Investimentos em gás natural no Rio podem chegar a R$ 45 bi
Terminal de Cabiúnas. Macaé/RJ. Data: 16/04/2015. Foto: Rui Porto Filho

Estudo inédito da Firjan sugere medidas urgentes e no curto prazo em favor do energético

O gás natural tem fundamental importância como combustível estratégico na retomada econômica pós pandemia do Brasil. E por ser o maior produtor do energético, o Rio de Janeiro é protagonista nessa esperada fase.

Apenas no estado fluminense, o gás natural pode gerar negócios que chegarão a R$ 45 bilhões. Isso, segundo estudo inédito da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, a Firjan.

De seu lado, o volume financeiro corresponde a investimentos a partir do destravamento do setor, aponta o documento denominado “Rio a todo Gás.”

O estudo tem por foco apresentar sugestões e soluções para projetos que utilizem o gás natural em várias atividades. A ação foi lançada em 09 de julho em reunião on-line com a participação do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

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Atualmente, as principais ações para expansão do uso do energético estão voltadas para a geração de energia elétrica.

Todavia, existe uma diversidade de investimentos nos quais o gás natural é o insumo propulsor de desenvolvimento. Entre eles: siderurgia, petroquímica, usinas de fertilizantes, expansão do GNV em veículos leves e pesados, além das indústrias de vidro, cerâmica e sal.

No entanto, para que essa diversidade seja contemplada é preciso destravar o setor.

Marco do gás natural é esperado há 30 anos

“Há três décadas já se falava da necessidade de um marco legal para o gás e, com o ‘Rio a todo Gás’. Dessa forma, sugerimos a adoção de medidas urgentes no curtíssimo e no curto prazo”, afirmou, no evento, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, presidente da Firjan.

“Nossa intenção é contribuir para sairmos de um ambiente de recessão e usar o gás para retomar e expandir a economia a partir do fortalecimento da indústria de energia, petroquímica e o GNV”, destacou.

Mapeamento de investimentos por elo na cadeia de valor do gás natural no Brasil e no Rio:

Fonte: Firjan

Avanço ‘tímido’ vem desde 2016

Em síntese, o estudo aponta o avanço do gás natural.

Por exemplo: desde 2016, “mesmo que de forma tímida, foram dados passos importantes para o avanço em uma nova estrutura de mercado no Brasil.”

Em sintonia a esses passos foram destacados, entre outros, o Programa Gás para Crescer. Também, o Projeto de Lei para revisão do marco regulatório, que é considerado como prioritário pelo Ministério de Economia. Isso em 2020, além de avanços na regulação de diversos estados para construir um mercado cativo e livre de gás.

“O gás ganhou destaque, mas não ganhou celeridade”, atesta o documento da Firjan.

Nesse momento de crise mundial aguda, de subdemanda, sobreoferta e reflexões sobre a importância da redução da dependência externa, se faz ainda mais premente a compreensão do papel estratégico do gás natural.

Conforme o estudo, “assim como assistimos no caso do óleo do Pré-Sal, também para o gás natural é fundamental o uso de tecnologia para superar desafios associados. É com o desenvolvimento de tecnologias que custos são reduzidos. Além disso, produtos finais podem ser viabilizados e novas soluções, como a geração de energia offshore a gás natural e liquefação em alto mar, podem ser oportunizadas.”

Diversificação de players no mercado

A reunião também deu destaque sobre a necessidade de diversificar a participação de novos players no mercado de gás. Luiz Césio Gaetano, vice-presidente da Firjan quem teve a iniciativa do assunto.

O profissional também deu um alerta. É importante se atentar ao alto custo do insumo no país. Afinal, a tarifa final para o consumidor industrial é 7,4 vezes maior do que o preço na boca do poço.

“41% do produto reinjetado no poço equivale a 100% do consumo industrial fluminense”, exemplificou.

Por sua vez, o ministro Bento Albuquerque lembrou no evento ser prioridade do governo federal a aprovação do Projeto Lei 6407/2013, que estabelece o tão esperado marco regulatório do gás natural.

“A abertura propicia novos investimentos em regiões como Norte e Nordeste, atém do Rio de Janeiro, que é a capital do petróleo e gás”, destacou.

“Oportunidade de transição energética”

Foto: Arquivo pessoal

Para Daniel Pereira, gerente de produto da Reed Exhibitions e responsável pela feira Brasil Offshore, “a indústria de energia vê no gás natural uma oportunidade de transição energética, visto pela produção dos últimos anos provindas do Pré-Sal.”

“Ainda há entraves de lei, como o marco regulatório, que são discutidos pelo setor. Mas de fato é algo irreversível”, destaca.

Segundo ele, o gás natural vem ganhando espaço a cada dia, tendo em vista as projeções de grandes Oil Companies que miram investimentos milionários para construção de unidades de processamento de gás natural do Pré-Sal.

“E quem se beneficiaria com isso, além é claro do nosso Brasil, são as cidades do norte fluminense especificamente a cidade de Macaé”, afirma.

“A Capital Nacional do Petróleo, como conhecida no setor, passa a se reestruturar para esse novo cenário de transição energética e de grandes oportunidades de crescimento.”

Pereira faz uma recomendação: “sugiro aos próximos gestores municipais que desburocratizem as atividades relacionadas ao setor, visando crescimento a curto e médio prazo.”

“Bem como pensem em mudar a famosa placa na entrada da cidade de Macaé para: A Capital Nacional da Energia.”

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