Já ouviu falar em CBIOs? Eles ajudam o Brasil a conter as emissões de poluentes

São os créditos de descarbonização, que equivalem cada um a 1 tonelada de CO2 que deixa de ser lançada na atmosfera

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Já ouviu falar em CBIOs_Eles ajudam o Brasil a conter as emissões de poluentes
Crédito: UNICA/Divulgação

Os produtores de etanol ajudam o Brasil a reduzir as emissões de poluentes por meio do uso do combustível feito da cana-de-açúcar e de milho. E a prova disso são os créditos de descarbonização, os CBIOs.

CBIOs? Mas o que são eles?

Poucos conhecidos, esses créditos têm menos de seis meses de vida. E apesar da idade de bebê, eles já ajudam e muito. Isto é, o país tem diminuído de forma sustentável suas emissões de gases formadores do efeito-estufa.

Você pode desconhecer os CBIOs, mas já deve saber que entre os gases formadores do efeito-estufa está o dióxido de carbono. Também, o CO2, produzido principalmente a partir de combustíveis de origem fóssil.

Segundo a Cetesb, o CO2 segue sendo responsável por 60% da formação do efeito-estufa.  Pois entre os combustíveis de origem fóssil, gasolina e óleo diesel são os principais e, também, são mais nocivos na comparação com o etanol.

Olha só: enquanto um litro de gasolina gera 2,2 quilos de CO2 lançados na atmosfera, o litro do combustível feito da cana emite 0,24 gramas.

A informação é do químico industrial especialista em petróleo, gás e energia Marcelo Gauto divulgada pelo Energia Que Fala Com Você (clique aqui).

Segundo ele, em média o Brasil produziu 31 bilhões de litros de etanol anuais entre 2015 e 2019. Isto significa que o uso desse biocombustível fez o Brasil deixar de emitir 42,5 bilhões de quilos CO2 na atmosfera. É um montante equivalente ao plantio de 260,5 milhões de árvores, relata o especialista.

Pois bem, agora vamos aos CBIOs.

Onde é que eles entram nessa história?

É assim: esses créditos equivalem cada um a uma tonelada de CO2. Por sua vez, são emitidos por produtores de etanol (usinas) devidamente certificadas no programa de Estado RenovaBio, em vigor desde janeiro deste 2020.

Cada usina certificada recebe uma nota de eficiência, emitida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Isto a partir do chamado ‘ciclo de vida’ da unidade produtora.

Parece complicado, mas não é. Por ‘ciclo de vida’ entende-se o quanto de emissões de gases de efeito-estufa a usina gerou para produzir seu etanol. Aí vai desde o plantio da cana até a entrega do biocombustível no posto, daí o ‘ciclo de vida.’

Ou seja: uma usina que usa tratores velhos, que consomem mais óleo diesel, e que tem muito uso de agroquímicos (que também geram gases) ou trata mal sua vinhaça (composto do processo industrial), mostra que seu ‘ciclo de vida’ é ruim, apesar do benefício ambiental do etanol.

Sendo assim, essa usina certificada no RenovaBio só poderá lançar um CBIO a cada quantidade de litros de etanol definidos em sua nota de eficiência atestada pela ANP. Geralmente, uma usina nessa situação precisa de até 1,5 mil litros de etanol para lançar um CBIO.

Já uma usina exemplar, com baixo uso de diesel no processo produtivo, pode lançar um crédito desses a cada 800 litros.

Aí vem a pergunta: porque a usina certificada irá querer lançar mais CBIOs?

Os créditos são vendidos pela B3 (a antiga bolsa de valores) a um preço que, inicialmente, fora estimado em US$ 10.

O valor está longe de ser alcançado. E para ser ideal, em setembro este crédito foi negociado na B3 entre R$ 20 a R$ 36,75, relata a ANP

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CBIO atesta as externalidades dos biocombustíveis

Mas embora tenha apelo remunerador, o CBIO atesta as externalidades (ou vantagens) ambientais do etanol e de outros biocombustíveis, caso do biodiesel e do biogás.

Os créditos são fundamentais para o RenovaBio, vale destacar. A princípio, sua criação é feita para atingir parte das metas de redução de emissões de gases de efeito-estufa. O Acordo de Paris foi a ação que culminou a essa presença no Brasil.

Ainda assim existe uma meta compulsória de compra dos CBIOs. Sendo assim, a aquisição de créditos recebida pelas distribuidoras precisam compensar as emissões de gases.

Contudo, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) definiu a meta. Em outras palavras, colegiado coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME); que diante da pandemia, redefiniu para 14,5 milhões o total de CBIOs para 2020.

A boa notícia é que até o fim de setembro, o volume disponibilizado de CBIOs pelas unidades (de etanol e de biodiesel) chegou a 10 milhões. Equivale a 67% do total da meta estabelecida.

Com essa tendência, a expectativa é que se tenha CBIOs suficientes para cumprir a meta até o início de dezembro.

“O volume significativo de CBIOs que chegam ao mercado reflete o intenso movimento de certificação por parte dos produtores de biocombustíveis desde 2019”. Comenta, em relato, Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, a UNICA.

“Vale ressaltar que os 10 milhões de CBIOs equivalem a 10 milhões de toneladas de CO2. Ou seja, a atmosfera deixou de receber o CO2. Isso, graças ao uso do etanol e de outros combustíveis verdes que temos no Brasil”, completa.

Viu só?

Em suma, os biocombustíveis são estratégicos. Isto porque ele prova ao resto do mundo do seu cumprimento de metas na redução de emissão de gases de efeito-estufa.