Compradores de ativos da Petrobras ampliam presença e investimentos no Brasil

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Compradores de ativos da Petrobras ampliam presença e investimentos no Brasil
Foto: Agência Petrobras

As vendas de ativos da Petrobras abrem o mercado brasileiro de O&G para grupos privados. E a presença deles amplia os investimentos no Brasil. 

Exemplo mais recente é a conclusão da venda total pela Petrobras do campo de Baúna, localizado em águas rasas na Bacia de Santos. A compradora é a Karoon Petróleo & Gás Ltda., subsidiária da australiana Karoon Energy Ltd. 

Concluída em 06 de novembro, a negociação prevê a operação pela Karoon no campo de Baúna com o FPSO (sigla em inglês para Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência) Cidade de Itajaí. 

As condições da venda projetam produção crescente nos próximos anos. Com o plano de expansão do ativo e do vizinho campo de Patola, a estimativa é dobrar a produção atual nos próximos anos para 30 mil barris de petróleo por dia

E diante as metas de alta na produção vêm os investimentos necessários. 

Bom para a Karoon, que entrou no Brasil em 2008 com a aquisição de cinco blocos offshore na Bacia de Santos. Com o campo de Baúna, passa a concentrar cada vez mais os seus recursos em ativos de classe mundial em águas profundas ultraprofundas. 

A negociação foi salutar também para a Petrobras. A venda totaliza US$ 526 milhões entre valores já recebidos e a serem pagos até 2026 (clique aqui para ler nota da Petrobras a respeito). 

Venda de ativos da Petrobras onshore no Espírito Santo 

Os frutos de desinvestimentos da Petrobras, e que ampliam a atuação de operadores privados, focam empreendimentos offshore e onshore.

Em 30 de setembro, por exemplo, a estatal concluiu a venda do Polo Lagoa Parda, no estado do Espírito Santo, para a Imetame Energia Lagoa Parda Ltda, afiliada da Imetame Energia Ltda. Valor do negócio: US$ 9,4 milhões mais o montante de US$ 1,4 milhão pago na assinatura do contrato de venda. 

Os desinvestimentos da Petrobras trazem para a indústria expectativas com oportunidades de novos negócios que são importantes do ponto de vista econômico e social, destaca, em nota, Giuliano Favalessa, diretor operacional da Imetame. 

“Novas empresas podem assumir esses ativos com mais flexibilidade e visão de desenvolvimento, além de novos fornecedores e prestadores de serviço”, emenda ele na nota. 

Leia também: Rio se prepara para atrair novos investidores na cadeia de O&G”

Em linha com o raciocínio do executivo da Imetame, empresas privadas entram ou ampliam presença no segmento de O&G com a aquisição de ativos da Petrobras. 

É o caso da Karavan SPE Cricaré S. A., Sociedade de Propósito Específico (SPE) controlada em 51% pela Karavan O&G e em 49% pela gestora de equity provider Seacrest Capital Group Limited

Em 27 de agosto a SPE adquiriu por US$ 155 milhões a totalidade da participação da Petrobras em 27 concessões terrestres de exploração e produção do Polo Cricaré, no Espírito Santo. (leia aqui mais a respeito)

Uma semana antes, em 21 de agosto, a Petrobras formalizou a venda da totalidade de sua participação em oito campos terrestres de exploração e produção denominado Polo Rio Ventura, no estado da Bahia. 

O comprador foi a SPE Rio Ventura S. A., subsidiária integral da 3R Petroleum e Participações S. A. Valor da venda: US$ 94,2 milhões pagos de forma escalonada. Leia mais aqui

Vem aí a venda das refinarias

Assim como outras companhias descritas nesta reportagem, a 3R Petroleum também já opera no O&G brasileiro. No caso, está desde 2019 com a aquisição do Polo Macau da Petrobras. 

E tudo indica que essas e outras empresas privadas continuarão avançando – e investindo – no O&G do Brasil até porque fora a produção offshore e onshore há outro filão dos desinvestimentos da Petrobras que são as refinarias. 

A venda de parte das refinarias abrirá essa fatia do O&G para empresas privadas hoje de fora desse segmento. E, além de reforçar o caixa da Petrobras, deverá também favorecer o consumidor. 

Esse favorecimento, por sua vez, virá com a concorrência entre os controladores dessas refinarias, nas quais o petróleo é transformado em produtos combustíveis.