Do álcool em gel à energia, um brinde a uma molécula: o etanol

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Do álcool em gel à energia, um brinde a uma molécula: o etanol
Foto: Pexels

De Alicia Kowaltowski, da Nexo Jornal

Em 2020 redescobrimos a potência desse pequeno e notável composto, capaz de nos proteger de vírus, mover automóveis, preservar alimentos e nos trazer uma breve sensação de felicidade

No início dos períodos de quarentena, houve um aumento de venda de bebidas alcoólicas para consumo em casa. Não é surpreendente, pois o álcool presente em bebidas alcoólicas (e mais especificamente um álcool de dois carbonos, chamado etanol) tem efeito repressor em nossos neurônios, agindo principalmente nos circuitos inibitórios de nosso cérebro, quando ingerido em quantidades menores. A consequência é uma diminuição da inibição e vergonha e aumento relativo de nossa sensação de euforia e felicidade.

Não é inesperado, portanto, que pessoas busquem no álcool a sensação de alegria, mesmo que temporária, ao presenciar as enormes e tristes transformações ocorrendo no mundo atual. Mas sabemos também que a felicidade trazida por bebidas alcoólicas não é inócua. Alcoolismo é um problema de saúde pública, e, num país que produz álcool em altas concentrações a baixo custo na forma de cachaça, a nossa distópica e prorrogada situação pode levar ao aumento preocupante dessa doença.

Dentro de nossos corpos, e principalmente no fígado, o etanol é metabolizado por uma enzima que retira elétrons da molécula, gerando uma nova molécula chamada acetaldeído. O acetaldeído é perfeitamente natural, mas, como muitas outras moléculas naturais, é também bastante tóxico. Causa a sensação de ressaca e pode destruir tecidos, levando aos problemas de saúde associados ao alcoolismo. Mas por que teríamos uma enzima dentro de nós que produz um produto tóxico? Na realidade, o acetaldeído é apenas um intermediário do metabolismo de etanol, que no passo seguinte é metabolizado por outra enzima para gerar ácido acético (o mesmo composto do vinagre). O ácido acético é então convertido em energia nos nossos corpos, ou, se não houver necessidade de energia imediata, é incorporado em moléculas de gordura, e estocado para uso posterior.

De fato, apesar de ser uma molécula pequena, o etanol é bastante rico em calorias. É por esse motivo que evoluímos para metabolizar esse composto e aproveitar a sua energia. Porém, não evoluímos para lidar com quantidades grandes de etanol. Nossos corpos foram preparados pela evolução para ocasionalmente metabolizar algumas dessas moléculas, porque de vez em quando todo mundo come alguma coisa podre, contendo álcool e outros produtos de fermentação.

Essa é uma seleção de conteúdo da Reed Exhibitions sobre o mercado. Para continuar lendo, visite o site Nexo Jornal com a matéria completa