Canaviais ampliam a geração de eletricidade limpa no Brasil
Foto: Siamig

A princípio, a cana-de-açúcar é responsável pela produção de 90% de todo etanol consumido em veículos flex e a gasolina do País. Ao mesmo que, ocupa pouco menos de 7 milhões de hectares em todo o país, onde são cultivados 600 milhões de toneladas; ampliando, em consequência, a geração de eletricidade limpa.  

Pode parecer muito, mas esse montante de hectares com cana representa apenas 2% dos 351 milhões de hectares. Estes, são ocupados pela agricultura no território nacional (leia mais aqui). 

Além de 90% de todo etanol consumido (os 10% restantes são de importações e do biocombustível feito do milho); a cana responde também por 33 milhões de toneladas de açúcar e pela bioeletricidade.

Bioeletricidade? 

Incomum para muita gente, essa palavra representa a energia elétrica produzida a partir da biomassa da cana, ou seja, o bagaço e a palha. Na verdade, é o bagaço quem gera mais de 90% da eletricidade feita pelas usinas. 

Essa eletricidade atende em primeiro lugar as próprias usinas, que nos médios 9 meses do ciclo produtivo; este também chamado de safra. Aqui, ele possui energia própria, sem comprar das distribuidoras. Todas as perto de 400 usinas do País geram a própria energia. 

Geração de eletricidade limpa dos canaviais no mercado

Além do consumo próprio, nesse período de safra cerca de 200 das usinas também produzem eletricidade da cana para vender no mercado. 

E olha que curioso: apenas a energia elétrica de biomassa canavieira ofertada em 2019 soma 22,5 mil gigawatts-hora (GWh). Isso é suficiente para abastecer 12 milhões de residências

Detalhe: como esse volume de GWh foi produzido entre abril e novembro, quando ocorre a safra e é o período mais seco do ano. Ele também poupou os reservatórios das hidrelétricas.

Confuso, não? 

É que as hidrelétricas respondem por 80% da energia elétrica gerada no Brasil e elas precisam de água para produzir. 

Sendo assim, nos meses geralmente atingidos por estiagem a eletricidade da cana entra como estratégia. 

“Os 22,5 mil GWh equivalem a uma poupança de 15 pontos percentuais da energia armazenada nos reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste/Centro-Oeste”.

É o que diz o gerente de bioeletricidade da UNICA ao Energia Que Fala Com Você, Zilmar de Souza.

Redução nas emissões de CO2

A oferta de eletricidade gerada pelas usinas em 2019 tem outros bons resultados. Um deles é a redução das emissões de gás carbônico (CO2) em 7,4 milhões de toneladas; e foi entregue para as distribuidoras em períodos do ano nos quais as bandeiras estavam amarela ou vermelha. 

E não é só isso. Os 22,5 mil GWh foram obtidos com apenas 11% da cana disponível no Brasil. 

Aí vem a pergunta; se a eletricidade da cana é tão produtiva, estratégica e ambientalmente sustentável, por que não chega a 80 ou 90% do total de canaviais?

As explicações são variadas, mas fiquemos em uma delas: as empresas produtoras não têm incentivos nos leilões de compra de eletricidade. Esses leilões são públicos e usam modelos nos quais a mesma energia feita da cana, que exige grandes investimentos. Ela, por sua vez, compete com a energia produzida pelo sol ou pelo vento – que exige investimentos bem inferiores. 

Diante a concorrência, dá para entender porque a bioeletricidade recua. 

“É preciso valorizar a biomassa brasileira”

A pedidos do Energia Que Fala Com Você, o gerente de bioeletricidade da UNICA, Zilmar de Souza, avalia a situação da bioeletricidade.

Segundo ele, o Brasil planeja investir em fontes não renováveis como gás e nuclear. “É preciso ser ousado e valorizar a biomassa brasileira,porque os canaviais podem fornecer 89% mais energia”, atesta. 

“E essa produção de energia fica próxima às linhas de transmissão, sem a necessidade de investimentos em mais estrutura de linha”, emenda ele.

Isto é, no caso de futuras geradoras de energia a gás natural ou nuclear, podem ser necessários aportes em implantação de linhas de transmissão. A ideia nesse sentido é fazer a eletricidade chegar aos consumidores. 

No caso das usinas de cana do estado de São Paulo, onde estão 180 delas, a maioria fica vizinhas das linhas de transmissão.