Rio se prepara para atrair novos investidores na cadeia de O&G
Crédito: André Motta de Souza/Agência Petrobras

A cadeia de O&G deverá registrar novo salto na economia do estado do Rio de Janeiro. E o clima de otimismo gira em torno da expectativa de atração de investimentos que vão além da produção de óleo.

É o caso, por exemplo, do refino, cujos aportes já foram anunciados para a região Norte Fluminense.

Tem também o novo marco regulador do gás natural, cujo projeto tramita no Senado Federal depois de ser aprovado pela Câmara.

Apenas no caso do gás, o destravamento da cadeia de O&G deverá permitir R$ 45 bilhões em investimentos para o estado.

“Significa geração de emprego e renda direta e indireta com o aquecimento da atividade econômica”. Foi o que afirmou para o Energia Que Fala Com Você, Karine Fragoso, gerente de Petróleo, Gás e Naval da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Clique aqui para ler sobre o que mais ela comentou.

Em nova entrevista ao Energia Que Fala Com Você, Karine avalia agora sobre a atração de novos investidores da cadeia de O&G para o Rio de Janeiro. E comenta sobre o que falta para efetivar esses novos negócios.

Qual sua expectativa de entrada de novos operadores notadamente no Rio de Janeiro? 

Karine Fragoso – O Rio de Janeiro tem um ambiente diverso no mercado de petróleo offshore. O estado possui diferentes regimes de contratação, ambientes de produção distintos e multiplicidade de empresas que já atuam no território fluminense.

Além disso, temos uma mudança de interlocutores com a renovação dos quadros das empresas e atração de novos investidores, que, muitas vezes, trazem também empresas parceiras para desenvolvimento de seus projetos.

Com a evolução do ambiente de negócios e implementação de regras cada vez mais claras, é esperado que mais olhares se voltem para as oportunidades aqui existentes.

Esses olhares tendem a ir além de aportes em produção?

Karine Fragoso – Cabe destacar não só a liderança na produção e reservas de óleo, mas também a importância do adensamento da cadeia de suprimentos, tanto na expansão de elos da cadeia de valor do petróleo quanto nos novos investimentos na área de refino, já anunciados para a região Norte Fluminense.   

Os desinvestimentos anunciados pela Petrobras deverão acelerar essa entrada de novos operadores?

Karine Fragoso – Quando falamos da Petrobras, não podemos esquecer do protagonismo e especialização na exploração e produção do pré-sal.

É natural que áreas em declínio de produção e menos rentáveis no modelo atual sejam colocadas como desinvestimentos. No entanto, essas áreas ainda detêm potencial significativo que comprovadamente atrai novos investidores.

Existem operadores especializados no aumento do fator de recuperação de óleo, com condições para aumentar a rentabilidade dessas áreas.

Também cabe lembrar que uma área em declínio de produção tem um risco menor como projeto, uma vez que o óleo já foi encontrado, em comparação com novas áreas de exploração, ainda com incerteza significativa de resultado.

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Foto: Firjan/Divulgação

Descomissionamento de ativos: o que falta esse nicho do segmento na cadeia de O&G deslanchar?

Karine Fragoso – O descomissionamento no mercado de petróleo tem ganhado destaque com a necessidade de substituição de plataformas ou encerramento de produção em algumas áreas.

Ainda resta o debate sobre o melhor conjunto de regras e parâmetros, visando garantir que as atividades sejam feitas em segurança, por exemplo.

Mesmo que com pontos em discussão, muitas vezes o tempo desse investimento não espera. Conhecido também como ABEX [custo de abandono], o volume financeiro deve fazer parte dos valores de investimento previstos no projeto de produção de uma área e ter cronograma previsto para acontecer.

Nos próximos anos, precisamos ficar atentos também para as oportunidades que vão desde a desativação de linhas de subsea (em águas profundas) a até o desmonte de plataformas.     

Em oportunidades recentes, a sra. defendeu a importância da divulgação do Anuário Firjan para dar ao mercado instrumentos que possibilitem aprimorar sua capacidade de organização. Comente mais a respeito, por favor. 

Karine Fragoso – O Anuário foi concebido como instrumento para apoiar a tomada de decisão das empresas e estimular o debate de perspectivas, agregando a visão do mercado.

A publicação não só evidencia a representatividade do estado do Rio de Janeiro no mercado de petróleo, mas apresenta os principais dados do Brasil e do mundo, além de ajudar a traduzir as oportunidades para que empresas que atuam nesse mercado possam melhor se planejar.

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China acelera importações do petróleo brasileiro

As exportações de petróleo pelo Rio seguem em alta mesmo neste ano de pandemia. E a China lidera entre os países importadores. Qual sua avaliação a respeito?

Karine Fragoso – As exportações de petróleo atendem a demandas distintas. No caso da China, esse óleo, acredito, estaria mais atrelado à demanda por bunker, combustível para embarcações para transporte de produtos, e pelo alto índice de comercio mundial da China, podemos dizer que esse é um dos maiores mercados no mundo!  

No caso do Brasil, e do óleo do pré-sal, estamos bem posicionados para esse fornecimento, já que hoje demandam baixo teor de enxofre. Além disso, nosso óleo atende essas especificações, com sua baixa acidez, o que o torna muito valorizado nesse mercado.