Como a tecnologia pode ampliar os resultados positivos da agricultura

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A agricultura pesa de forma muito positiva na economia brasileira. Para começar, o Brasil tem produção crescente de soja, arroz, milho e cana-de-açúcar, entre outros. Apenas no caso dos grãos, a projeção oficial é de que a produção atual cresça 4,2% ante a anterior.

Por sua vez, a agricultura gera óleos e biocombustíveis na cadeia denominada agronegócio, que integra produtos feitos a partir de cultivos agrícolas. E essa cadeia é responsável pelos sucessivos êxitos de ganhos produtivos e de exportações.

Para ficar em um exemplo, o PIB (confira definição aqui) do agronegócio cresceu 6,75% nos sete primeiros meses de 2020 (leia mais aqui). É uma alta considerável em um período do ano já afetado pela pandemia do novo coronavírus, com economia parada e quando inicialmente previa-se que o PIB do País cairia até 8% nesse ano.

Outro atestado da importância do agro na economia está na balança comercial, que apura os saldos de exportação e de importação. Vamos a um exemplo: em agosto último, enquanto as vendas externas da indústria de transformação caíram 14,2% e as da indústria extrativa recuaram 8,6%, as da agropecuária subiram 32,64% (leia mais aqui).

Resultados como esses destacam que o agronegócio ajuda a sustentar a balança comercial, termômetro prioritário sobre a saúde econômica do Brasil.

Ganhos com a tecnologia dependem de conectividade

Mas além dos números, é preciso destacar também que a agricultura esbanja resultados que podem, sim, crescerem muito mais. E como? Por meio da implementação da tecnologia.

É preciso lembrar que há muito o agro anda de mãos dadas com a tecnologia. Drones, tratores e colhedoras autônomas, georreferenciamento, monitoramento online sobre dia a dia dos cultivos, tudo isso não é novidade no campo.

Mas tecnologia nunca é demais, certo?

A oferta de ferramentas tecnológicas se volta com tudo para o agronegócio, até porque ele é um gigantesco consumidor que pretende crescer em produção sem sequer ampliar a atual área de cultivo, da ordem de 351,3 milhões de hectares, ou 41% da área total do país, segundo a Agência Brasil.

Entretanto, esse gigante enfrenta carências.

Uma delas é a falta de conectividade. Cerca de 72% dos mais de cinco milhões de estabelecimentos rurais brasileiros estão off-line. A informação integra o último Censo Agropecuário e foi destacada por Reginaldo Minaré, coordenador do grupo de trabalho de Tecnologia da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em fórum realizado no dia 06 de outubro.

Segundo ele, o Brasil precisará investir em conectividade se quiser utilizar as tecnologias disponíveis e produzir mais para alimentar uma população mundial que aumentará de forma acelerada nas próximas décadas.

“Hoje, o produtor compra máquinas com tecnologia de última geração, mas não pode usar os benefícios da tecnologia embarcada porque precisa de conectividade, ou seja, ele paga por ela, mas não utiliza”, destacou Minaré (leia mais a respeito do fórum aqui).

Como resposta para reverter a defasagem, são necessários, por exemplo, investimentos na cobertura digital com satélite e fibra ótica.

De um lado, o governo federal e instituições ligadas ao agro prometem priorizar soluções. Entre elas está o uso de conectividade via satélite para cobertura de áreas não atendidas do campo.

Trata-se de um projeto ambicioso de alto custo, mas que está no radar.

De outro lado, a iniciativa privada avança em investimentos próprios de emprego da tecnologia.

Ademais, os aportes integram participações de fornecedores e de produtores da cadeia do agronegócio. Energia Que Fala Com Você lista a seguir alguns exemplos desses investimentos tem tecnologia no agro brasileiro.

Ferramentas para agilizar tomadas de decisão

Com foco em agilizar as tomadas de decisões no campo, a plataforma de agricultura digital Agrosmart fechou recentemente parceria com a operadora TIM para impulsionar a denominada agricultura 4.0.

Entre as soluções criadas pela Agrosmart estão a coleta de dados de diferentes fontes, como de estações meteorológicas, sensores de solo, caderno de campo e de integrações com o legado do estabelecimento.

Essas ferramentas analisam as informações em tempo real e geram recomendações aplicáveis para diferentes players do agro e facilitam, assim, a tomada de decisões.

Mas e a conectividade para agregar essas ferramentas? Aí entra a operadora, que destaca ter mais de 5 milhões de hectares conectados com cobertura 4G, levando soluções de Internet das Coisas (IoT), voz e dados aliados a conectividade para os clientes.

Usina investe em IoT nos padrões 4G e 5G

Considerada maior unidade processadora de cana de açúcar do mundo, a Usina São Martinho, localizada em Pradópolis, no interior paulista, há muito investe em tecnologia.

Drones para controle inteligente de pragas e plantas daninhas, identificação e localização de incêndios em áreas agrícolas e utilização de veículos autônomos como tratores e caminhões estão entre os recursos tecnológicos implantados.

No entanto, esses recursos requerem processamento de dados e imagens em alta velocidade. Para tanto, a São Martinho anunciou em setembro acordo com a Ericsson focado no desenvolvimento de inovações tecnológicas para o agro no ambiente de IoT, com base nos padrões abertos de conectividade 4G e 5G.

A partir desse acordo, a companhia sucroenergética anunciou que instalará em Pradópolis um centro de inovação para desenvolver aplicações reais de 5G para o agronegócio, usando as frequências de 700MHz e 3500MHz. Clique aqui para ler mais a respeito.

Big data é usado para reduzir riscos climáticos

Bom exemplo do emprego da tecnologia em favor do agro é o trabalho de pesquisadores latino-americanos que utilizaram recursos de big data (análise de grande quantidade de dados, veja quadro) para compreender melhor os efeitos dos eventos climáticos conhecidos como El Niño e La Niña na variabilidade da distribuição das chuvas e a consequente interferência no cultivo de grãos no Brasil.

Em resumo, o estudo analisou e cruzou dados de 50 municípios nos estados de Rondônia, Mato Grosso, Goiás e Tocantins, responsáveis por 39% da produção de grãos no País, e resultou em um calendário de cultivo para diminuir riscos de estresses hídricos associados à perda de produção nessas localidades.

“Um dos objetivos desse estudo foi aprimorar os calendários de cultivo já existentes e desenvolver opções estratégicas de gestão do período de semeadura para diminuir riscos de estresses hídricos que acarretem perdas na produção”, pontua o pesquisador Alexandre Heinemann, da Embrapa Arroz e Feijão (GO). Clique aqui para mais informações a respeito.

Para saber mais sobre o assunto, assista ao webinar da FIEETecnologia para o Agronegócio: como a transformação digital impulsiona a competitividade no campo“!