O que o setor energético pode ensinar aos demais sobre compliance?

Por Eduardo Tardelli, CEO da upLexis

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Quando o assunto é compliance, o alto nível de regulação torna o mercado de energia elétrica mais maduro que a média dos outros setores. Isso porque, mais do que em qualquer setor, o combate à corrupção e o incentivo a boas práticas nesse cenário são assuntos levados muito a sério.

Em uma pesquisa sobre a Maturidade do Compliance, realizada em 2018 pela empresa de auditoria e consultoria KPMG, as energéticas tiveram resultados melhores referentes a um processo autodeclaratório, superando todos os segmentos – com exceção dos meios financeiros.

Outro ponto interessante que atesta a preocupação maior deste setor com a ética e integridade é o número de organizações certificadas com o Selo Empresa Pró-Ética, concedido pela Controladoria Geral da União às organizações. De 23 empresas que conquistaram a certificação no último ano, sete delas são desse ramo.

O objetivo por trás desta ação é incentivar e promover um ambiente corporativo mais íntegro e transparente no Brasil. Mesmo sendo altamente complexo, dividido em três grandes negócios (geração, transmissão e distribuição), o mercado de energia elétrica conquistou esse patamar por ser altamente regulado, evitando altas multas, sanções e possíveis manchas na imagem das marcas que o comandam. Para tanto, as organizações estão sempre de olho em inovações e práticas cada vez mais eficazes, e, por isso, tornaram-se referência no assunto.

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O caminho para espelhá-los passa por entender, primeiramente, que para implementar um eficiente programa de compliance, os gestores devem se comprometer inteiramente, pois diversas mudanças irão acontecer e devem ser comunicadas a todos a fim de criar uma cultura de integridade.

Em paralelo, é importante conhecer a fundo seu mercado, suas sores, normas e leis, tendo em vista que os principais cuidados devem ser nos aspectos regulatórios, trabalhistas, relacionamento com agentes públicos, terceiros e proteção de dados, entre muitos outros.

Vale também inspirar-se em que lidera o movimento de transparência e investir em soluções para controlar e otimizar processos, reduzindo tempo e custos. A mineração de dados e big data são dois exemplos de tecnologias bastante úteis quando falamos nesses pontos, pois ambas são capazes de munir gestores, analistas e diretores com dados assertivos para tomadas de decisões.

A checagem de terceiros, a realização de auditorias, due diligence, prevenção à lavagem de dinheiro, entre outras, são outros bons exemplos de práticas que costumam envolver a coleta e análise de muitos dados. Quanto mais pioneira e eficaz for a tecnologia por trás dessas ações, melhores serão os resultados!