Mercado de energia se prepara para o novo PLD

Indicador, que hoje possui valor semanal, passará a ter atualização a cada hora

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O mercado de energia elétrica ganhará a partir de janeiro de 2021 o novo Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Trata-se de indicador de regulamentação dos contratos de compra e venda de energia elétrica e cujo valor hoje é calculado uma vez por semana. A novidade é que a partir de janeiro ele terá atualização horária.

Mas a versão a cada hora não é novidade, pelo menos entre os profissionais do setor energético. Ela é discutida há quase duas décadas e deveria vigorar em 2019, porém foi postergada para janeiro próximo.

Mas por que mudar a versão de semanal para diária e quais seus impactos no universo de energia elétrica?

Energia Que Fala Com Você integra a seguir informações sobre a novidade que, a pouco menos de cinco meses de entrar em vigor, ainda gera euforia e dúvidas entre os agentes do mercado, sejam eles geradores, distribuidores, consumidores ou comercializadores.

Para início de conversa, o PLD horário é um tema árduo até mesmo para experientes profissionais do setor. Não à toa, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), responsável pelo cálculo do indicador, promove eventos periódicos para destrinchar o assunto. Apenas em julho último, realizou duas videoaulas para esmiuçar o novo modelo e as novidades trazidas por ele.

Dá valor à energia no curto prazo

Antes de mais nada, é bom reforçar o que é PLD. No jargão técnico, ele é calculado para valorar a energia liquidada no Mercado de Curto Prazo (MCP).

É assim: quando um agente comercializador tem mais energia elétrica disponível do que a já negociada em seus contratos de venda, é por essa precificação que este excedente será valorado. Da mesma maneira, uma usina geradora que não produziu o suficiente para cobrir tudo o que seus clientes contrataram irá pagar esse déficit valorado ao PLD.

Pois bem. O indicador estipula o valor do megawatt-hora (MWh) e, na primeira semana de agosto, ele foi cotado em médios R$ 93.

Sendo assim, se o agente tem energia sobrando, o valor de cada MWh dessa sobra é precificado em R$ 93. A situação é a mesma para a usina que produziu abaixo do que deveria entregar.

Mudança na dinâmica

Hoje, a CCEE divulga o PLD semanal toda sexta-feira, considerando três patamares de carga: o leve, o médio e o pesado, que agrupam horários com perfis semelhantes de consumo. Os preços valem para a semana operacional seguinte.

A chegada do PLD horário trará mudança significativa nesta dinâmica. Isso porque diariamente serão calculados valores horários do dia seguinte e para cada um dos quatro submercados do país (Norte, Nordeste, Sul e Sudeste/Centro-Oeste) apurados pela Câmara.

“O grande benefício é que esta metodologia torna o modelo de precificação da energia mais próximo da operação física do sistema”, destaca a CCEE em relato. Clique aqui para saber mais a respeito. De seu lado, o dinamismo do novo PLD é ancorado por temas e palavras só dominadas por quem está bem por dentro do mercado de energia.

Leia também: Novas tecnologias pressionam por mudança na regulação de energia

Entre elas estão, por exemplo, o preço horário ‘sombra’. Em síntese, esse tem o objetivo de antecipar os eventuais impactos da adoção do preço horário.

A CCEE oferece material para entender o preço ‘sombra’ e o modelo que irá estruturar as informações. Clique aqui para ler o conteúdo.

Em resumo, o sistema que irá estruturar os dados é o Modelo de Despacho Hidrotérmico de Curtíssimo Prazo (Dessem), adotado desde janeiro deste ano pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) na programação de operação. Quer saber mais? Clique aqui.

Expectativa do mercado com a PLD

Mas e o que esperar da segunda fase do PLD horário, que está programada para a partir de janeiro próximo? Entidades representativas de geradores concordaram com a postergação da entrada do novo indicador de janeiro último para o mesmo mês de 2021.

Motivo: obter mais tempo para o mercado entender e se adaptar à nova realidade.

Entretanto, há clima otimista para usinas geradoras de energia. É o caso, por exemplo, da fonte solar fotovoltaica. As simulações indicam que essa fonte proporciona a maior parte de sua geração em horários nos quais a energia elétrica é mais demandada. Ou seja: se a demanda é maior, a remuneração cresce.

A rentabilidade também tende a aumentar para geradores com condições de armazenar a matéria-prima. Aqui entra o biogás, produzido a partir de vinhaça da cana-de-açúcar. Essa matéria pode ser acionada para gerar biogás e a consequente eletricidade em horários de maior demanda.

Para os consumidores de energia, principalmente os grandes, o PLD horário também tende a confortar. Isso porque os geradores terão incentivos para produzir e, assim, garantir a oferta. Até a entrada em vigor do novo PLD, os debates, as videoaulas e as dúvidas deverão persistir. E ainda há tempo de buscar soluções. Depois será o período de adequação, até porque a chegada desse novo personagem no mercado de energia já é fato consumado.