Fontes renováveis avançam na geração e a eletricidade do vento é a mais barata

É o que destaca estudo feito a partir dos leilões públicos de contratação de energia

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Sombra de torre de energia eólica é vista de baixo, com luz do sol ao fundo em dia cinza com nuvens

A geração de energia elétrica por fontes renováveis cresce e, tudo indica, só tende a avançar em termos mundiais.

Prova dessa tendência é o mais recente Power Transition Trends 2020, relatório e ferramenta online da BloombeergNEF (BNEF), divisão da Bloomberg que acompanha dados detalhados sobre geração de energia e capacidade instalada de 138 países.

Em linhas gerais, o estudo atesta que as fontes renováveis avançam como matérias-primas para gerar eletricidade. Por exemplo: entre 2010 e 2019 a capacidade instalada de geração solar chegou a 651 gigawatts (GW). No mesmo período, a capacidade de energia eólica, que é produzida pelo vento, chegou a 644 GW.

De seu lado, o relatório destaca as fontes consideradas sujas – que emitem mais poluentes – na dianteira em capacidade instalada. É o caso do carvão (2.089 GW) e do gás (1.812 GW). Mas é preciso lembrar que essas fontes são tradicionais em muitos países.

Clique aqui para acessar o Power Transition Trends 2020.

Mas o que esses montantes de geração significam? Em termos comparativos, tome o caso do Brasil: a capacidade de geração instalada de todas as fontes é de 165 GW.

Ou seja: toda a capacidade instalada no Brasil representa 26% dos 651 GW de capacidade da eletricidade eólica apurados mundialmente pelo relatório da BloombeergNEF (BNEF).

Os dados brasileiros são da Aneel, compilados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), que destaca a fonte renovável biomassa com 15,4 GW instalados.

Por sua vez, a biomassa, que é formada em sua maioria por bagaço e palha da cana, ocupa a quarta posição na matriz energética brasileira, atrás das fontes hídrica, eólica e gás natural.

Quem custa menos entre as fontes renováveis

Agora uma novidade em termos de mercado de fontes renováveis: a energia feita a partir do vento é a mais barata.

Produzir um megawatt-hora (MWh) de vento tinha custo final de R$ 225 em 2015 e caiu para R$ 195 em 2019.

A segunda fonte limpa no ranking de menores custos é a biomassa: o MWh custava médios R$ 251 em 2015 e chegou a R$ 246 no ano passado.

O terceiro lugar é da fonte hidrelétrica: de médios R$ 216,70 em 2015, o MWh ficou em R$ 196,90 em 2019. Já o quarto e último lugar é da energia solar, cuja média era de R$ 314,40 em 2017 e caiu para R$ 321,50 no ano passado.

O balanço de valores é da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), divulgado no último dia 15 deste setembro.

Objetivo do estudo: apresentar o custo final da energia produzida por essas fontes renováveis, que contribuem com o movimento mundial de descarbonização. Clique aqui para mais informações sobre redução de emissões.  Para estruturar o ranking, a Câmara considera uma série de quesitos, como os custos médios dos leilões públicos de contratação. Mas há uma série de outros. Clique aqui para saber detalhes do levantamento.

Geração eólica cresce em ritmo acelerado

Além de ter o custo final mais barato, a geração eólica avança a passos largos em ganhos de geração.

Para explicar esse salto é preciso destacar que usamos aqui a energia ‘oficial’, interligada ao chamado Sistema Interligado Nacional (SIN). É essa rede que capta a eletricidade de todas as fontes e a injeta nas torres de transmissão que, por sua vez, chegam ao consumidor final por meio das distribuidoras.

Pois o SIN é gerido pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), órgão tutelado pela Aneel. E, segundo ele, a fonte eólica tem ganhos de oferta em escala pela frente. Se em 2020 os ventos são responsáveis por 9,3% de toda a energia no SIN, em 2024 eles representarão 11,3%. Em capacidade instalada, a eólica sairá de 15,3 mil MW para 19,9 mil MW.

Em termos comparativos, a fonte fotovoltaica solar, que cresce diariamente em instalações domésticas e em empresas, hoje representa 1,4% do total de energia no Sistema.

E deverá chegar a 2,4% daqui a quatro anos, conforme projeção da ONS. Em capacidade instalada, a solar sairá de 3 mil MW para 4,3 mil MW.

Diante a vantagem em escala das eólicas, é possível entender porque essa fonte renovável salta também no mercado de geração de eletricidade.

Vamos aos exemplos.

Apenas em setembro deste 2020, cinco empreendimentos geradores eólicos tiveram aval da Aneel para entrarem em operações em testes ou comerciais.

São eles: geradoras da Eólica Ventos de São Januário, com 29,4 MW em Campo Formoso (BA); geradora da EOL Vila Maranhão III, com 3,5 MW em Serra do Mel (RN); geradoras da EOL Casa Nova S/A, com 27 MW e controlada pela estatal Chesf em Casa Nova (BA); geradoras da EOL Serra do Vento, com 17,8 MW em Sento Sé (BA); e geradora da EOL São Januário, com 42 MW, em Campo Formoso (BA).

Você notou que a lista acima inclui também a estatal Chesf. Pois outras companhias públicas querem participar desse mercado eólico.

Tome o caso da estatal Cemig. Até no fim deste setembro, ela pretende realizar chamada pública com o objetivo de avaliar projetos de energia eólica para possível aquisição.

Por fim, no mercado corporativo as eólicas também são a bola da vez quando se trata de corrida rumo à descarbonização.

A britânica BP integra essa fila. Nesta quinta-feira (17/09), anunciou (clique aqui) ter fechado acordo para comprar participação de 50% em dois projetos de energia eólica offshore (no mar) da noruguesa Equinor nos Estados Unidos.

Avaliado em US$ 1,1 bilhão, o negócio, segundo a BP, é para ela avanar em suas metas de transição energética. Ou seja: a player, que é grande produtora de petróleo, tem compromissos de reduzir o quanto antes suas emissões de poluentes.  Contatos com o autor deste conteúdo: delcymack@gmail.com