Índice de Confiança do setor eletroeletrônico registra terceira alta seguida

Indicador de agosto atinge 58,2 pontos, maior resultado desde a chegada do novo coronavírus

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Mão de pessoa branca manuseia pequena solda em circuito de transmissão eletrônico

Os empresários do setor eletroeletrônico do país retomam a confiança depois dos meses da pandemia do novo coronavírus. É o que destaca o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Setor Eletroeletrônico.

Produzido a partir de dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) agregados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o indicador registra resultados positivos.

O último deles, de agosto, alcança 58,2 pontos, 10,9 pontos acima do verificado em julho (47,3). É o terceiro aumento consecutivo desse indicador.

Os números revelam otimismo, conforme avaliações de executivos da Abinee feitas a pedidos do Energia Que Fala Com Você.

“A elevação do ICEI da indústria eletroeletrônica merece ser celebrada”, atesta a entidade. E qual o motivo dessa celebração?

“O ICEI é um indicador que antecede o desempenho da atividade e a retomada da confiança é o passo inicial para a retomada da atividade”, relatam os executivos para o Energia Que Fala Com Você.

“É a confiança que define a determinação do empresário aumentar a produção e os investimentos.”

Em comunicado distribuído pela Abinee, seu presidente, Humberto Barbato, vai além: “temos observado em diversos indicadores que estamos superando o momento de dificuldades e que nosso setor já começa a recuperar seu nível de atividade normal.”

Índice de Confiança supera linha divisória

A declaração do presidente da Abinee confirma o otimismo do ICEI de agosto, de 58,2 pontos, que ultrapassou a linha divisória de 50 pontos pela primeira vez desde a chegada do novo coronavírus no Brasil, em meados de março.

Funciona assim: o ICEI varia de 0 a 100 pontos, sendo que valores acima de 50 pontos revelam confiança do empresário industrial. De outro lado, resultados abaixo de 50 apontam falta de confiança.

Confira os dados do Indicador:

ICEI revela alta seguida

*Índice de Confiança do Empresário Industrial
**Integra empresas das áreas elétrica e eletrônica
Fonte: Abinee

Compare os índices ‘geral’ e eletroeletrônico

Clique aqui para acessar o relatório do ICEI

“Passo inicial para a retomada da atividade”

É o que destacam executivos da Abinee em respostas a questões formuladas pelo Energia Que Fala Com Você.

Confira as respostas e avaliações da equipe da entidade:

É possível dizer que as altas mensais do ICEI são uma tendência?

A elevação do ICEI da indústria eletroeletrônica merece ser celebrada. O ICEI é um indicador que antecede o desempenho da atividade. A retomada da confiança é o passo inicial para a retomada da atividade. É a confiança que define a determinação do empresário aumentar a produção e os investimentos.

O fato de verificarmos três meses com aumentos consecutivos sugerem que o pior ficou para trás.

Essa situação também vem sendo apontada em outros indicadores do setor (ver a última sondagem).

O que, segundo a Abinee, é preciso ser feito para manter a sustentabilidade de crescimento do ICEI da indústria eletroeletrônica?

O ambiente ainda é de cautela. As empresas do setor eletroeletrônico esperam uma retomada gradual da atividade, porém permanecem as incertezas quanto à evolução da pandemia.

As próximas ações que serão realizadas pelo governo para amenizar os impactos da Covid-19 na economia são fundamentais para a retomada da atividade.

O comportamento do setor eletroeletrônico é muito atrelado ao desempenho do país, pois depende de investimentos.

A boa notícia é que a partir da segunda da semana de julho, começaram a ser observadas, todas as semanas, pequenas reduções na taxa negativa projetada para o PIB para 2020. Na última divulgação do Boletim Focus do Banco Central, no início dessa semana, a projeção estava em -5,46%, resultado mais favorável do que o verificado em junho, que estava em -6,54%.

Há outros indicadores positivos que interagem com o setor eletroeletrônico, como o de consumo de energia que, segundo a Câmara de Comercialização, cresceu 3,8% no mercado livre nas duas primeiras semanas de agosto. É possível dizer que o país retoma a normalidade? 

Não, essa informação não indica necessariamente a retomada pois não há aumento do consumo global de energia, e sim uma transferência do consumo do mercado cativo para o mercado de energia livre. Na realidade o consumo do mercado total diminuiu 11% de janeiro a junho na comparação com o mesmo período do ano passado.

Leilões como o megaleilão de transmissão, esperado para dezembro, e expectativa sobre a chegada do 5G em 2021 são dois exemplos de fatos positivos. Para quem fornece para esses setores seria o caso de investir já, mesmo diante o real enfraquecido, ou será melhor esperar mais um pouco até porque há projeções de que o real tende a ficar fortalecido?

Na verdade, não será um megaleilão, mas uma junção de dois leilões de energia.

A decisão de investimentos não deve estar atrelada apenas a taxa de câmbio. Conforme o Boletim Focus a projeção para o dólar está em R$ 5,25 para o final desse ano e R$ 5,00 para o final de 2021.

Porém estamos em um período de muita volatilidade com a tensão comercial entre os Estados Unidos e China, eleições americanas, tensão política no Brasil, tudo isso em um cenário de pandemia. No curto prazo, o mundo está voltado para as eleições norte americanas.

Como os bancos de fomento, principalmente o BNDES, devem atuar nessa fase? A indústria vem reivindicando linhas de financiamento com taxas de juros menores, pois estas estão muito elevadas. Infelizmente, entretanto, na prática, os custos de financiamento do BNDES estão inviabilizando o financiamento da instituição nos projetos do setor.