Por que a indústria tem (muito) a ganhar com a Manufatura Aditiva

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Em fundo preto, ilustração em tom azul claro mostra o termo 3D em quadro azul que simula tela de computador

Redução de custos e ganho de produtividade. Estas palavras integram a pressão diária enfrentada por gestores de empresas industriais do Brasil. E essa situação cresceu ainda mais por conta da pandemia do covid-19, que interrompeu o ritmo da economia.

Para se te ideia, apenas em abril, no pico da pandemia, 62% das empresas da indústria eletroeletrônica reduziram a produção ante o mês interior, conforme sondagem da Abinee.

Ainda segundo outro estudo da Abinee, em julho os custos de componentes e de matérias-primas seguiam acelerados para o setor, que depende de importados. Essa alta se deve, em sua maioria, à desvalorização cambial e aos preços dos fornecedores estrangeiros.

Diante essa realidade, dá para entender como está o nível de pressão por cortar despesas e ampliar a produtividade. A boa nova é que isso pode ser empreendido sem desembolsos que exijam recorrer a crédito junto a instituições financeiras.

Em resumo, existem várias estratégias nesse sentido. Um bom exemplo é o conceito chamado de Manufatura Aditiva. Em outras palavras, trata-se de processo de manufatura que consiste na produção de peças por meio de impressoras 3D.

Antes de entrar fundo nos avanços dessa nomenclatura no setor industrial, seguem informações básicas que Energia Que Fala Com Você apurou junto ao portal da Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha (VDI-Brasil), criada em 1956 com a função de desenvolver soluções para a cooperação em engenharia, tecnologia e inovação entre os dois países.

Manufatura Aditiva surgiu como contraponto

Em primeiro lugar, a origem: a nomenclatura Manufatura Aditiva surgiu como contraponto do sistema de produção tradicional, que passou a levar o nome de Manufatura Subtrativa.

De forma resumida, funciona assim: no procedimento subtrativo as máquinas trabalham com a moldagem da matéria-prima bruta, removendo as partes desnecessárias até transformá-la no produto.

A subtração, no caso, representa a etapa de remoção, em que grande parte da matéria-prima é descartada.

Em segundo lugar, vem a Manufatura Aditiva. Ela faz justamente o oposto da Subtrativa: uma vez que a produção é feita por meio da adição de camadas sobre camadas até a concepção do produto. E sem gerar desperdícios de materiais.

A VDI-Brasil destaca algumas das vantagens da Manufatura Aditiva:

  • Permite que um mesmo equipamento possa ser utilizado para incontáveis finalidades;
  • Ao contrário do modelo de manufatura tradicional, em que cada máquina possui um molde próprio, específico para determinados fins, com a técnica de impressão 3D é possível criar itens baseados em projetos personalizados;
  • O processo de Manufatura Aditiva funciona mediante a realização de um projeto 3D desenhado em um software de desenho digital, então convertido em objeto físico pela impressora 3D. Para a criação desses itens entram plástico, resina, cerâmica ou metal.

Impressão 3D tem mais de 36 anos

Ingrediente estratégico da Manufatura Aditiva, a impressão 3D está para completar 40 anos de vida. A técnica foi realizada pela primeira vez há 36 anos, em 1984, nos Estados Unidos.

De todo modo, somente nos últimos cinco anos ela ganhou popularização. A demora dessa popularidade não tem a ver com a qualificação da técnica, mas por questões envolvendo patentes. Ou seja, era preciso investir alto para ter uma impressora dessas.

De 2014 para cá, com o fim da patente, os preços caíram e a tecnologia tornou-se acessível. Mas qual são exemplos práticos de ganhos com a Manufatura Aditiva?

A VDI-Brasil atesta que a implementação na indústria possibilita, por exemplo, a concepção de peças únicas, utilizando geometria complexa, sem que o projetista precise sequer sair do escritório.

Lembre que com a Manufatura Subtrativa a elaboração de um desenho de protótipo exige a criação de um molde com as medidas e formato específicos para ele. Só depois disso é que se pode começar a construir o objeto.

Com a impressão 3D, não há obstáculo entre a finalização do desenho no software e sua materialização. Ou seja: se um projetista termina seu projeto pela manhã, no período da tarde ele já pode estar com o item físico em mãos para realizar os testes.

Em termos mundiais, a Manufatura Aditiva só avança. O relatório global Wohlers Report, espécie de bíblia do tema na indústria, indica que as vendas de sistemas de Manufatura Aditiva para o nicho de metais cresceram em 80% entre 2016 e 2017. Para se ter ideia, 983 sistemas foram comercializados em 2016 e 1.768 no ano seguinte. Clique aqui para acessar o relatório.

Por fim, a VDI-Brasil lembra que, ainda que seja uma prática relativamente nova, a Manufatura Aditiva já tem papel fundamental em alguns campos da indústria.

E quais são esses campos? Saúde, Automotiva, Energia, Aeroespacial e Bens de Consumo, segundo a Associação.

Uma usuária é a Airbus, uma das maiores produtoras de aeronaves do mundo, que já emprega a tecnologia de impressora 3D para produção de peças. Os produtos criados são mais leves, resistentes e geram menor custo para a companhia. Clique aqui para saber mais a respeito.

Assim como a Airbus, a MWM, fabricante de motores diesel e geradores de energia, começou, em setembro, a fabricar motores para caminhões VW a partir da tecnologia 4.0, que inclui a Manufatura Aditiva. Leia mais clicando aqui.

Mas há percalços. Tem o valor dos materiais usados para impressão, necessidade de pós-produção dos itens após a impressão, valor das impressoras 3D, dentre outros. Um modelo de impressora dessas de entrada custa em média R$ 2 mil, já o profissional passa de R$ 50 mil.

A VDI-Brasil também alerta: a Manufatura Aditiva não chega como alternativa para substituir o modelo tradicional de produção em massa, mas sim como complemento. E que torna o processo de manufatura mais rápido, preciso, econômico e efetivo.

Em resumo, a Associação atesta que a Manufatura Aditiva possui futuro promissor. “Com os avanços apresentados diariamente pela tecnologia, é notável que essa revolução já começou e é só questão de tempo até essa prática se expandir e se consolidar na indústria, levando a produção a outro patamar”, relata a associação.