Debêntures incentivadas somam R$ 13,3 bilhões em investimentos em etanol e em canaviais

Aportes permitem produtores de biocombustíveis ampliarem a produção em sintonia com o RenovaBio

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Debêntures incentivadas somam R$ 13,3 bilhões em investimentos em etanol e em canaviais
Crédito: UNICA/Divulgação

As empresas Ipiranga Agroindustrial, Usina Colombo e Inpasa Agroindustrial são cases do setor sucroenergético. As duas primeiras apresentam seguidos resultados positivos de produtividade em suas unidades no interior paulista. Já a Inpasa, controlada por grupo do Paraguai, é expoente na produção de etanol a partir do milho com duas unidades no Mato Grosso.

Mas além das excelentes performances, Ipiranga, Colombo e Inpasa têm algo a mais em comum: as três integram a lista de companhias sucroenergéticas com autorização para emitir debêntures incentivadas.

Debêntures incentivadas?

De forma resumida, essas debêntures são isentas de imposto de renda e financiam projetos para ampliar a produção de etanol.

Para ter direito à emissão, a empresa precisa estar enquadrada em requisitos do Ministério de Minas e Energia (MME). Só então é publicada portaria com autorização para as transações.

Clique aqui para saber detalhes a respeito.

Oficializadas em outubro de 2019, essas debêntures são estratégicas para o setor sucroenergético ampliar a produção de biocombustíveis. E o número de emissões dos títulos revela saldo promissor.

Às vésperas de completar um ano de vida, as debêntures estão autorizadas em 12 empresas do setor. E somam investimentos de R$ 13,3 bilhões.

As mais recentes portarias de enquadramento foram publicadas pelo MME no último dia 03 de setembro e contemplam as empresas sucroenergéticas Raízen S/A (clique aqui para acessar a portaria do MME), Alcoeste S/A (portaria) e a Açucareira Quatá/Grupo Zilor (clique aqui).

Debêntures incentivadas: sintonia com o RenovaBio

Todavia, os aportes disponibilizados por meio dos títulos focam investimentos em ganhos produtivos e na renovação de canaviais. No entanto, independente do objetivo ele está em sintonia com o programa de Estado RenovaBio.

Em vigor desde janeiro deste ano, o RenovaBio externaliza as potencialidades dos biocombustíveis como redutores de emissão de gases geradores do efeito estufa.

Por sua vez, esse programa permite às unidades produtoras certificadas emitirem créditos de descarbonização, equivalentes cada um a uma tonelada de gás carbônico que deixa de ser lançada na atmosfera.

Esses títulos são comercializados na B3, a bolsa de valores de São Paulo.

Leia também: Biocombustíveis fazem o Brasil ser destaque mundial em redução de emissões

A explicação pode parecer complexa, mas, em resumo, significa que quanto menos óleo diesel a usina usar no processo de produção de etanol, crescem suas oportunidades de emitir os créditos.

Em uma conta simples, as usinas precisam de médios 1 mil litros de etanol produzidos para lançar um desses créditos, chamados de CBIOs.

Mas quem investir em plantio de canaviais seguindo o critério de menor uso do poluente diesel – empregado em tratores e em implementos, entre outros – obtém a ‘senha’ para avançar no RenovaBio e poderá lançar CBIOs com produção menor de litros.

Daí as usinas contempladas pelas debêntures incentivadas empregarem os recursos em renovação de canaviais.

Sabe quantos hectares de cana dá para renovar caso todos os R$ 9,3 bilhões das debêntures fossem aplicados nesse investimento? Seriam suficientes para plantar 1,9 milhão de hectares, uma vez que se gasta em média R$ 7 mil para cultivar um hectare.

Por sua vez, o 1,9 milhão de hectares representa 21% dos 9 milhões de hectares cultivados com cana em todo o país.

Reforço de investimentos

Os números anteriores destacam a importância das debêntures incentivadas para reforçar o setor sucroenergético, que, assim como outros setores produtivos, foi seriamente afetado com a queda na demanda por conta da pandemia da covid-19.

No caso das usinas de cana, a situação também é agravada há anos diante o comportamento oscilante dos preços do petróleo. É comum o valor do barril cair, o que puxa para baixo o preço da gasolina e, assim, a demanda pelo biocombustível também cai.

De seu lado, em comunicado recente o Ministério de Minas e Energia destaca que “a utilização desse mecanismo [debêntures] para o setor de biocombustíveis somente se tornou viável a partir da perspectiva de crescimento do seu mercado, gerada com a implementação do RenovaBio.”

Com os investimentos em renovação de canaviais e na produção de etanol por meio das debêntures, o setor produtivo faz sua parte na trajetória de ampliar o papel dos biocombustíveis na matriz energética nacional.

Sem esquecer que os aportes aquecem – e muito – a economia. Afinal e contas, trocar os canaviais velhos por novos movimenta toda uma cadeia que vai de insumos, mão de obra, implementos e tecnologia em terras canavieiras espalhadas por pelo menos 10 estados brasileiros.

Contatos com o autor deste conteúdo: delcymack@gmail.com