China acelera importações do petróleo brasileiro
Imagem: Techno Supply

O petróleo brasileiro retoma as exportações em um ano marcado pela pandemia da covid-19. Inicialmente, os resultados de agosto são um atestado da situação; os embarques totalizaram US$ 1,4 bilhão, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

De seu lado, o montante apresenta déficit de 23% ante o resultado de US$ 1,9 bilhão apurado em agosto de 2019. Isso, conforme levantamento da Agência, que apresenta valores FOB, ou seja, até os embarques do produto.

A China é nosso maior cliente importador e você lerá mais a respeito neste conteúdo.

Aqui também é preciso um reparo com viés positivo; o balanço de exportações brasileiras de petróleo ocorre diante uma pandemia que paralisou a economia por vários meses seguidos.

Sendo assim, o saldo de exportação de óleo cru de petróleo e de minerais betuminosos no acumulado do ano deve ser motivo de destaque. Afinal, isso somou US$ 8,7 bilhões. Contudo, esse montante é 12,90% inferior aos US$ 10 bilhões levantados com as exportações dos oito primeiros meses de 2019, segundo a ANP.

Rio concentra reservas do petróleo brasileiro

O cenário de retomada de exportações favorece principalmente o Rio de Janeiro. Isso porque o estado responde por 85% das reservas brasileiras de petróleo. Mais ainda: concentra as principais fontes da camada do pré-sal, responsável por 71% da produção brasileira de óleo.

Por exemplo: em julho o país produziu 3,078 milhões de barris por dia. Enquanto os 117 poços do pré-sal foram responsáveis por 2,179 milhões de barris diários, ou 71% do total. Os dados são da ANP.

O impacto também pode ser comprovado no mais recente boletim Rio Exporta da Firjan.

Apesar de as exportações no primeiro semestre no Rio terem registrado déficit de 11% ante igual período de 2019, com US$ 13,6 bilhões, os embarques de petróleo seguiram resultado negativo. Porém, com menor queda, da ordem de 8%, em um total de embarques de US$ 1,1 bilhão.

Para se ter ideia, esse saldo conteve resultado pior para a balança fluminense. Ou seja: no primeiro semestre o estado do Rio apurou US$ 1,2 bilhão de saldo comercial negativo (quando as importações superam as exportações).

Mesmo assim, o estado representou participação de 13% no comércio exterior do país. Com isso, manteve a posição de segundo player entre os estados brasileiros com maior fluxo internacional, atrás apenas de São Paulo. Clique aqui para acessar o boletim da Firjan na íntegra.

Quais países compram nosso petróleo

Em resumo, o principal cliente do petróleo cru brasileiro é a China. Sozinha, ela comprou US$ 1,278 bilhão, ou 88% de toda exportação realizada em agosto, conforme a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia.

Para se ter ideia, o segundo lugar no ranking de importadores do óleo brasileiro é dos Países Baixos (Holanda), com US$ 39 mil; seguido de Portugal (US$ 38 mil) e da França (US$ 36 mil).

Clique aqui para acessar o balanço da Secex.

Diante a situação, é de se perguntar por que a China importa tanto petróleo do Brasil.

A explicação é uma só: a China ancora a retomada da produção industrial e do consumo nos países asiáticos. Para tanto, precisa de petróleo para atender a demanda interna do óleo e de seus derivados.

Sendo assim, a Ásia importou uma média de 1,07 milhão de barris por dia de petróleo do Brasil no primeiro semestre do ano. É uma alta de 30% relação ao mesmo período de 2019.

Todo esse volume significa que um recorde de 1,62 milhão de barris de petróleo brasileiro por dia chegou aos portos asiáticos em junho último. Quase o triplo do volume registrado em igual mês do ano passado.

Por fim, em seu relatório de produção e vendas (clique aqui), a Petrobras destaca que no primeiro semestre as exportações brasileiras de petróleo e de derivados da estatal somaram 996 milhões bdp (barris diários de petróleo). Essa é uma alta expressiva de 56,9% sobre igual período de 2019, que ficou em 635 milhões bdp.

Impacto é positivo na demanda internacional por petróleo

Em entrevista ao Energia Que Fala Com Você, o coordenador da Firjan Internacional, Giorgio Luigi Rossi, destaca o cenário atual das exportações brasileiras de petróleo com a retomada de produção na China.

Em sua opinião começou a recomposição das exportações brasileiras de petróleo notadamente para a China?

Giorgio Luigi Rossi – Considerando que a epidemia tem se desdobrado em graus e fases distintas nos países e, tendo sido a China o primeiro país impactado, já é possível perceber uma melhora dos indicadores da atividade econômica daquele país. Bem como a retomada da produção industrial.

Esses fatores impactam positivamente a demanda internacional por petróleo, coque e derivados e, consequentemente, o estado do Rio – principal produtor nacional – se beneficia.

Além disso, há informações de mercado que indicam uma recomposição dos estoques da China aproveitando-se da forte baixa nos preços nos primeiros meses da pandemia.

Esse cenário está refletido nos dados do Boletim Rio Exporta semestral. Apesar do aumento em 27% das exportações fluminenses de petróleo, houve uma retração do valor em 25%.

Responsável por 85% das reservas de petróleo do Brasil, o Rio tem condições de atender às demandas internacionais como as da China?

Giorgio Luigi Rossi – Do ponto de vista do comércio exterior, é possível dizer que o Rio de Janeiro tem demonstrado um desempenho crescente em termos quantitativos das exportações de óleos brutos de petróleo de 2014 para cá, conforme a tabela abaixo:

Exportações de óleos de petróleo brasileiro bruto

 É possível prever outros países importadores do petróleo do Rio neste segundo semestre?

Giorgio Luigi Rossi – No período entre janeiro a agosto deste ano, os principais destinos (em valor) das exportações de óleos brutos de petróleo foram: China, Espanha, Índia, EUA, Portugal, Países Baixos, Singapura, Chile, Coreia do Sul e Malásia.