período geramos três vezes isso. Produzimos 28 milhões de barris de reserva.

E os campos, que na época representavam talvez 7% da produção da bacia do Recôncavo, em dezembro de 2019 subiram para mais que 14% dessa produção.”

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Expertise própria

“Isso revela que a performance da produção da PetroReconcavo, ao longo desse período, foi muito superior aos campos operados pela Petrobras na mesma bacia.

Isso se deve basicamente a uma questão que é expertise muito própria, a uma escala muito própria para operar campos maduros em terra com produtividades muito baixas. A média é de 12 a 15 barris por poço.

Investimos e aprendemos com o mercado. Criamos estrutura muito verticalizada. Percebemos distorções no mercado, principalmente em prestação de serviços, e buscamos custos competitivos.”

Sondas com operações próprias em poços de petróleo

“Em um determinado momento, passamos a operar sondas de perfuração e com oficinas de bomba próprias. Evoluímos, inclusive, para a operação em que se faz muito dentro de casa.

Isso contribuiu muito para que a gente tivesse um custo de barril por produção menor. E, também, uma expertise de geologia e de desenvolvimento de reservatórios que permitiu o aumento do volume de reserva.”

Conceito de gerar fluxo de caixa

“Estou na PetroReconcavo há 12 anos, sou neófito no tema, vim de consultoria.

Reserva é um conceito não apenas geológico, mas um conceito econômico. É aquilo que você consegue produzir economicamente, gerando fluxo de caixa positivo.

Então, tanto esforço geológico, que exigiu o desenvolvimento de projetos de longo prazo, de recuperação secundária, de injeção de água, de perfuração em fio, mas também a redução drástica de custo de operação, permitiram que vários projetos se tornassem viáveis.”

Crescimento anual de 3%

“Nesse período, chegamos a perfurar com sondas próprias 75 poços de petróleo. Tivemos, ao longo desses 20 anos, um crescimento médio de nossa produção em 3% ao ano.

É uma operação com muito sucesso. Tem muito a trazer para as bacias maduras como referência.”

Oportunidade esperada

“Além de presidente da PetroReconcavo, nos últimos oito anos participei ativamente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (Abpip), primeiro como presidente e, no momento, como vice-presidente.

Junto com outros pequenos produtores, tivemos a batalha, durante muitos anos, até conseguir uma grande vitória com o Projeto Topázio, da Petrobras, que veio trazer a oportunidade esperada.

O que nos impedia de crescer mais era a ausência de ativos disponíveis. Na medida em que esses ativos passam a ficar disponíveis, tivemos uma perspectiva de crescimento muito grande.”

Possibilidades enormes, apesar da crise

“Apesar da crise atual, as possibilidades no Brasil são enormes.

O Brasil deve produzir hoje 100 mil barris em terra. É uma produção muito pequena para o tamanho de nossas bacias.

Nos especializamos muito na questão de campos maduros e nas bacias maduras. Essa é a nossa expertise. E daí termos uma vinculação muito grande com o processo de desinvestimento da Petrobras.”

30% de avanço no Riacho da Forquilha  

“Tivemos a felicidade de ser a empresa que adquiriu o primeiro polo assinado e fechado, o do Riacho da Forquilha [por meio da subsidiária Potiguar E&P].

Esse polo foi assinado em abril de 2019, a aprovação da ANP foi oficializada em 09 de dezembro.

Assumimos uma nova operação com mais 30 campos operados por nós e quatro outros por meio de parcerias.

Nos primeiros 100 dias de operação do polo Riacho da Forquilha, chegamos a ter um acréscimo de 30% de operação de produção básica que herdamos da Petrobras.”

Diminuição no Capex

“A crise nos pegou em um momento de pé no acelerador total. Estávamos nos preparando para executar cerca de 200 intervenções de workover, talvez duas dezenas de perfurações. Já estávamos operando com três sondas, com a expectativa de entrarmos para mais duas sondas workover e uma sonda de perfuração.

Infelizmente tivemos que diminuir muito o Capex. Isso provavelmente irá postergar toda a curva de crescimento deste ativo. Mas no momento nossa prioridade é focar os ativos para que a empresa se mantenha estável, mantendo-se operando.

Ao todo hoje são 51 campos.

Mais uma vez nessa minha carreira petrolífera de 12 anos vamos à montanha-russa de preços muito altos, depois preços muito baixos. Aprendemos com as vezes anteriores e estamos aqui nos preparando com muito rigor para passar por mais essa etapa.”

Investimentos pela expertise

“Felizmente nos últimos 18 meses investimentos maciçamente em uma plataforma de operação digital, com muita instrumentação remota, muita aplicação de sistemas de produtividade, o que permitiu hoje nos adaptarmos mais rapidamente e operar com custos que nos façam sobreviver durante os momentos tempestuosos que, imagino, ainda teremos por alguns meses pela frente.”