BNDES contempla serviços tecnológicos em nova linha de crédito

Instituição promete agilidade na liberação de financiamentos que podem ter valores a partir de R$ 50 mil

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ilustração com ícones que dão ideia de conectividade, conexão, robótica e outras

Fornecedores de serviços tecnológicos entram no foco de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Desde o fim de agosto, a instituição colocou no mercado o BNDES Crédito Serviços 4.0, que, em linhas gerais, financia a contratação de serviços tecnológicos associados à otimização da produção, à viabilização de projetos de manufatura avançada e, entre outros, à implantação de soluções de cidades inteligentes.

De um lado, a iniciativa é muito bem-vinda porque contempla fornecedores de serviços até então de fora de linhas do BNDES.

De outro, é preciso questionar a modelagem desse recém-lançado produto. Ou seja: ele irá mesmo contemplar os pequenos fornecedores de serviços tecnológicos, ou cria barreiras burocráticas de acesso?

Executivos do BNDES garantem a acessibilidade à linha.

A afirmação foi durante webinar promovida pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e pelo Banco na terça-feira (22/09). Energia Que Fala Com Você acompanhou e apresenta, a seguir, destaques apresentados durante o evento.

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que o evento on-line divulgou, também, a linha Finame Máquinas 4.0 e as linhas de crédito liberadas pelo Banco para enfrentar o cenário de pandemia da Covid-19.

Já em segundo lugar vem o produto Crédito Serviços 4.0, gerido por 50 agentes financeiros cadastrados pelo BNDES.

Para reforçar: o balcão para se pedir o crédito é o agente financeiro. É ele quem oferta as linhas.

E a burocracia?

“O processo é bastante rápido, focado na agilidade do crédito”, disse, em sua apresentação, Gabriel Aidar, gerente de relacionamento da área de operações e canais digitais do BNDES.

Por sua vez, qual é o valor a ser financiado?

“Falamos de operações com valor baixo, de R$ 50 mil a R$ 100 mil, a operações mais estruturadas de R$ 5 a R$ 10 milhões”, disse ele.

Assim, vem a pergunta: que setores de tecnologia a linha abrange? São estes:

Por sua vez, o representante do BNDES lembrou no webinar que a linha financia, também, serviços associados a pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).

Como exemplo, ele citou a prototipagem, processo interativo de geração de modelos de software. “Também entra no financiamento, desde que entendida como serviço.”

Apesar de ser disponibilizado no fim de agosto, o produto foi gerido por dois anos. O novato surge, assim, do programa BNDES Finame, mas com selo 4.0.

Juros e outras características

O novo produto chega com opção para o tomador que não queira taxa com oscilação pelo IPCA.

Nesse caso, basta optar pela Taxa Física do BNDES (TFB), que corresponde à parcela do custo financeiro na taxa de juros e é fixa para o cliente até a quitação do financiamento.

Em cotação feita em 22/09, a TFB estava em 6% ao ano. Clique aqui para mais informações. Confira mais características:

Caso equipamentos financiados pelo BNDES Finame tenham características 4.0, com taxas superiores, podem migrar para essa nova linha.

O novo produto contempla, também, o financiamento e consultoria e 20% de giro associado, que são gastos para fiação e material elétrico, por exemplo, necessários para a instalação do serviço.

Serviços tecnológicos: antecipação do recebível

É comum o serviço tecnológico ser contínuo. Como a linha funciona neste caso?

Aí, a fornecedora do serviço fará contrato do período todo. Se for de um ano, terá o provimento do recurso na largada. Mas se o agente financeiro fará a liberação de forma integral ou em parcelas, dependerá de negociação com o cliente.

Mas, na prática, o BNDES dá antecipação do recebível. E ao invés de a assinatura ser paga em 12 meses, poderá ser quitada em até 120 meses. 

Com esse tipo de atitude, a instituição quer estimular o ecossistema 4.0, como relatou no evento on-line o representante do Banco.

Como o fornecedor faz o credenciamento?

Esta pergunta foi respondida na webinar por Gustavo Athayde, do Departamento de Apoio à Cadeia de Fornecedores de Bens e Serviços do BNDES.

Antes de mais nada, ele fez questão de frisar que a linha contempla máquinas 4.0, que são, por exemplo, as que têm associação à Internet das Coisas (IoT). Ou seja: algum tipo de robótica, que proporcione manufatura aditiva ou transporte autônomo. Exemplos:

E o credenciamento, como é feito?

No caso do recredenciamento, trata-se de algum produto que tenha característica 4.0, mas ainda não possui o selo específico.

Sendo assim, pode ser feita proposta de recredenciamento para solicitar inclusão do selo para ter direito ao crédito. Agora é vez do financiamento de serviços tecnológicos. Veja como é o processo:

Já o candidato ao crédito precisa atender quais requisitos? Confira:

Mais informações para fornecedores de serviços:

Para obter o credenciamento, o fornecedor precisa obter Índice de Credenciamento (IC) superior ou igual a 50%. Confira mais:

E quais são os itens qualificadores nesse processo do IC? Veja só:

Onde buscar informações

Durante o evento on-line, os representantes do BNDES destacaram que empresas fornecedoras de serviços tecnológicos têm site específico para buscar mais informações. Confira:

Agora saiba como fazer o credenciamento no portal CFI:

Clique aqui para acessar as palestras do evento Contatos com o autor deste conteúdo: delcymack@gmail.com

“Pensar em 4.0 é pensar em sustentabilidade”

Cristiano dos Anjos Gonçalves, diretor de área de Automação Industrial da Abinee, abriu o webinar promovido pela entidade com o BNDES.

Segundo ele, “pensar em 4.0 também é pensar em sustentabilidade.”

Isso, disse, porque as cadeias globais de fornecimento estão cada vez mais digitais. “Sem assim, terei de me digitalizar.”

E frisou: cada vez mais o mercado global é conectado.

“Se não investir em tecnologia 4.0, há risco grande de em pouco tempo minha empresa ficar de fora das cadeias globais”, destacou. 

Em outros exemplos, citou a manutenção remota e a cibersegurança. “Se eu não estiver neste mundo, deixarei de existir.” E finalizou: “não vou arriscar um prazo, mas pensar em 4.0 é pensar em sustentabilidade e longo prazo.”