Desinvestimentos de ativos offshore criam mercado gigantesco, afirma Mauro Destri

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Desinvestimentos de ativos offshore criam mercado gigantesco, afirma Mauro Destri
Foto: Pexels

Pelo menos 20 campos e 35 plataformas entram no universo de ativos offshore a serem desinvestidos nos próximos anos no Brasil. Trata-se de um gigantesco mercado que cria negócios em cadeia no setor de O&G.

Para incentivar esse nicho, Mauro Destri, especialista em descomissionamento de plataformas, sugere a criação de um programa como o REATE, só que focado no offshore. E o batizou de REMAR.

Em entrevista para o Energia Que Fala Com Você, Destri comenta sobre o Remar, desinvestimentos offshore e o que falta para esse nicho avançar no país.

Qual é sua projeção para o mercado de desinvestimentos offshore brasileiro no horizonte entre cinco a dez anos?

Mauro Destri – Minha consultoria, a Destri Consulting, presta avaliações aprofundadas, mas vamos falar em tese: podemos dizer que nesse universo há pelo menos 20 campos de petróleo e em torno de 35 plataformas.

Por que esse mercado de desinvestimentos em campos no mar não avança? É culpa da burocracia, da falta de segurança jurídica, ou as empresas desconhecem o potencial do negócio?

Mauro Destri – Dos três. Mas estamos avançando muito. A própria ANP tem fomentado de forma mais agressiva, apesar de mais recentemente esta atividade [ter sido afetada] por parte das operadoras desinteressadas por campos menores e menos lucrativos. Por isso entendo que o REMAR, ou outro nome que queiram batizar, sem vaidades, pode acelerar ainda mais e resolver o tripé que você colocou acima de obstáculos.

Como surgiu a ideia de batizar o trabalho como REMAR?

Mauro Destri – O batismo foi uma livre proposta, porque o REATE trata da terra e, minha ideia, apesar de alguns pensarem assim até que começo a explicar, não se restringe a campos maduros e marginais, somente em águas rasas, mas em todo offshore brasileiro que esteja nesta condição.

Sendo assim, até Marlim, por exemplo, se enquadra na série de benefícios que uma programa dessa envergadura pode proporcionar, desde problemas com licenciamentos ambientais, passando por desafios no midstream e downstream até lides com fornecedores de bens e serviços. Como dizia o coelho de Alice No País das Maravilhas: “Muito a fazer em tão pouco tempo”.

Leia também: Descomissionamento de ativos cria mercado promissor

Caso as instituições públicas (ANP, MME) e políticas (Congresso, Executivo) consigam acelerar iniciativas em favor do REMAR, quais, em sua opinião, devem ser os próximos passos para incentivar o programa?

Mauro Destri – Temos de seguir a linha acertada e vitoriosa do REATE. Apresentar ao Ministro do MME, ele entender que realmente é pertinente para o país e, a partir daí, criar o grupo de trabalho (GT) com as partes interessadas em todo território nacional, de órgãos reguladores, passando por associações e instituições como o IBP / ABPIP / SESI / ONIP / FIRJAN / etc. e obviamente poderá contar com a Destri Consulting.

Há a cadeia de empresas fornecedoras e, em recente webinar, o senhor citou o movimento REPENSAR Macaé. Ele entra para integrar os ‘atores’ (fornecedores) para atender a esse nicho do mercado de O&G? 

Mauro Destri – Não. O movimento REPENSAR vem justamente na linha de identificar oportunidades para Macaé e região, além das fronteiras da cadeia produtiva do O&G.

Mas não dispensa a energia, por meio de termelétricas, UPGN, etc. e os fornecedores de bens e serviços da região são peças fundamentais neste novo olhar e, acabam, obviamente, criando um sentimento de corpo, de unidade em torno de um bem comum, que é a manutenção e o desenvolvimento longevo e sustentável de toda região.

Foto: Divulgação

O senhor é uma referência quando se fala em descomissionamento. E tem gerido iniciativas para atrair empresas privadas ao mercado de desinvestimentos em campos maduros e marginais também no mar. Descreva sua atuação a respeito.

Mauro Destri – Sou um entusiasta do setor e entendo que todos os brasileiros têm o dever de incentivar o seu desenvolvimento e fortalecimento.

Minha atuação acontece de diversas formas, vejamos:

– Palestras em todo o Brasil para alunos das mais diversas universidades, por meio de seus capítulos estudantis da Sociedade de Engenheiros de Petróleo (SPE). Inclusive, por conta deste trabalho, totalmente voluntário, recebi em 2019 o prêmio da SPE INTERNATINAL, South américa & Caribbean Region, que foi o “Regional Service Award”;

– Ainda como membro da SPE, sou consultor voluntário de alunos de graduação espalhados pelo mundo inteiro, tratando justamente deste tema;

– Atuo na SPE, mas não sou engenheiro, sou contador. Todavia minha experiência no setor, depois de mais de 40 anos de trabalho, me credenciaram a tal empreitada;

– Sou orientador de diversos alunos de diferentes instituições em seus TCC de graduação; Dissertações de Mestrado e teses de Doutorado, sempre em temas ligados ao setor de O&G, da exploração ao DECOM;

– Escrevi mais de 30 artigos ligados ao setor, publicados em parceria com a EPBR;

– Recentemente criei meu canal no Youtube onde vou colocar uma série prevista para mais de 50 vídeos curtos com explicações sobre o setor;

– Criei um programa para webinares chamado PAPO COM DESTRI, onde entrevisto personalidades e pessoas de notório saber sobre o tema, tirando várias dúvidas do setor;

Em nota, o entrevistado ainda diz

– Ministro aulas para UFF, sobre o tema DECOM;

– Ministro aula na Pós Graduação de Petróleo e Gás para a UFRJ, sobre o tema;

– Como consultor de uma operadora, participo do comitê de águas rasas no IBP, junto a diversas operadoras do setor, sempre discutindo o tema;

– No comitê acima, sou coordenador de um GT, junto com diversas operadoras e a ANP, que trata de incentivos regulatórios para o setor;

– Participei ativa e voluntariamente da revisão da RANP 27/2006, que culminou na RANP 817/2020, inclusive todo um capítulo teve diversas de minhas contribuições aceitas e publicadas;

– Ainda no IBP participo da elaboração da nova RANP sobre garantias financeiras para DECOM, que trará grandes novidades para o setor;

– Por fim, a partir de todas estas ‘andanças” e atividades extensas, identifiquei que o pré-sal vai muito bem, com incentivos dos mais variados, assim como o onshore ressurgiu das cinzas com o REATE, mas o setor de Campos Maduros e Marginais no offshore ficou à margem e tem necessidades específicas. E um potencial enorme de geração de riquezas para o país. Então pensei que tínhamos de criar algo específico e resolvi batizar de REMAR e dividir a ideia com toda a minha comunidade nas mais diversas redes.

Fique à vontade para comentar mais sobre o tema. 

Maro Destri – Finalizando: como destaquei sou um entusiasta do setor, obviamente que a pujança da época em que a Petrobras era a concessionária de todos os campos hoje maduros e marginais não voltará mais. Seu portfólio de investimentos está à disposição, e com toda a razão, da maior riqueza descoberta no Brasil na era moderna que é o pré-sal.

Todavia, nossas outras bacias já maduras, ainda são como belas panelas velhas, por darem comidas muito boas.

As extensões de vida útil que virão com certeza para estes campos irão ter uma séria de consequências fantásticas, vejamos: a) extensão do tempo de pagamento de participações governamentais; b) manutenção e/ou aumento na oferta de empregos; c) manutenção em operação de toda uma cadeia de fornecimento de bens serviços; d) proporcionará o desenvolvimento social nas comunidades no entorno, etc.

Que a ideia do REMAR nos leve a todos a REMAR na direção do nosso aumento do fator de recuperação e, com a consequente “recuperação” de um setor tão sofrido nos últimos anos.

Obrigado e vamos REMAR juntos???